O senador Angelo Coronel deve oficializar, nos primeiros dias de fevereiro de 2026, o rompimento político com o Partido dos Trabalhadores tanto no plano estadual quanto no nacional. O movimento tende a arrastar consigo os filhos Diego Coronel, deputado federal, e Angelo Coronel Filho, deputado estadual — ambos detentores de mandato pelo PSD — e a consolidar um alinhamento político com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, principal liderança da oposição baiana e filiado ao União Brasil.
Nos bastidores, a especulação predominante é de que o senador e seus filhos deixem o PSD e ingressem formalmente no União Brasil, movimento que teria forte simbolismo político e efeitos práticos imediatos. A decisão ocorre a menos de um ano do início formal do calendário eleitoral de 2026 e produz impacto direto nas bases de sustentação dos governos estadual e federal. Há expectativa concreta de exonerações, perda de espaços administrativos e rearranjos em cargos estratégicos atualmente ocupados por aliados do grupo Coronel tanto na gestão do governador Jerônimo Rodrigues quanto na estrutura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ruptura também redesenha o equilíbrio interno do PSD na Bahia, fragiliza a estratégia de alianças construída pelo PT no estado ao longo da última década e amplia as incertezas em torno da montagem da chapa governista para 2026. No campo petista, o movimento tensiona simultaneamente o projeto de reeleição ao Palácio de Ondina e a disputa pelas vagas ao Senado, abrindo espaço para uma oposição mais coesa e competitiva. Trata-se, portanto, de uma inflexão política de alto impacto, com potencial para alterar de forma duradoura o tabuleiro eleitoral baiano.
Eleito senador em 2018 sob a liderança do PSD baiano comandado por Otto Alencar, Angelo Coronel integrou, por oito anos, a base política que sustentou os governos petistas na Bahia e no plano federal. A convivência, no entanto, passou a ser marcada por divergências estratégicas e disputas por espaço. Entre os episódios que antecederam o rompimento estão a oferta de um mandato no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), a discussão sobre a composição da vice-governadoria em chapa liderada por Jerônimo Rodrigues e, por fim, a tentativa de Coronel de assumir a liderança do PSD baiano por meio de articulação com a executiva nacional do partido.
Essa última iniciativa envolveu o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, mas não prosperou. O revés consolidou a percepção de isolamento do grupo Coronel dentro da legenda e aprofundou a fricção com Otto Alencar, que passou a planejar a sucessão da liderança partidária na Bahia com a projeção do filho, o médico Daniel Alencar. A sequência desses movimentos foi decisiva para a ruptura.
Impacto imediato nos governos e redistribuição de poder
A saída do senador Angelo Coronel da base governista produz efeitos concretos e imediatos. O rompimento implica a retirada automática de seus filhos — Diego Coronel e Angelo Coronel Filho — do alinhamento com o PT e desencadeia uma reconfiguração de espaços políticos nos níveis estadual e federal. Cargos ocupados por aliados do grupo Coronel tendem a ser revistos, com exonerações ou exigência de reposicionamento, em um processo típico de reorganização de coalizões no período pré-eleitoral.
No plano estadual, o governo de Jerônimo Rodrigues deve promover ajustes na máquina administrativa para recompor a base e assegurar coesão política. Embora a estratégia petista para o Senado — com Rui Costa e Jaques Wagner — permaneça eleitoralmente competitiva, a ruptura elimina a vantagem simbólica da unanimidade ampliada. A entrada do grupo Coronel no campo oposicionista eleva o grau de competição e enfraquece a lógica histórica de eleição “administrada” na política baiana.
Em Brasília, o impacto incide sobre o esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para preservar uma maioria funcional no Congresso. A saída de um senador experiente, ainda que não altere votações pontuais de imediato, contribui para ampliar a fragmentação em um Legislativo já marcado por pragmatismo elevado e baixa fidelidade partidária.
Para o PSD, o episódio deixa um saldo ambíguo. Nacionalmente, o partido mantém musculatura institucional; na Bahia, porém, emerge politicamente mais estreito, com menor capacidade de mediação entre governo e oposição. O pragmatismo de Gilberto Kassab tende a priorizar a estratégia nacional, ainda que ao custo de uma perda de densidade política no estado.
Eleições 2026: reeleição, Senado e fortalecimento da oposição
A ruptura ocorre quando Jerônimo Rodrigues estrutura sua tentativa de reeleição à frente de uma chapa robusta, com dois ex-governadores cotados ao Senado. A composição, embora sólida, passa a enfrentar uma oposição mais coesa, reforçada pelo apoio do grupo Coronel a ACM Neto.
Para a oposição, o movimento é um ganho estratégico imediato: amplia capilaridade no interior, agrega mandatos e pressiona a base governista. Para o PSD, a cisão explicita uma disputa de comando e identidade na Bahia, com efeitos diretos sobre a formação das chapas majoritárias estaduais e repercussões no xadrez presidencial de 2026.
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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, com área de concentração em Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e ex-aluno especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, sendo filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ – Registro nº 14.405), à Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ – Registro nº 4.518) e à Associação Bahiana de Imprensa (ABI-BA). É diretor e editor do Jornal Grande Bahia (JGB). Integra a Maçonaria regular, exercendo o cargo de Mestre Instalado da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Maçônica ∴ Harmonia, Luz e Sigilo, nº 46.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia
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