Bloco Afro A Mulherada celebra 25 anos com desfiles no Campo Grande e no Centro Histórico de Salvador
O Bloco Afro A Mulherada realizou na quinta-feira (12/02/2026) um desfile comemorativo de seus 25 anos de trajetória no Carnaval de Salvador, reunindo mais de 1.000 integrantes no Circuito Osmar, no Campo Grande, com trio elétrico, alas de percussão, dança, baianas, rainhas afro, xequerês e foliões. A celebração continua no domingo (15/02), no Circuito Batatinha, no Centro Histórico, com apresentação em formato de banda show e microtrio, reafirmando o vínculo do grupo com o território onde desenvolve suas ações culturais e sociais ao longo do ano.
Desfile celebra trajetória e identidade afro-baiana
O cortejo realizado no Campo Grande marcou o jubileu de 25 anos do bloco, consolidando sua presença no calendário carnavalesco da capital baiana. O desfile contou com estrutura completa de trio elétrico e organização em diversas alas temáticas, reunindo percussionistas, dançarinas, baianas e representantes das rainhas afro, em um espetáculo de forte expressão cultural.
A participação de mais de mil integrantes evidenciou o alcance social e artístico do grupo, que se firmou como uma das expressões relevantes da cultura afro-brasileira em Salvador. A Banda Mulherada, responsável pela condução musical do bloco, tem atuação contínua ao longo das últimas décadas, fortalecendo o protagonismo feminino negro no Carnaval.
O desfile também reforçou a tradição do bloco nas festas populares da cidade, mantendo o compromisso com a valorização das matrizes africanas e com a promoção da diversidade cultural.
Tema destaca a Rainha Mãe Idia e a ancestralidade feminina negra
No domingo (15/02), o bloco se apresenta no Centro Histórico com o tema “Iyobas – A Força Ancestral da Rainha Mãe Idia: do Benin a Salvador, a herança das mulheres negras”. A proposta presta homenagem à figura histórica do Reino do Benin e às mulheres negras da diáspora que preservam e atualizam esse legado cultural.
O desfile no Circuito Batatinha percorrerá espaços simbólicos do Centro Histórico, como a Praça da Sé, o Terreiro de Jesus, o Largo do Pelourinho e ruas adjacentes. A apresentação será realizada em formato de banda show, com percussionistas e microtrio, integrando música, dança e performance cênica.
A escolha do tema busca ampliar a visibilidade das narrativas afro-diaspóricas, destacando a ancestralidade feminina negra como elemento estruturante da cultura baiana. O desfile é concebido como espaço de circulação de saberes e de educação patrimonial, reforçando o caráter pedagógico da manifestação cultural.
Atuação social e cultural além do Carnaval
O Centro Histórico de Salvador é considerado o território de origem do bloco e do instituto que leva o mesmo nome, sendo o espaço onde se desenvolvem atividades artísticas, políticas e comunitárias. O grupo atua ao longo de todo o ano com projetos culturais e sociais voltados para a população local.
Entre as iniciativas promovidas pelo bloco estão oficinas gratuitas de percussão, teoria musical e dança afro-brasileira, além de rodas de diálogo e ações educativas. As atividades buscam fortalecer vínculos comunitários e ampliar o acesso à cultura de matriz africana.
A atuação continuada consolidou o bloco como agente cultural relevante na promoção da cidadania e na valorização das expressões afro-brasileiras, com ações voltadas especialmente para mulheres negras, pessoas LGBTQIA+ e moradores do Centro Histórico.
Apoio institucional e estrutura do desfile
A participação do Bloco Afro A Mulherada no Carnaval de Salvador conta com patrocínio institucional da Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (SECULT), da Empresa Salvador Turismo (SALTUR) e da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (SUFOTUR).
O apoio público integra a política cultural voltada ao fortalecimento das manifestações afro-baianas e à manutenção das tradições carnavalescas, consideradas parte fundamental do patrimônio cultural da cidade.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




