Guerra de 5ª geração usa desinformação, medo e algoritmos para influenciar sociedades, afirma analista

A chamada Guerra de quinta geração (5GW) tem ampliado disputas geopolíticas para além do campo militar tradicional, utilizando ferramentas digitais, algoritmos e fluxos massivos de informação para influenciar a percepção pública e gerar instabilidade social. A avaliação foi apresentada pelo pesquisador João Cláudio Pitillo em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo o especialista, o principal objetivo da 5GW não é a ocupação territorial, mas sim a produção de dúvida, medo e desconfiança institucional dentro das sociedades contemporâneas.

Pitillo, que é mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que o modelo de guerra atua diretamente sobre a forma como a população interpreta acontecimentos políticos e sociais.

De acordo com o analista, o ambiente digital altamente conectado transformou o fluxo de informações em um espaço estratégico de disputa geopolítica.

Especialista afirma que objetivo da 5GW é influenciar percepção social

Segundo João Cláudio Pitillo, a Guerra de quinta geração trabalha simultaneamente em diferentes áreas da sociedade, utilizando conteúdos variados para moldar comportamentos e influenciar posicionamentos políticos.

O pesquisador explicou que a dúvida enfraquece o apoio popular a lideranças e causas específicas, enquanto o medo reduz o engajamento político e social da população.

“O objetivo é implantar na sociedade ou em um grupo escolhido dúvida e medo”, afirmou o especialista durante a entrevista.

Pitillo também observou que o excesso de informações distribuídas em larga escala faz com que muitos usuários deixem de buscar conteúdos contraditórios, permanecendo restritos a determinadas plataformas digitais e fluxos informacionais.

Redes sociais, inteligência artificial e algoritmos ampliam alcance da desinformação

O pesquisador destacou que o avanço da conectividade, das redes sociais e da inteligência artificial (IA) ampliou a capacidade de difusão de conteúdos segmentados.

Segundo ele, algoritmos digitais contribuem para a formação das chamadas “bolhas informacionais”, nas quais usuários recebem continuamente conteúdos alinhados a determinadas narrativas.

Pitillo afirmou que a expansão da internet móvel, associada à produção de vídeos curtos e conteúdos automatizados por IA, intensificou o alcance da Guerra de quinta geração.

De acordo com o especialista, esse modelo reduz gradualmente a capacidade crítica do usuário sem que ele perceba o processo de saturação informacional.

Especialista alerta para influência geopolítica no fluxo de informações

A análise também aponta que o domínio tecnológico de grandes plataformas digitais e empresas de tecnologia ampliou o uso estratégico da informação em disputas internacionais.

Segundo Pitillo, países e grupos com maior controle sobre fluxos de dados e algoritmos conseguem influenciar percepções políticas em outras nações sem recorrer diretamente ao confronto militar.

O pesquisador citou exemplos envolvendo Cuba e Venezuela, afirmando que disputas narrativas e campanhas de desinformação têm sido utilizadas para gerar instabilidade social e política.

Em relação à Venezuela, o especialista mencionou episódios envolvendo o presidente Nicolás Maduro como exemplos de operações de impacto midiático voltadas à produção de dúvidas na população sobre instituições governamentais.

Guerra informacional amplia debates sobre soberania digital

Especialistas em geopolítica e comunicação vêm debatendo o crescimento da chamada guerra informacional em um cenário internacional marcado por conflitos armados, polarização política e transformação digital acelerada.

A Guerra de quinta geração é associada ao uso de desinformação, manipulação narrativa, algoritmos, inteligência artificial e controle de dados como instrumentos de influência política e estratégica.

Segundo Pitillo, o cenário atual evidencia que a disputa geopolítica contemporânea também ocorre no ambiente digital, onde a circulação de conteúdos influencia decisões políticas, percepção pública e confiança institucional.

O analista concluiu que o controle do fluxo de informações e da distribuição algorítmica se tornou um dos principais instrumentos de poder nas relações internacionais contemporâneas.

*Com informações da Sputnik News.

Redação do Jornal Grande Bahia

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