Almoço fora de casa já custa mais de R$ 600 por mês e pressiona orçamento do trabalhador, aponta FAC-SP
Levantamento da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP) apontou na quarta-feira (13/05/2026) que o trabalhador brasileiro que almoça fora de casa cinco vezes por semana já desembolsa cerca de R$ 605 por mês com refeições. O dado integra o Índice Prato Feito (IPF), indicador criado pela instituição, ligada à Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e integrante do sistema da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), para acompanhar o custo da alimentação fora do lar. Segundo o estudo, o preço médio do prato feito subiu 1,67% entre janeiro e março de 2026, passando de R$ 29,77 para R$ 30,27, em um cenário marcado por inflação, juros elevados, endividamento das famílias e aumento dos custos operacionais dos restaurantes.
Índice Prato Feito mostra alta no custo da alimentação fora de casa
O levantamento da FAC-SP indica que o valor mensal gasto por trabalhadores que almoçam fora de casa teve aumento de aproximadamente R$ 10 em apenas dois meses. O cálculo considera a rotina de quem realiza cinco refeições semanais fora do domicílio, prática comum entre trabalhadores urbanos, especialmente em grandes centros comerciais.
O Índice Prato Feito foi desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Econômicos da FAC-SP e, nesta etapa preliminar, considera dados referentes ao 1º trimestre de 2026. Para a análise de março, foram coletados preços em 359 estabelecimentos no país, permitindo observar a evolução do custo da refeição em diferentes realidades comerciais.
A proposta do indicador é ampliar a leitura sobre o preço da alimentação fora de casa. Diferentemente de levantamentos restritos ao custo dos alimentos, o IPF considera fatores como energia, aluguel, transporte, mão de obra, tributos e logística, elementos que compõem a operação de restaurantes e influenciam diretamente o preço final pago pelo consumidor.
Alta não se limita ao preço dos alimentos
Segundo a FAC-SP, a elevação do preço do prato feito não decorre apenas da variação dos alimentos. O estudo aponta que os custos de funcionamento dos estabelecimentos têm peso relevante sobre a formação do preço, especialmente em um setor sensível a despesas fixas, encargos trabalhistas, tributação e custos de abastecimento.
O diretor da Faculdade do Comércio de São Paulo, Wilson Victorio Rodrigues, afirmou que o Índice Prato Feito permite compreender a variação do preço da refeição de forma mais ampla. De acordo com ele, o indicador demonstra a inflação do prato feito ao contemplar os serviços e elementos que orbitam em torno da alimentação.
Rodrigues avaliou ainda que a inflação atinge todos os componentes da operação comercial, e não apenas o alimento servido no prato. Nesse contexto, o aumento dos custos tende a ser repassado ao consumidor, pressionando especialmente trabalhadores que dependem de refeições fora de casa durante a jornada profissional.
Custo de vida e endividamento ampliam pressão sobre famílias
O aumento do custo do almoço fora de casa ocorre em um ambiente de maior pressão sobre o orçamento doméstico. Dados citados pela FAC-SP, com base na Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4% em março de 2026.
A combinação entre dívidas familiares, inflação persistente e juros elevados reduz a margem de consumo das famílias e torna despesas recorrentes, como alimentação, transporte e moradia, ainda mais relevantes na composição do orçamento mensal.
Para Wilson Victorio Rodrigues, esse conjunto de fatores indica um sinal de alerta para a economia. A alimentação fora de casa, antes tratada por muitos trabalhadores como necessidade operacional da rotina profissional, passa a representar uma despesa com impacto expressivo no planejamento financeiro.
IPF busca medir impacto concreto no cotidiano do consumidor
O economista Rodrigo Simões Galvão, responsável técnico pelo indicador, afirmou que acompanhar o preço do prato feito permite observar de maneira concreta como o custo de vida chega à mesa do consumidor.
A FAC-SP ressalta que o IPF não substitui o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil. A diferença central, segundo a instituição, está na metodologia e na finalidade de cada índice.
Enquanto o IPCA mede a inflação de uma cesta ampla de bens e serviços, o Índice Prato Feito procura observar a refeição fora de casa a partir de uma visão operacional mais expandida, incorporando os custos que afetam restaurantes e consumidores no cotidiano.
Tributação e escala 6×1 entram no debate sobre custos
Além da inflação, a FAC-SP destaca a tributação como um dos principais fatores de preocupação para donos de restaurantes. Wilson Victorio Rodrigues apontou que a carga tributária pesa no funcionamento cotidiano do setor e influencia a definição dos preços praticados ao consumidor final.
O diretor da FAC-SP também comentou os possíveis impactos de mudanças nas relações de trabalho, especialmente a discussão sobre o fim da escala 6×1, em análise na Câmara dos Deputados. Na avaliação dele, eventual aprovação da medida poderia aumentar a necessidade de mão de obra no setor de bares e restaurantes.
Segundo Rodrigues, esse aumento de custos trabalhistas poderia ser repassado ao consumidor. A observação insere o debate sobre o preço da alimentação fora do lar em uma discussão mais ampla sobre produtividade, legislação trabalhista, encargos empresariais e poder de compra da população.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




