Alemanha anuncia pacote de reformas com mudanças na previdência, redução de impostos e medidas para reativar a economia

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, anunciou na quinta-feira (02/07/2026) um amplo pacote de reformas econômicas voltado à previdência, tributação, mercado de trabalho, habitação e competitividade. As medidas foram definidas após meses de negociações entre os partidos que integram a coalizão governista formada pela CDU/CSU e pelo SPD.

O programa busca estimular o crescimento econômico, reduzir a carga tributária sobre trabalhadores e empresas, reformular o sistema previdenciário e ampliar a oferta de moradias populares. O anúncio ocorre em um cenário de baixo crescimento econômico, após dois anos consecutivos de recessão e expansão de 0,2% em 2025.

Durante a apresentação do pacote, Friedrich Merz afirmou que o governo pretende preservar o modelo de bem-estar social ao mesmo tempo em que promove mudanças estruturais para fortalecer a economia alemã. Segundo o chanceler, o objetivo é criar condições para aumentar a competitividade e estimular novos investimentos.

Reforma da previdência prevê mudanças na aposentadoria

Entre as principais propostas está a reforma da previdência, que ainda dependerá de discussão e aprovação pelo Parlamento alemão.

O projeto prevê o aumento gradual da idade legal de aposentadoria para além dos 67 anos, a ampliação da base de contribuintes e a criação de um mecanismo de capitalização, no qual parte dos recursos arrecadados será destinada a investimentos para complementar o financiamento das futuras aposentadorias.

Segundo o governo, a proposta pretende adaptar o sistema previdenciário às mudanças demográficas e ampliar sua sustentabilidade financeira nas próximas décadas.

Pacote tributário reduz impostos e amplia contribuição sobre altas rendas

Na área tributária, o governo anunciou um alívio de € 10 bilhões no imposto de renda para trabalhadores de baixa e média renda, com previsão de entrada em vigor a partir de 2027.

Para compensar a redução da arrecadação, o Executivo pretende reduzir subsídios fiscais e elevar a tributação sobre contribuintes com rendimentos superiores a € 250 mil por ano.

O ministro das Finanças, Lars Klingbeil (SPD), afirmou que o aumento da contribuição sobre as maiores rendas busca equilibrar as contas públicas e financiar as medidas previstas no pacote.

Mercado de trabalho terá novas regras para contratos e afastamentos

O plano também inclui alterações nas normas trabalhistas. Entre elas está a ampliação para quatro anos da duração dos contratos temporários sem necessidade de justificativa específica.

Outra medida prevê o fim dos atestados médicos emitidos por telefone, passando a exigir comprovação médica desde o primeiro dia de afastamento por motivo de saúde.

As propostas receberam apoio de entidades empresariais, enquanto o sindicato IG Metall criticou as mudanças, afirmando que elas podem reduzir direitos dos trabalhadores.

Habitação e infraestrutura também integram o pacote

O governo anunciou ainda a criação de uma empresa pública destinada à construção de moradias populares, com o objetivo de ampliar a oferta habitacional nas áreas urbanas onde os preços permanecem elevados.

A iniciativa faz parte da estratégia de estimular investimentos públicos e privados em infraestrutura, reduzir o déficit habitacional e ampliar o acesso à moradia.

Segundo o governo, a política habitacional integra um conjunto de ações destinadas a fortalecer a atividade econômica e ampliar o nível de investimentos.

Cenário econômico e eleições pressionam governo alemão

O anúncio das reformas ocorre pouco mais de um ano após Friedrich Merz assumir o governo, em um contexto de desafios econômicos e políticos.

A economia alemã acumulou dois anos de recessão, em 2023 e 2024, e registrou crescimento de apenas 0,2% em 2025, mantendo o debate sobre produtividade, competitividade e retomada da atividade econômica.

Além do cenário econômico, a coalizão CDU/CSU-SPD enfrenta o desafio de demonstrar capacidade de governar antes das eleições regionais previstas para setembro, em dois estados do leste da Alemanha, onde o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) busca ampliar sua representação política.

Economistas apresentaram avaliações distintas sobre o pacote. Holger Schmieding afirmou que o conjunto das reformas pode produzir efeitos relevantes quando analisado em conjunto com mudanças recentes aprovadas pelo governo. Já Marcel Fratzscher, presidente do instituto econômico DIW, avaliou que as medidas têm caráter mais simbólico do que transformador.

Ao encerrar a apresentação, Friedrich Merz afirmou que o governo pretende acelerar a implementação das reformas e pediu apoio da população para a agenda econômica proposta.

*Com informações da RFI.

Redação do Jornal Grande Bahia

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