Cacau recua ao menor nível em quase dois anos; café arábica sobe e açúcar registra leve alta nas bolsas internacionais

Os contratos futuros do cacau recuaram novamente nesta sexta-feira (28/11/2025) nas bolsas internacionais e atingiram um dos níveis mais baixos em quase dois anos, pressionados pela melhora na oferta da Costa do Marfim, pela redução do apetite especulativo e pela reorganização global das tarifas agrícolas. O café arábica registrou recuperação após forte queda anterior, enquanto o açúcar bruto e o açúcar branco encerraram o pregão em leve alta.

Na Bolsa de Londres, o cacau fechou o dia cotado a ≈ £ 3.781 por tonelada, valor que corresponde a aproximadamente US$ 5.173 por tonelada. Convertido para moeda brasileira considerando o câmbio de US$ 1 = R$ 5,3458, o preço equivale a cerca de R$ 27.650 por tonelada.

Em Nova York, o cacau foi negociado a US$ 5.190 por tonelada, equivalente a aproximadamente R$ 27.770 por tonelada. Apesar da leve alta em relação à sessão anterior, o valor permanece entre os mais baixos desde o início de 2024.

Operadores destacam que a retirada de tarifas sobre produtos agrícolas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início do mês, contribuiu para pressionar os preços do cacau. A possível prorrogação da entrada em vigor da legislação da União Europeia contra o desmatamento — agora estimada para dezembro de 2026 — também reduziu temores imediatos de restrições comerciais.

Nos portos da Costa do Marfim, maior produtora mundial da commodity, as chegadas de grãos verificaram melhora após um início lento da temporada, tendência reforçada pelo regime de chuvas acima da média, que favorece a safra principal entre outubro e março.

Dados recentes mostram que especuladores aumentaram a posição líquida vendida em Londres para 22.748 lotes, ampliando a pressão sobre os contratos futuros.

O preço da arroba de cacau na Bahia atingiu, na sexta-feira (29/11/2025), R$ 320,00, segundo as últimas cotações. A referência utilizada no estado é a arroba de 15 quilos de cacau seco, padrão consolidado no mercado regional e fundamental para a formação de preços no setor agrícola baiano.

Café arábica avança com estoques reduzidos e resistência dos produtores brasileiros

O café arábica encerrou o dia em alta, negociado a US$ 3,7655 por libra-peso, avanço de 1,9%. A recuperação ocorre após a forte queda da sexta-feira anterior, quando o mercado reagiu à remoção das tarifas de 40% pelo governo Trump sobre a importação de produtos agrícolas brasileiros, incluindo o café verde.

Apesar do alívio tarifário, comerciantes informaram que produtores brasileiros seguem reticentes em vender, aguardando preços mais competitivos em um cenário de estoques historicamente baixos nos países consumidores. A oferta restrita mantém sustentação nos preços.

Já o café robusta caiu 1,2%, negociado a US$ 4.453 por tonelada. No Vietnã, maior produtor global dessa variedade, as chuvas iniciaram processo de redução, mas os agricultores ainda enfrentam dificuldades na secagem e no transporte dos grãos recém-colhidos. Há preocupação crescente com a qualidade da safra.

Açúcar sobe com safra brasileira encerrando antes do previsto e estoques menores de etanol

O açúcar bruto registrou alta discreta de 0,3%, cotado a 14,82 centavos de dólar por libra-peso. Em valor aproximado por quilograma, isso equivale a cerca de R$ 1,74/kg, refletindo uma oferta mais apertada e estoques de etanol 20% menores do que no mesmo período do ano anterior.

Analistas da Green Pool afirmam que as usinas brasileiras — maior polo produtor mundial — estão encerrando a safra mais cedo que o habitual, o que gera expectativa de menor oferta futura e sustenta os preços.

O açúcar branco também avançou, sendo negociado a US$ 424,90 por tonelada, valor equivalente a cerca de R$ 2.270 por tonelada.

Volatilidade reforça fragilidades da cadeia global de suprimentos

A forte oscilação nos mercados agrícolas evidencia a sensibilidade das commodities a fatores externos como clima, decisões políticas e fluxos especulativos. No caso do cacau, a conjunção de uma oferta mais robusta na África Ocidental, o avanço da estação chuvosa e o reposicionamento de agentes financeiros aumentou a pressão sobre os preços.

O café arábica, por sua vez, mostra como fatores internos — como a estratégia comercial dos produtores brasileiros — e externos — como estoques baixos e clima no Vietnã — interagem no equilíbrio global. O açúcar, sensível ao ciclo da cana e ao mercado de etanol, responde rapidamente a mudanças na safra brasileira.

As três commodities revelam uma tendência maior: um mercado internacional dependente de poucos países produtores, vulnerável a choques climáticos, tarifários e cambiais. A instabilidade estrutural deve permanecer no radar, sobretudo em um contexto de transição regulatória na União Europeia, revisão de tarifas pelo governo Trump e incertezas meteorológicas nos principais polos agrícolas.

*Com informações da Reuters.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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