CONMEBOL Sul-Americana 2026: confrontos inéditos marcam estreia da fase de grupos com histórico desigual entre clubes sul-americanos
Na segunda-feira (06/04/2026), a CONMEBOL inicia a fase de grupos da Sul-Americana 2026 com uma rodada marcada por confrontos inéditos, históricos desequilibrados e diferentes níveis de experiência internacional entre os clubes. Destaque para o duelo entre Santos e Deportivo Cuenca, no Grupo D, além dos jogos entre Audax Italiano e Olimpia (Grupo G) e Blooming e River Plate (Grupo H), que apresentam contextos distintos em termos de tradição, desempenho recente e histórico contra adversários de determinados países.
Grupo D: Santos enfrenta Deportivo Cuenca em duelo inédito
O confronto entre Deportivo Cuenca (Equador) e Santos (Brasil) será realizado sem qualquer precedente em competições da CONMEBOL. O clube brasileiro chega com maior experiência, acumulando 10 participações no torneio e campanhas de destaque, como as quartas de final em 2003, 2004 e 2021.
O Deportivo Cuenca garantiu vaga na fase de grupos após vencer o Libertad FC por 3 a 0 na fase preliminar, com gols de Ignacio Mosquera, Melvin Díaz e Nicolás Leguizamón. A equipe equatoriana disputa sua quinta participação nas últimas dez edições, tendo como melhor desempenho as oitavas de final em 2018.
O retrospecto do clube equatoriano contra equipes brasileiras é amplamente desfavorável. São três derrotas consecutivas sem marcar gols e uma sequência de seis jogos sem vitória diante de clubes do Brasil. A única vitória ocorreu em 1977, contra o Corinthians, pela Libertadores. Na Sul-Americana, perdeu os dois confrontos disputados contra o Fluminense em 2018.
Grupo G: Audax Italiano e Olimpia protagonizam confronto inédito
No Grupo G, Audax Italiano (Chile) e Olimpia (Paraguai) também se enfrentam pela primeira vez em torneios continentais. O clube chileno chega após eliminar o Cobresal nos pênaltis (3 a 2), após empate por 1 a 1, com destaque para Esteban Matus, autor do gol e líder em finalizações na partida.
O Audax registra participações anteriores na competição e alcançou sua melhor campanha em 2023, com chegada às oitavas de final. No entanto, possui histórico negativo contra clubes paraguaios, com duas derrotas em dois jogos, ambos contra o Sportivo Luqueño em 2008.
Já o Olimpia avançou à fase de grupos ao vencer o Sportivo Trinidense por 1 a 0, com gol de Rubén Lezcano. O clube paraguaio soma nove participações e tem como melhores campanhas as oitavas de final em 2011, 2015 e 2022. O desempenho recente contra equipes chilenas é positivo, com duas vitórias consecutivas, ambas sobre o Huachipato em 2015.
Grupo H: River Plate estreia contra Blooming em cenário de favoritismo
O duelo entre Blooming (Bolívia) e River Plate (Argentina) também será inédito em competições da CONMEBOL. O clube boliviano chega após vitória expressiva por 3 a 0 sobre o San Antonio, com destaque para Bayron Garcés, autor de gol e líder em finalizações.
Apesar da classificação, o Blooming apresenta histórico frágil contra equipes argentinas, com apenas uma vitória em dez jogos e uma sequência atual de cinco derrotas consecutivas contra adversários do país.
O River Plate, campeão da Sul-Americana em 2014, soma 12 participações e retorna ao torneio após terminar em quarto lugar na classificação anual argentina. O clube contabiliza 50 partidas na competição (19 vitórias, 16 empates e 15 derrotas).
Contra equipes bolivianas, o desempenho geral é positivo, com 22 vitórias em 33 jogos, embora apresente equilíbrio como visitante (6 vitórias, 4 empates e 6 derrotas). No entanto, o River chega com uma sequência recente instável fora de casa, sem vitórias como visitante nos últimos jogos do torneio e com gols sofridos nas quatro partidas mais recentes nessa condição.
Experiência e tradição podem ser determinantes na largada
A abertura da fase de grupos da Sul-Americana 2026 evidencia uma assimetria estrutural entre os clubes, especialmente no que diz respeito à experiência internacional e ao histórico competitivo. Equipes como Santos e River Plate carregam tradição consolidada, enquanto adversários como Deportivo Cuenca e Blooming apresentam retrospectos mais limitados em confrontos de alto nível.
Outro ponto relevante é o peso do histórico recente contra determinados países, que tende a influenciar não apenas o desempenho em campo, mas também o aspecto psicológico das equipes. Sequências negativas, como as do Deportivo Cuenca contra brasileiros e do Blooming contra argentinos, reforçam a expectativa de favoritismo dos clubes mais tradicionais.
Por fim, a rodada inicial deve funcionar como termômetro competitivo da fase de grupos, indicando possíveis padrões de desempenho e consolidando tendências que historicamente se repetem nas competições sul-americanas: domínio de equipes com maior investimento, tradição e regularidade internacional.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




