Corrida pela Secretaria-Geral da ONU em 2027 reúne cinco candidatos e três mulheres entre os favoritos

A disputa pela liderança das Nações Unidas a partir de 1º de janeiro de 2027 começa a ganhar forma com a formalização de cinco candidaturas apresentadas por Estados-membros da organização. A corrida para suceder o atual secretário-geral, António Guterres, reúne três mulheres e dois homens indicados por sete países. A lista inclui nomes da América Latina, África e Europa diplomática internacional, e o processo de escolha será conduzido pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral da ONU, com debates públicos previstos para iniciar na semana de 20 de abril de 2026, em Nova Iorque.

Processo sucessório marca nova etapa para a ONU

O mandato de António Guterres, diplomata português que lidera a organização desde 2017, termina em 31 de dezembro de 2026, após dois mandatos consecutivos. A substituição abre uma nova etapa institucional para a ONU em um momento de reformas internas, tensões geopolíticas e desafios multilaterais crescentes, que incluem conflitos armados, mudanças climáticas e disputas comerciais globais.

Historicamente, a escolha do secretário-geral segue um equilíbrio político entre as grandes potências do Conselho de Segurança e os demais Estados-membros, além de uma prática informal de rotatividade geográfica entre regiões do mundo.

De acordo com esse entendimento, a região da América Latina e do Caribe é considerada favorita para assumir o posto, uma vez que a última liderança originária da região foi a do peruano Javier Pérez de Cuéllar, que ocupou o cargo entre 1982 e 1991.

Cinco candidaturas confirmadas

Até 13 de março de 2026, cinco nomes haviam sido oficialmente apresentados pelos países-membros.

Rafael Mariano Grossi

O diplomata argentino Rafael Mariano Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi o primeiro a formalizar sua candidatura. Grossi é embaixador de carreira e anunciou sua intenção de disputar o cargo em novembro de 2025.

Seu perfil é associado à diplomacia multilateral e à gestão de crises nucleares internacionais, tema que ganhou relevância diante das tensões geopolíticas recentes.

Michelle Bachelet

A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet foi apresentada como candidata em fevereiro de 2026, com apoio conjunto de Chile, Brasil e México.

Bachelet acumula experiência em posições de alto nível dentro do sistema das Nações Unidas, incluindo os cargos de:

  • Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos
  • Primeira diretora executiva da ONU Mulheres

Caso seja escolhida, poderá tornar-se a primeira mulher a liderar a organização desde sua criação em 1945.

Rebeca Grynspan

A economista e diplomata costa-riquenha Rebeca Grynspan também integra a lista. Ela foi indicada pela Costa Rica e, para concorrer, afastou-se temporariamente da liderança da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Grynspan já atuou como:

  • Vice-presidente da Costa Rica
  • Vice-administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Sua candidatura enfatiza temas ligados a desenvolvimento sustentável, comércio internacional e redução das desigualdades globais.

Macky Sall

Outro nome na disputa é o do ex-presidente do Senegal Macky Sall, cuja candidatura foi apresentada pelo Burundi.

Sall governou o Senegal entre 2012 e 2024 e teve atuação relevante em fóruns multilaterais africanos, incluindo o G20 ampliado e a União Africana, defendendo maior participação dos países em desenvolvimento na governança global.

Virginia Gamba

A mais recente candidatura anunciada é a da diplomata argentina Virginia Gamba, indicada pelas Maldivas.

Gamba exerceu entre 2017 e 2025 o cargo de representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados, posição dedicada à proteção de menores em zonas de guerra.

Seu nome foi oficialmente comunicado à Assembleia Geral e ao Conselho de Segurança em 13 de março de 2026.

Como funciona a escolha do secretário-geral

A eleição do secretário-geral segue um processo institucional definido pela Carta das Nações Unidas, especialmente pelo Artigo 97.

O procedimento ocorre em duas etapas principais:

  • Recomendação do Conselho de Segurança, onde os cinco membros permanentes possuem poder de veto.
  • Aprovação final pela Assembleia Geral da ONU, composta pelos 193 Estados-membros.

Para ampliar a transparência do processo, a Assembleia Geral aprovou em setembro de 2025 a resolução 79/327, que reforça medidas de abertura e participação.

Entre as exigências estão:

  • apresentação de currículo e declaração de visão estratégica
  • divulgação de informações sobre financiamento de campanha
  • realização de debates públicos com os candidatos

Esses materiais são publicados na página oficial da ONU.

Debates públicos começam em abril

A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, anunciou que o primeiro debate entre os candidatos ocorrerá na semana de 20 de abril de 2026, na sede da organização em Nova Iorque.

As sessões serão transmitidas ao público por meio do sistema oficial de webcast das Nações Unidas, permitindo acompanhamento global das propostas apresentadas pelos concorrentes.

O processo formal de seleção foi iniciado em 25 de novembro de 2025, quando os presidentes da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança enviaram uma carta conjunta aos Estados-membros convidando à apresentação de candidaturas.

À medida que novas indicações são recebidas, a lista é atualizada e divulgada publicamente pela organização.

Histórico da liderança da ONU

Desde sua fundação em 1945, a ONU teve nove secretários-gerais, todos homens.

A distribuição regional das lideranças foi a seguinte:

  • Europa: 4 secretários-gerais
  • Ásia: 2
  • África: 2
  • América Latina e Caribe: 1

Essa realidade alimenta discussões recorrentes dentro da organização sobre equilíbrio geográfico e representatividade de gênero na escolha da próxima liderança.

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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