CPI das Bets prende depoente por falso testemunho durante depoimento

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets prendeu o empresário Daniel Pardim Tavares Lima, durante seu depoimento nesta terça-feira (29/04/2025), sob acusação de falso testemunho. A prisão foi determinada pela relatora da CPI, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), e confirmada pelo presidente do colegiado, senador Dr. Hiran (PP-RR). Segundo os senadores, Pardim negou informações consideradas verdadeiras pelos parlamentares, especialmente relacionadas à sua empresa Peach Blossom River Technology, que atua no setor de pagamentos digitais e presta serviços para empresas de apostas on-line.

A prisão de Pardim ocorreu após ele afirmar, durante o depoimento, que não conhecia a sócia de sua empresa, Adélia de Jesus Soares. Soraya Thronicke destacou que o depoente mentiu ao negar o vínculo com a sócia, alegando que ele começou a mentir desde o início da sessão.

“Ninguém constitui uma sociedade com quem não conhece”, afirmou a relatora.

Ela também criticou o comportamento de Pardim em omitir questões conhecidas, salientando que ele havia prestado compromisso de dizer a verdade, exceto no que o incriminasse.

Adélia Soares, também envolvida na investigação, foi convocada para o depoimento, mas não compareceu, o que levou o senador Dr. Hiran a afirmar que ela será conduzida à CPI forçadamente. Adélia é advogada da influencer Deolane Bezerra, que também não atendeu à convocação da CPI em 10 de abril.

Durante a sessão, advogados de Pardim acusaram a relatora de abuso de autoridade, mas ela reafirmou a legalidade da prisão e afirmou que responderia a qualquer processo com a “maior tranquilidade do mundo”. Marcos Rogério (PL-RO), também presente na CPI, criticou a atuação da defesa de Pardim, afirmando que os advogados se manifestaram de forma indevida durante o depoimento.

Além disso, Soraya Thronicke levantou a suspeita de que Pardim poderia ser um “laranja”, termo usado para designar alguém que empresta o nome para a abertura de uma empresa sem realmente administrá-la. Os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF) também levantaram essa possibilidade, afirmando que o depoente estaria envolvido em empresas de apostas e poderia ter aberto empresas apenas para movimentar recursos ilícitos.

A CPI das Bets, iniciada em novembro de 2024, investiga possíveis conexões entre o setor de apostas e organizações criminosas, além de práticas ilegais associadas à falta de regulamentação do setor até a implementação de novas normas em janeiro de 2025. A comissão visa não apenas investigar as atividades ilegais, mas também apresentar propostas legislativas para regular o setor e proteger a população dos malefícios das apostas on-line.


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Redação do Jornal Grande Bahia

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