Dia Internacional da Camada de Ozônio: ONU defende mais ações para ampliar a refrigeração sustentável
A Organização das Nações Unidas (ONU) celebra nesta quarta-feira (16/09/2026) o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. A data deste ano tem como tema “Ação global para um planeta mais fresco” e destaca os resultados do Protocolo de Montreal, assinado em 1987, além dos dez anos da adoção da Emenda de Kigali, voltada à redução dos hidrofluorcarbonos (HFCs) utilizados em sistemas de refrigeração e climatização.
Em mensagem alusiva à data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o mundo enfrenta um período de aumento das temperaturas e de ocorrência mais frequente de ondas de calor extremo. Nesse contexto, ele relacionou o acesso a sistemas de refrigeração eficientes à proteção da saúde, da segurança alimentar, dos meios de subsistência e da capacidade de adaptação às mudanças climáticas.
Segundo Guterres, a aplicação da Emenda de Kigali, combinada à utilização de tecnologias de refrigeração com maior eficiência energética, pode evitar até 1°C de aquecimento global até o final do século. A avaliação coloca a modernização dos sistemas de refrigeração entre as medidas relacionadas simultaneamente à proteção ambiental e às necessidades de adaptação ao aumento das temperaturas.
Protocolo de Montreal completa quase quatro décadas
O Protocolo de Montreal foi assinado em 16 de setembro de 1987 e estabeleceu medidas internacionais para controlar substâncias responsáveis pela destruição da camada de ozônio. O acordo passou a orientar a redução progressiva da produção e do consumo dessas substâncias, com participação de países e setores industriais.
Ao longo das décadas, o tratado possibilitou a substituição de substâncias utilizadas em diferentes processos industriais por alternativas com menor impacto sobre a camada de ozônio. A ONU destaca que o modelo combinou políticas baseadas em evidências científicas, participação internacional, mecanismos de financiamento, cumprimento de compromissos e cooperação.
O acordo também permitiu a adaptação de setores industriais às mudanças tecnológicas necessárias para a substituição das substâncias controladas. A transição envolveu áreas relacionadas à refrigeração, climatização e outros segmentos que utilizavam compostos capazes de afetar a camada de ozônio.
Emenda de Kigali completa dez anos
A Emenda de Kigali foi adotada em 15 de outubro de 2016, durante reunião das partes do Protocolo de Montreal realizada em Kigali, Ruanda. O mecanismo estabeleceu a redução progressiva dos hidrofluorcarbonos (HFCs), gases utilizados principalmente em equipamentos de refrigeração e ar-condicionado e que contribuem para o aquecimento global.
A emenda entrou em vigor em 1º de janeiro de 2019 e ampliou a atuação do regime internacional associado ao Protocolo de Montreal. Além da redução dos HFCs, sua implementação está relacionada à adoção de equipamentos com maior eficiência energética e ao desenvolvimento de tecnologias de refrigeração com menor impacto climático.
A ONU destaca que a experiência da Emenda de Kigali demonstra a possibilidade de associar prioridades de desenvolvimento, inovação tecnológica, eficiência energética e redução de emissões. O processo também envolve o fortalecimento da capacidade industrial dos países para a adoção de novas soluções de refrigeração.
Refrigeração ganha importância diante do calor extremo
O aumento das temperaturas globais amplia a necessidade de sistemas de refrigeração em diferentes áreas. Equipamentos de resfriamento são utilizados em hospitais, armazenamento de alimentos, atividades econômicas e ambientes residenciais e comerciais, tornando sua eficiência um componente relacionado à adaptação climática.
Na mensagem para o Dia Internacional, Guterres destacou que o acesso à refrigeração eficiente pode contribuir para preservar vidas, alimentos e meios de subsistência, especialmente em locais expostos a temperaturas elevadas.
A combinação entre a redução dos HFCs e a melhoria da eficiência energética dos equipamentos é apresentada pela ONU como uma estratégia para enfrentar simultaneamente a necessidade crescente de refrigeração e os impactos ambientais associados aos gases utilizados nesses sistemas.
ONU pede continuidade dos compromissos internacionais
Guterres pediu aos países que ratifiquem e implementem a Emenda de Kigali, além de acelerarem a transição para sistemas de refrigeração sustentáveis. O secretário-geral também defendeu a continuidade das medidas destinadas à proteção da camada de ozônio.
O objetivo é manter os compromissos estabelecidos pelo regime internacional de proteção da camada de ozônio e, paralelamente, reduzir os impactos climáticos associados aos gases utilizados na refrigeração.
O Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio reúne, assim, dois eixos da agenda ambiental internacional: a continuidade da proteção da camada de ozônio, estabelecida pelo Protocolo de Montreal, e a redução do impacto climático dos HFCs por meio da Emenda de Kigali e de tecnologias energeticamente eficientes.
A mensagem da ONU em 2026 reforça que a transição tecnológica no setor de refrigeração depende da implementação dos compromissos internacionais, do desenvolvimento industrial e da ampliação de soluções capazes de atender à demanda por resfriamento sem aumentar proporcionalmente os impactos climáticos.
*Com informações da ONU News.
Redação do Jornal Grande Bahia




