Dívida pública brasileira chega a R$ 9,4 trilhões, enquanto endividamento bruto atinge 82,9% do PIB e déficit soma R$ 5,5 bilhões

A Dívida Pública Federal (DPF) alcançou R$ 9,383 trilhões em setembro de 2026, após registrar crescimento de 0,97% em relação ao mês anterior. No mesmo período, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) permaneceu em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 11,1 trilhões, enquanto o setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ 5,5 bilhões. Os dados foram divulgados na quinta-feira (29/10/2026) pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central.

Os indicadores mostram a dimensão do endividamento público e a influência dos juros sobre as contas governamentais. Embora a dívida bruta tenha permanecido estável em relação a agosto, o percentual em relação ao PIB acumulou aumento de 4,3 pontos percentuais em 2026. Já a dívida federal avançou em setembro, principalmente em razão da incorporação de juros ao estoque.

É importante distinguir os indicadores: a Dívida Pública Federal considera os compromissos financeiros do governo federal; a Dívida Bruta do Governo Geral abrange o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estados e municípios; e a Dívida Líquida do Setor Público desconta os ativos financeiros das obrigações do setor público. Por isso, os valores não representam medidas idênticas do endividamento.

Dívida Pública Federal sobe e se aproxima de R$ 9,4 trilhões

Segundo o Tesouro Nacional, a Dívida Pública Federal passou de R$ 9,293 trilhões em agosto para R$ 9,383 trilhões em setembro, uma elevação de 0,97%. O estoque havia ultrapassado R$ 9 trilhões em maio de 2026.

Apesar do aumento, o montante permaneceu abaixo da projeção do Plano Anual de Financiamento (PAF), revisado em agosto. O documento prevê que a dívida federal encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

A principal pressão sobre o estoque em setembro veio da apropriação de juros, que acrescentou R$ 89,29 bilhões à dívida. As emissões líquidas de títulos, por sua vez, somaram R$ 3,78 bilhões, resultado da diferença entre os R$ 189,44 bilhões emitidos e os R$ 185,66 bilhões resgatados no período.

Juros pressionam endividamento e alteram composição dos títulos

A dívida mobiliária interna, formada por títulos públicos emitidos no mercado doméstico, cresceu 1,04%, passando de R$ 8,944 trilhões em agosto para R$ 9,037 trilhões em setembro. O movimento ocorreu em um contexto de juros básicos elevados, com a taxa Selic em 13,75% ao ano, conforme os dados apresentados pelo Tesouro.

A apropriação de juros corresponde ao reconhecimento periódico dos encargos que incidem sobre os títulos públicos, incorporados ao estoque da dívida. Esse mecanismo aumenta o saldo devedor mesmo quando o governo realiza resgates de papéis em volume superior às novas emissões.

A dívida externa federal apresentou movimento contrário: recuou 0,82%, de R$ 348,26 bilhões para R$ 345,41 bilhões. O Tesouro atribuiu a redução à estabilidade do dólar em setembro e ao pagamento de aproximadamente R$ 3 bilhões.

Reserva financeira cobre 7,71 meses de vencimentos

O chamado colchão da dívida, reserva financeira utilizada para enfrentar períodos de instabilidade ou concentração de vencimentos, aumentou de R$ 1,208 trilhão em agosto para R$ 1,273 trilhão em setembro.

De acordo com o Tesouro Nacional, o volume disponível é suficiente para cobrir 7,71 meses de vencimentos. Nos 12 meses seguintes, estavam previstos vencimentos de R$ 1,87 trilhão em títulos federais.

A composição da dívida também apresentou alterações. Os papéis vinculados à Selic passaram de 52,74% para 51,6% do estoque, enquanto os títulos corrigidos pela inflação avançaram de 23,22% para 23,59%. Os prefixados aumentaram de 20,31% para 21,14%, e os vinculados ao câmbio recuaram de 3,74% para 3,67%.

Dívida bruta permanece em 82,9% do PIB

O Banco Central informou que a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 11,1 trilhões em setembro, mantendo-se em 82,9% do PIB, mesmo percentual observado em agosto. Apesar da estabilidade mensal, o indicador acumulou alta de 4,3 pontos percentuais em 2026.

A dívida bruta considera as obrigações do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais. Em dezembro de 2022, correspondia a 71,7% do PIB. Desde então, avançou mais de 11 pontos percentuais, aproximando-se dos níveis observados durante a pandemia de Covid-19.

Segundo o Banco Central, os juros nominais contribuíram para elevar a relação entre dívida e PIB em 0,8 ponto percentual em setembro. Em sentido contrário, os resgates líquidos de dívida reduziram o indicador em 0,4 ponto percentual, enquanto a variação do PIB nominal teve impacto negativo de 0,4 ponto percentual sobre a relação.

Setor público registra déficit primário de R$ 5,5 bilhões

O setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 5,497 bilhões em setembro. O resultado foi inferior ao déficit de R$ 10 bilhões contabilizado em agosto e ao saldo negativo de R$ 17,5 bilhões registrado em setembro de 2025.

O desempenho variou entre as esferas de governo. O Governo Central apresentou superávit primário de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios registraram déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões. As empresas estatais tiveram resultado negativo de R$ 3,4 bilhões.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, entretanto, o déficit primário chegou a R$ 94,3 bilhões, equivalente a 0,93% do PIB. No mesmo intervalo de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 79,2 bilhões, ou 0,84% do PIB.

Diferença entre os cálculos do Tesouro e do Banco Central

Os números divulgados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central para o resultado primário do Governo Central apresentaram diferença. O Tesouro informou superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, enquanto o Banco Central registrou R$ 3,5 bilhões.

A divergência decorre das metodologias utilizadas pelas instituições. O Tesouro considera os valores executados no Orçamento, enquanto o Banco Central calcula o resultado a partir da variação do endividamento de cada ente público, incluindo União, estados, municípios e empresas estatais.

O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do setor público, sem incluir os juros da dívida. Quando essas despesas são incorporadas, o indicador passa a ser o resultado nominal, que expressa o impacto total das contas públicas, incluindo os encargos financeiros.

Despesas com juros superam R$ 107 bilhões em setembro

As despesas com juros nominais do setor público consolidado alcançaram R$ 107,5 bilhões em setembro de 2026, ante R$ 84,7 bilhões no mesmo mês de 2025. O aumento anual foi de R$ 22,8 bilhões.

O Banco Central atribuiu a elevação, entre outros fatores, ao resultado das operações de swap cambial, ao crescimento do estoque da dívida e à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No acumulado de 12 meses até setembro, os gastos com juros chegaram a R$ 1,205 trilhão, equivalente a 8,99% do PIB. No período de 12 meses encerrado em setembro de 2025, a despesa havia sido de R$ 984,8 bilhões, ou 7,86% do PIB.

Déficit nominal alcança R$ 113 bilhões no mês

Com a inclusão dos juros, o déficit nominal do setor público consolidado chegou a R$ 113 bilhões em setembro. No acumulado de 12 meses, o resultado negativo somou R$ 1,275 trilhão, equivalente a 9,51% do PIB.

O déficit primário acumulado em 12 meses, por sua vez, ficou em R$ 70,1 bilhões, ou 0,52% do PIB. Em agosto, esse indicador correspondia a 0,62% do PIB, demonstrando redução proporcional no período.

Na composição dos resultados acumulados em 12 meses, o Governo Central registrou déficit de R$ 52,7 bilhões, os estados tiveram resultado negativo de R$ 14,4 bilhões e os municípios apresentaram superávit de R$ 7 bilhões. As empresas estatais contabilizaram déficit de R$ 10 bilhões.

Dívida líquida chega a R$ 9,4 trilhões

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou R$ 9,4 trilhões em setembro, correspondente a 70% do PIB. O indicador considera as obrigações do setor público descontados seus ativos financeiros, o que o diferencia da dívida bruta.

Em relação a agosto, quando representava 69,3% do PIB, a dívida líquida aumentou 0,7 ponto percentual. No acumulado de 2026, a elevação chegou a 4,7 pontos percentuais.

Segundo o Banco Central, a incorporação dos juros da dívida foi o principal fator de pressão sobre o indicador no mês, acrescentando 0,8 ponto percentual à relação entre a dívida líquida e o PIB.

Endividamento e juros permanecem no centro do debate fiscal

Os dados de setembro mostram que o endividamento público brasileiro continua sob pressão dos encargos financeiros. A dívida federal avançou 0,97% no mês, a dívida bruta permaneceu em 82,9% do PIB e as despesas com juros superaram R$ 107 bilhões.

Embora o déficit primário mensal tenha diminuído em relação a agosto e a setembro de 2025, o resultado acumulado nos nove primeiros meses de 2026 foi maior que o observado no mesmo intervalo do ano anterior.

A evolução da dívida pública depende da relação entre receitas, despesas, crescimento econômico, juros e condições de financiamento. O acompanhamento desses indicadores permite avaliar a capacidade do setor público de honrar compromissos financeiros e administrar o endividamento ao longo do tempo.

*Com informações da Agência Brasil.

Redação do Jornal Grande Bahia

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