Eleições 2026: veja como o eleitor de Feira de Santana votou para presidente no segundo turno

Nesta segunda-feira (26/10/2026), a consolidação dos resultados do segundo turno das Eleições 2026 mostra que o eleitorado de Feira de Santana ampliou a maioria dada a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República. Com as 1.218 seções eleitorais do município totalizadas, Lula recebeu 234.188 votos, equivalentes a 64,15% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 130.891 votos, ou 35,85%. A diferença chegou a 103.297 votos. O município registrou ainda 379.156 comparecimentos, 56.496 abstenções, 4.126 votos brancos e 9.951 nulos.

O resultado local acompanhou a maioria registrada na Bahia, embora com participação proporcionalmente maior de Flávio Bolsonaro. No estado, Lula terminou com 71,31% dos votos válidos, contra 28,69% de Flávio. Nacionalmente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, ou 51,79%, diante de 59.826.041 votos, ou 48,21%, atribuídos ao candidato do PL.

A comparação entre os dois turnos em Feira de Santana revela uma segunda mudança de dimensão eleitoral: a participação aumentou de 360.647 para 379.156 eleitores, enquanto a taxa de abstenção caiu de 17,21% para 12,97%. Ao mesmo tempo, diminuíram os votos brancos e nulos e cresceram os votos válidos, ampliando o universo efetivamente distribuído entre os dois candidatos que chegaram à votação decisiva.

Lula amplia vantagem de 72,5 mil para 103,2 mil votos em Feira de Santana

No primeiro turno, realizado em 04/10/2026, Lula havia recebido 194.272 votos, ou 57,13% dos válidos, em Feira de Santana. Flávio Bolsonaro alcançara 121.727 votos, correspondentes a 35,80%. A diferença naquele momento era de 72.545 votos em favor do candidato do PT.

Três semanas depois, Lula acrescentou 39.916 votos ao resultado municipal e chegou a 234.188. O crescimento absoluto correspondeu a aproximadamente 20,5% sobre sua votação anterior. Sua participação entre os votos válidos subiu 7,02 pontos percentuais, de 57,13% para 64,15%.

Flávio Bolsonaro passou de 121.727 para 130.891 votos, acréscimo de 9.164 votos, equivalente a aproximadamente 7,5% sobre o resultado do primeiro turno. Em termos proporcionais, sua participação permaneceu praticamente estável: passou de 35,80% para 35,85%, variação de apenas 0,05 ponto percentual.

A consequência foi o aumento da diferença entre os finalistas. A vantagem municipal de Lula cresceu de 72.545 para 103.297 votos, expansão de 30.752 votos na margem entre as duas candidaturas.

Esse movimento não permite, isoladamente, identificar de quais eleitores vieram os votos adicionais de cada candidato. O voto é secreto, e os resultados agregados não possibilitam acompanhar transferências individuais entre candidaturas, abstenção, votos brancos ou nulos.

Comparecimento cresce em 18,5 mil eleitores e abstenção recua

A mudança mais expressiva fora da votação nominal ocorreu no comparecimento. No primeiro turno, 360.647 eleitores foram às urnas em Feira de Santana, equivalentes a 82,79% do eleitorado considerado naquele recorte da totalização. Outros 74.984 não compareceram, produzindo uma taxa de abstenção de 17,21%.

No segundo turno, compareceram 379.156 pessoas, ou 87,03% da base eleitoral apresentada para a votação. A abstenção caiu para 56.496 eleitores, ou 12,97%. Foram, portanto, 18.509 comparecimentos adicionais em relação ao primeiro turno e 18.488 ausências a menos.

Os dados consultados apresentam uma diferença de 21 eleitores entre as bases de aptos exibidas nos dois turnos: 435.631 no primeiro e 435.652 no segundo. Sem documentação específica que explique essa pequena variação entre os recortes, não é possível atribuir sua causa. A diferença, entretanto, não altera a tendência principal de aumento do comparecimento e redução da abstenção.

Em termos proporcionais, a abstenção caiu 4,24 pontos percentuais, de 17,21% para 12,97%. O número absoluto de ausentes recuou aproximadamente 24,7%.

Brancos e nulos também diminuem no segundo turno

A maior participação veio acompanhada de redução dos votos que não foram destinados a nenhum dos finalistas.

No primeiro turno presidencial, Feira de Santana registrou 7.027 votos em branco e 13.589 votos nulos, totalizando 20.616 votos sem atribuição a candidato. Os votos válidos somaram 340.031.

No segundo turno, os brancos caíram para 4.126, enquanto os nulos recuaram para 9.951. Somadas, as duas categorias chegaram a 14.077 votos, redução de 6.539 registros em relação a 4 de outubro.

Os votos brancos diminuíram em 2.901, ou aproximadamente 41,3%, enquanto os nulos recuaram 3.638, cerca de 26,8%.

A proporção de votos brancos sobre o comparecimento passou de 1,95% para 1,09%. A dos nulos caiu de 3,77% para 2,62%. Com isso, os votos válidos chegaram a 365.079, equivalentes a aproximadamente 96,29% dos votos depositados.

De onde vieram os 25 mil votos válidos adicionais

A comparação permite decompor matematicamente o crescimento dos votos válidos, sem atribuir comportamento individual ao eleitor.

Entre os dois turnos, Feira de Santana ganhou 25.048 votos válidos. Esse acréscimo corresponde exatamente à combinação de dois movimentos registrados na totalização:

  • 18.509 eleitores a mais compareceram às urnas;
  • houve 6.539 votos brancos e nulos a menos;
  • a soma desses dois movimentos corresponde aos 25.048 votos válidos adicionais.

Existe ainda um terceiro componente na distribuição entre Lula e Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, os outros dez candidatos à Presidência que permaneceram na disputa receberam conjuntamente 24.032 votos válidos em Feira de Santana. Como o segundo turno apresentou apenas dois candidatos, esse contingente deixou de existir como categoria eleitoral própria.

Os votos somados de Lula e Flávio cresceram 49.080 entre os turnos. Esse total corresponde aos 24.032 votos anteriormente destinados aos demais candidatos mais os 25.048 votos válidos adicionais surgidos entre as duas votações.

Os números descrevem a mudança agregada do eleitorado. Eles não permitem concluir, entretanto, quais candidatos receberam os votos de cada grupo específico.

Estratégias locais colocaram abstenção no centro da campanha

A redução das ausências ganha relevância adicional porque a abstenção havia se transformado explicitamente em um dos temas da campanha local entre os dois turnos.

Em 07/10/2026, o presidente do Diretório Municipal do PT, Adriano Costa, anunciou que a campanha de Lula procuraria dialogar com eleitores que não haviam votado no primeiro turno, além daqueles que registraram voto branco ou nulo. Naquele momento, a direção partidária mencionava um universo de aproximadamente 75 mil ausentes, próximo das 74.984 abstenções posteriormente consolidadas para a primeira votação.

O deputado federal Zé Neto (PT) também direcionou sua atuação política no período entre os turnos à campanha presidencial, participando de plenárias, caminhadas e mobilizações em Feira de Santana. O parlamentar havia obtido 59.127 votos para deputado federal no município e terminado a eleição proporcional como primeiro suplente de sua federação na Bahia.

No campo político adversário, o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), havia declarado ainda em 01/07/2026 apoio a Flávio Bolsonaro. Posteriormente, lideranças estaduais do União Brasil, entre elas ACM Neto, também aderiram à candidatura do PL no segundo turno.

A coincidência entre campanhas voltadas à mobilização do eleitorado e a queda efetivamente registrada na abstenção não constitui, por si só, comprovação de relação causal. Para medir o peso específico das ações de cada grupo seriam necessários dados adicionais, pesquisas pós-eleitorais ou estudos capazes de identificar as motivações dos eleitores que retornaram às urnas.

Feira mantém maioria para Lula, mas fica abaixo da média baiana

A comparação territorial acrescenta outra dimensão ao resultado. Enquanto Lula obteve 64,15% dos votos válidos em Feira de Santana, sua participação no conjunto da Bahia chegou a 71,31%. A diferença foi de 7,16 pontos percentuais.

Flávio Bolsonaro apresentou movimento inverso. Seus 35,85% em Feira ficaram 7,16 pontos percentuais acima dos 28,69% registrados no conjunto do eleitorado baiano.

Isso significa que Feira de Santana manteve maioria expressiva para Lula, mas continuou proporcionalmente mais favorável a Flávio Bolsonaro do que a média estadual.

Em relação ao Brasil, o comportamento foi diferente. Lula terminou nacionalmente com 51,79%, de modo que seu resultado em Feira ficou 12,36 pontos percentuais acima de sua participação nacional. Flávio Bolsonaro registrou 48,21% no país e ficou, portanto, 12,36 pontos abaixo desse percentual no município.

Primeiro turno já havia mostrado voto dividido entre cargos

O comportamento eleitoral de Feira de Santana não pode ser interpretado exclusivamente pela disputa presidencial.

No primeiro turno, enquanto Lula liderou a eleição para presidente no município com 57,13%, ACM Neto (União Brasil) venceu localmente para governador com 53,33%, diante dos 45,93% de Jerônimo Rodrigues (PT). Na disputa ao Senado, João Roma (PL) registrou a maior votação individual na cidade.

A distribuição mostra que uma parcela relevante do eleitorado adotou escolhas distintas conforme o cargo em disputa. O dado objetivo não permite estabelecer as motivações individuais, mas afasta uma leitura segundo a qual os resultados municipais possam ser automaticamente explicados por alinhamento uniforme a um único partido ou bloco político.

No conjunto da Bahia, o resultado para governador foi diferente do registrado em Feira: Jerônimo Rodrigues foi reeleito no primeiro turno, com 55,80% dos votos válidos no estado. Como a sucessão estadual já estava definida, a votação de 25 de outubro na Bahia concentrou-se na escolha para presidente.

Resultado de Feira acompanha vitória nacional de Lula

No plano nacional, o primeiro turno havia terminado com Flávio Bolsonaro na primeira posição, enquanto Lula ficou em segundo. A totalização definitiva posteriormente utilizada nas comparações registra 56.104.503 votos, ou 47,03%, para Flávio, e 53.879.538, ou 45,16%, para Lula.

No segundo turno, o resultado foi revertido. Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, e Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041, ou 48,21%. A diferença nacional foi de 4.430.191 votos.

O segundo turno também apresentou maior comparecimento no país. Segundo a consolidação dos resultados, 128.236.074 eleitores participaram da votação, contra 125.275.835 no primeiro turno. A abstenção nacional recuou de 21,08% para 19,22%.

A queda registrada em Feira de Santana foi proporcionalmente mais intensa: o município passou de 17,21% para 12,97% de abstenção, permanecendo abaixo da taxa nacional nos dois turnos.

TSE confirma reeleição e resultado passa às etapas posteriores do processo eleitoral

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, anunciou oficialmente a reeleição de Lula após a apuração do segundo turno e destacou o comparecimento de mais de 128 milhões de eleitores. A Justiça Eleitoral informou também que o pleito utilizou 499.248 urnas e registrou substituição de 1.551 equipamentos, ou 0,31% do total.

Após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro declarou que questionaria as circunstâncias da votação e anunciou intenção de buscar a anulação da eleição, especialmente em razão das controvérsias relacionadas à prorrogação do funcionamento de seções que ainda permaneciam abertas após as 17h. A manifestação constitui posição do candidato derrotado e não modifica, por si mesma, a totalização proclamada pela Justiça Eleitoral.

O calendário eleitoral prevê a diplomação dos eleitos até 18/12/2026. A posse do presidente e do vice-presidente está prevista para 05/01/2027.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 04/10/2026 — Primeiro turno: Lula recebe 194.272 votos (57,13%) em Feira de Santana e Flávio Bolsonaro obtém 121.727 (35,80%). O município registra 74.984 abstenções. Nacionalmente, Flávio termina em primeiro e Lula em segundo, levando a disputa presidencial ao segundo turno.
  • 07/10/2026 — Mobilização sobre abstenções: o Diretório Municipal do PT, presidido por Adriano Costa, anuncia estratégia para buscar eleitores ausentes e pessoas que haviam votado em branco ou nulo.
  • Entre os turnos — Mobilização política: Zé Neto e outras lideranças do campo governista participam de atividades em favor de Lula; no campo adversário, José Ronaldo mantém apoio declarado a Flávio Bolsonaro, posteriormente acompanhado por outras lideranças do União Brasil na Bahia.
  • 25/10/2026 — Segundo turno: as 1.218 seções de Feira de Santana são totalizadas. Lula recebe 234.188 votos (64,15%), Flávio alcança 130.891 (35,85%) e a abstenção cai para 56.496 eleitores, ou 12,97%.
  • 26/10/2026 — Resultado nacional consolidado: o TSE confirma Lula reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro.

O principal dado produzido pelo segundo turno em Feira de Santana não está apenas na diferença entre os candidatos, mas na alteração do próprio universo de participação. O município levou 18,5 mil eleitores adicionais às urnas, reduziu em 6,5 mil a soma de brancos e nulos e acrescentou 25 mil votos válidos à disputa. Esse movimento ampliou o contingente sobre o qual se decidiu a eleição e coincidiu com o crescimento da vantagem municipal de Lula.

A expansão de Lula foi substancialmente superior à de Flávio Bolsonaro: 39.916 votos adicionais contra 9.164. Ao mesmo tempo, os resultados não permitem afirmar de forma documental quais parcelas vieram dos antigos eleitores das candidaturas eliminadas, dos abstencionistas que compareceram no segundo turno ou das pessoas que anteriormente haviam votado em branco ou nulo. Qualquer atribuição desse tipo exigiria pesquisa específica de comportamento eleitoral.

O resultado também confirma a particularidade política de Feira de Santana dentro da Bahia. Lula obteve maioria de 64,15%, mas ficou abaixo dos 71,31% registrados no estado; Flávio, embora derrotado no município, teve participação proporcionalmente superior à média baiana. Somado ao voto dividido do primeiro turno — quando Feira colocou Lula à frente para presidente e ACM Neto para governador —, o quadro indica um eleitorado capaz de distribuir suas escolhas entre diferentes forças políticas conforme o cargo, sem que os dados agregados permitam reduzir esse comportamento a uma identificação partidária uniforme.

O núcleo factual é, portanto, definido por três movimentos: Lula ampliou a maioria em Feira de Santana, a abstenção caiu significativamente e os votos válidos cresceram. Esses dados integram um resultado nacional que reelegeu o presidente, mas permanecem relevantes para a política municipal porque oferecem às forças locais uma medida objetiva da capacidade de mobilização e da composição eleitoral de Feira. A Justiça Eleitoral continuará responsável pelas etapas formais do processo, enquanto partidos, lideranças e pesquisadores terão de avaliar, com documentação e dados adicionais, até que ponto a mudança de comparecimento registrada entre os turnos produzirá efeitos duradouros nas disputas políticas posteriores.

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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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