Eleições de meio de mandato nos EUA: guerra com Irã, tarifas e custo de vida pressionam Trump e colocam controle do Congresso em disputa
Neste sábado (24/10/2026), a dez dias das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 03/11/2026, a disputa pelo controle da Câmara dos Representantes e do Senado entrou na fase decisiva sob forte pressão econômica e política sobre o governo do presidente Donald Trump. Embora política externa costume ocupar posição secundária em eleições legislativas americanas, a guerra contra o Irã, a elevação dos preços dos combustíveis e a política de tarifas passaram a atingir diretamente o orçamento das famílias, transformando decisões internacionais da Casa Branca em tema doméstico de campanha. Ao mesmo tempo, disputas apertadas no Senado, ações judiciais envolvendo a eleição no Alasca, confrontos sobre imigração e ataques políticos no Michigan ampliaram a dimensão institucional do pleito.
Eleição definirá o controle do Congresso nos dois últimos anos do mandato de Trump
As eleições de meio de mandato — midterm elections — ocorrem na metade do mandato presidencial de quatro anos. Embora o presidente não esteja formalmente na cédula, o resultado costuma funcionar como uma avaliação política da administração em exercício e modifica a correlação de forças entre Casa Branca e Congresso.
Todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes são submetidos à votação a cada dois anos. No Senado, composto por 100 integrantes com mandatos de seis anos, aproximadamente um terço das cadeiras é renovado em cada ciclo eleitoral.
Na atual composição, os republicanos controlam a Câmara com 218 representantes, contra 214 democratas, além de um independente e duas cadeiras vagas. O Senado tem 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes, que se alinham aos democratas para fins de organização parlamentar. Na contabilidade política utilizada pela Reuters, portanto, a vantagem republicana no Senado é de 53 a 47.
Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um saldo líquido de quatro cadeiras tanto na Câmara quanto no Senado. O tamanho reduzido dessas margens faz com que um número relativamente pequeno de estados e distritos possa alterar o equilíbrio institucional em Washington.
Além do Congresso, haverá eleições para governador em 36 dos 50 estados e disputas por cargos legislativos estaduais em praticamente todo o país. A Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos — FEC — confirma terça-feira, 03/11/2026, como a data da eleição federal geral.
Política externa passa a atingir diretamente o orçamento das famílias
Uma análise publicada pela Reuters neste sábado identifica uma mudança incomum na dinâmica eleitoral americana: temas tradicionalmente classificados como política externa passaram a ser percebidos pelos eleitores através de seus efeitos econômicos cotidianos.
A combinação entre a guerra contra o Irã, iniciada após ataques dos Estados Unidos e de Israel em fevereiro, as turbulências no mercado de petróleo e a política tarifária do governo Trump contribuiu para inserir gasolina, diesel, alimentos e inflação no debate eleitoral. A Reuters registra que especialistas atribuem parcela relevante da alta recente da energia aos efeitos do conflito no Oriente Médio.
Em 20/10/2026, a Reuters informou que a gasolina custava, em média, US$ 4,28 por galão, aproximadamente US$ 1,20 acima do valor registrado um ano antes. O diesel alcançava US$ 6,32, alta anual de US$ 2,70. Os preços de alimentos haviam aumentado 1,8% em 12 meses e os preços residenciais, 2,1%.
A deterioração da percepção econômica também aparece no levantamento da Universidade de Michigan divulgado em 23/10/2026. O índice de confiança do consumidor caiu para 48 pontos em outubro, segundo pior resultado de toda a série histórica, superado apenas pelos 44,8 registrados em maio. As expectativas de inflação para um ano subiram de 4,6% para 4,7%.
Joanne Hsu, diretora do levantamento, afirmou que o poder de compra continua dominando a avaliação dos consumidores sobre a economia. Segundo a pesquisa, o sentimento econômico está 10% abaixo do nível de um ano atrás e 15% inferior ao observado em fevereiro, antes do início da guerra contra o Irã.
Reuters/Ipsos aponta insatisfação com preços e queda da aprovação presidencial
O impacto eleitoral dessa percepção aparece em diferentes pesquisas Reuters/Ipsos.
Um levantamento nacional concluído em 09/10/2026, com 4.506 adultos americanos, constatou que 78% dos entrevistados atribuíam alguma parcela de responsabilidade às políticas de Trump pelo aumento dos preços. Entre republicanos, o percentual era de 64%; entre independentes, 76%. A margem de erro geral era de dois pontos percentuais.
Na mesma sondagem, 57% dos republicanos disseram que o custo de vida estava aumentando mais rapidamente do que seus salários. Ao todo, dois terços dos americanos compartilhavam essa percepção. A pesquisa também apontou que tarifas de importação eram vistas por grande parte dos entrevistados como um dos fatores responsáveis pelos preços mais altos.
Outro levantamento Reuters/Ipsos, encerrado em 19/10/2026, registrou aprovação de 31% para Trump, o menor índice dos dois mandatos do presidente segundo a série da pesquisa. 68% desaprovavam sua condução da economia, incluindo 37% dos republicanos entrevistados.
Entre os eleitores registrados, 47% disseram que votariam em candidatos democratas ao Congresso, enquanto 35% escolheriam republicanos numa pergunta nacional sobre preferência partidária. A pesquisa ouviu 1.679 adultos, dos quais 1.279 eram eleitores registrados, com margem de erro de três pontos percentuais para esse grupo.
Esse tipo de levantamento, contudo, não deve ser interpretado como projeção direta do resultado. A própria Reuters ressalta que pesquisas nacionais de intenção partidária não reproduzem as particularidades das disputas estado por estado no Senado nem distrito por distrito na Câmara.
Guerra com o Irã aproxima política externa da campanha eleitoral
A guerra contra o Irã tornou-se uma das conexões mais visíveis entre política externa e economia doméstica.
Trump tem defendido que custos temporariamente mais elevados seriam parte do esforço para impedir que Teerã desenvolva armas nucleares. O Irã afirma que seu programa nuclear tem finalidade civil. A Reuters lembra que a Agência Internacional de Energia Atômica e serviços de inteligência americanos avaliaram que o país interrompeu um programa estruturado de desenvolvimento de armas nucleares em 2003.
Pesquisas citadas pela Reuters mostram oposição majoritária dos americanos ao conflito iniciado pelo governo Trump. O desgaste ocorre depois de o republicano ter feito campanha em 2024 apresentando-se como adversário de novas intervenções militares prolongadas.
Com os combustíveis em alta, a administração adotou medidas destinadas a ampliar a oferta e conter preços, entre elas o relaxamento de sanções sobre exportações russas de diesel. Trump também pressionou a Ucrânia para interromper ataques contra refinarias russas. A estratégia provocou críticas inclusive entre parlamentares republicanos preocupados com os benefícios econômicos que Moscou poderia obter.
A Casa Branca, por sua vez, sustenta que as perturbações provocadas pela guerra são temporárias e contrapõe sua política econômica às propostas democratas. A existência de consequências eleitorais é objeto de disputa política, embora os indicadores de opinião pública demonstrem insatisfação relevante com preços e combustíveis.
Tarifas também entram na reta final da campanha
Outro componente da política externa com impacto direto na campanha são as tarifas comerciais.
Em 23/10/2026, Trump assinou uma medida retirando tarifas de 50% sobre determinados produtos canadenses, entre eles chapas de compensado, alguns produtos de papel, equipamentos de refrigeração, máquinas, caixas e embalagens. As alterações entrarão em vigor em 30/10/2026, quatro dias antes da eleição.
A Casa Branca afirma oficialmente que a mudança busca ajustar o alcance das tarifas impostas com base na Seção 338 do Tariff Act de 1930 e atender ao interesse público, substituindo determinados produtos afetados por outros itens.
O contexto político, entretanto, é relevante. A senadora republicana Susan Collins, do Maine, havia pedido ao governo alívio tarifário para produtos que afetam empresas e produtores do estado, fronteiriço com o Canadá. Collins enfrenta o democrata Troy Jackson numa das disputas mais competitivas pelo Senado.
A coincidência temporal permite identificar uma consequência eleitoral potencial da mudança, mas não autoriza concluir, sem documentação adicional, que a finalidade exclusiva da decisão presidencial tenha sido beneficiar Collins. A motivação formal registrada pela Casa Branca é comercial e econômica.
Senado concentra disputas decisivas em vários estados
A matemática do Senado é especialmente complexa porque os democratas precisam conquistar quatro cadeiras líquidas.
No Maine, Collins busca novo mandato contra Troy Jackson. Dados reunidos pela Reuters mostram Collins com US$ 24 milhões arrecadados, ante US$ 20,4 milhões de Jackson. Grupos externos devem gastar aproximadamente US$ 199 milhões na disputa, segundo estimativa da AdImpact.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown tenta retornar ao Senado contra o republicano Jon Husted. A AdImpact estimava gastos de US$ 246 milhões por grupos republicanos e US$ 177 milhões por organizações democratas em publicidade eleitoral. Pesquisas recentes citadas pela Reuters colocavam Brown entre um e oito pontos percentuais à frente, fotografia que permanece sujeita às margens de erro e à mobilização final dos eleitores.
No Texas, o democrata James Talarico enfrenta o republicano Ken Paxton. Trump venceu o estado por quase 14 pontos em 2024, mas a Reuters registra pesquisas variando entre empate e vantagem de seis pontos para Talarico. Grupos republicanos haviam desembolsado cerca de US$ 240 milhões para preservar a cadeira.
Em Iowa, a aposentadoria da republicana Joni Ernst abriu uma disputa entre a deputada Ashley Hinson e o democrata Josh Turek. As pesquisas citadas pela Reuters indicavam equilíbrio, enquanto guerra, tarifas e preços agrícolas passaram a integrar a campanha.
Na Carolina do Norte, o ex-governador democrata Roy Cooper disputa uma cadeira aberta contra o republicano Michael Whatley. No Kansas, o senador republicano Roger Marshall enfrenta o democrata Adam Hamilton, numa corrida que ganhou competitividade apesar de Trump ter vencido o estado por 16 pontos em 2024.
Alasca leva disputa eleitoral aos tribunais antes da votação
No Alasca, a campanha assumiu uma dimensão jurídica incomum antes mesmo da abertura das urnas.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou na Justiça Federal em Anchorage para tentar impedir preventivamente a certificação do resultado da eleição para o Senado caso o republicano Dan S. Sullivan perca por pequena margem. A ação alega possível confusão entre o senador e outro candidato chamado Dan J. Sullivan Jr.
O governo sustenta que o segundo Sullivan estaria tentando induzir eleitores do senador ao erro e solicitou uma investigação para determinar se votos depositados no desafiante teriam sido destinados ao titular. Trump declarou publicamente que apoiou a iniciativa e afirmou ter determinado a ação.
O candidato Dan J. Sullivan Jr. nega intenção de confundir eleitores. A Suprema Corte do Alasca já havia autorizado, em junho, sua permanência na cédula. O desafiante aparecerá sem identificação partidária, enquanto Dan S. Sullivan será identificado como republicano e senador em exercício.
A senadora republicana Lisa Murkowski, também do Alasca, criticou a iniciativa e afirmou que o Departamento de Justiça não deveria ter apresentado a ação. Especialistas em direito eleitoral consultados pela Reuters contestaram a base jurídica do processo e argumentaram que a administração federal não possui autoridade para definir como o estado deve certificar seus resultados.
Sullivan enfrenta a democrata Mary Peltola, ex-integrante da Câmara dos Representantes. Pesquisas recentes citadas pela Reuters mostravam Peltola empatada ou à frente do republicano, mas não há resultado definido antes da apuração dos votos.
Michigan combina economia, religião, Israel e disputa partidária
Outra corrida sensível ocorre em Michigan, onde o democrata Abdul El-Sayed enfrenta o republicano Mike Rogers pela cadeira deixada pelo senador Gary Peters.
El-Sayed, filho de imigrantes egípcios, poderá se tornar o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos caso vença. Sua campanha enfatiza custo de vida, saúde e influência do dinheiro na política. Rogers, ex-deputado federal, ex-oficial do Exército e ex-agente do FBI, passou a concentrar ataques nas posições do democrata sobre Israel e em supostas relações familiares com a Irmandade Muçulmana.
Rogers cita antigas publicações feitas por uma meia-irmã de El-Sayed sobre eventual participação da mãe deles na organização na década de 1970. El-Sayed nega qualquer ligação pessoal com a Irmandade Muçulmana, afirma ter sido criado pelo pai e pela madrasta e rejeitou publicamente a organização.
Trump chamou El-Sayed de “jihadista”. A Reuters classificou essa caracterização como falsa. Em debate, Rogers questionou se o adversário estaria ao lado dos Estados Unidos ou de organizações estrangeiras. El-Sayed respondeu reafirmando seu patriotismo e o direito constitucional à liberdade religiosa.
Analistas e estrategistas ouvidos pela agência interpretam a estratégia republicana como tentativa de explorar divisões entre segmentos do eleitorado democrata, especialmente comunidades judaica, árabe-americana e negra na região de Detroit. Essa interpretação deve ser compreendida como análise política atribuída aos entrevistados, e não como fato demonstrado sobre a intenção individual de todos os eleitores envolvidos.
Em setembro, pesquisa da Emerson College registrou apoio de 81% dos eleitores negros a El-Sayed. Levantamentos compilados pela Reuters mostravam vantagem entre um e sete pontos para o democrata, enquanto outra média de pesquisas mencionada pela agência situava sua liderança em aproximadamente 2,6 pontos.
Câmara dos Representantes será decidida em poucos distritos competitivos
Na Câmara, os democratas necessitam igualmente de apenas quatro cadeiras líquidas.
Entre as disputas acompanhadas pela Reuters está a reeleição do republicano Mike Lawler, em Nova York, contra a democrata Cait Conley. Lawler representa um distrito vencido por Kamala Harris na eleição presidencial de 2024. Pesquisas realizadas no fim de setembro mostravam uma disputa equilibrada.
No Texas, uma estratégia republicana de redesenho de distritos pretendia criar vantagem adicional de cinco cadeiras, mas três desses distritos do sul do estado continuavam competitivos na reta final. Na Carolina do Norte, o democrata Don Davis tenta preservar seu mandato em um distrito redesenhado para favorecer os republicanos.
Iowa apresenta outra corrida marcada pela economia: a republicana Mariannette Miller-Meeks volta a enfrentar Christina Bohannan. A Reuters relaciona o aumento da competitividade local à insatisfação com tarifas, preços do diesel, fertilizantes e consequências econômicas da guerra contra o Irã.
Campanha já movimentou bilhões de dólares
O volume de recursos aplicado nas eleições revela a importância atribuída ao controle do Congresso.
Até 12/10/2026, haviam sido gastos US$ 3,8 bilhões em anúncios políticos já veiculados, segundo a AdImpact. Texas, Ohio e Michigan estavam entre os estados com maior concentração de despesas nas campanhas para o Senado.
Registros de financiamento eleitoral mencionados pela Reuters indicavam que Elon Musk havia destinado cerca de US$ 366 milhões ao apoio a candidatos e organizações republicanas.
A dimensão financeira da campanha se combina a uma expectativa de participação elevada. Se o comparecimento repetir aproximadamente o padrão das eleições de meio de mandato de 2022, mais de 100 milhões de americanos poderão votar. Em comparação, a eleição presidencial de 2024 registrou mais de 155 milhões de votos.
Imigração permanece como segundo grande eixo nacional
Além do custo de vida, a imigração continua estruturando o discurso eleitoral de republicanos e democratas.
Trump apresenta a redução das apreensões na fronteira como evidência de eficácia de sua política migratória, enquanto democratas intensificaram críticas a operações federais depois de episódios fatais envolvendo agentes de imigração em estados como Maine, Minnesota e Texas.
A disputa se estende à atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas — ICE — e ao uso do aparato federal. Determinados candidatos democratas defenderam medidas mais duras contra autoridades responsáveis pela política migratória, enquanto republicanos acusam adversários de favorecer políticas excessivamente permissivas.
Temas como inteligência artificial, centros de dados, criptomoedas, aborto e política dos Estados Unidos em relação a Israel também influenciam determinadas disputas estaduais e distritais, ainda que economia, Trump e imigração permaneçam os três principais eixos nacionais identificados pela Reuters.
Resultado poderá alterar capacidade de governo nos dois últimos anos do mandato
Uma mudança de maioria em qualquer das duas Casas produzirá consequências institucionais imediatas.
Se os republicanos preservarem as maiorias, Trump terá condições políticas mais favoráveis para continuar tentando aprovar sua agenda legislativa, incluindo propostas tributárias, gastos militares e alterações em programas sociais.
Se os democratas conquistarem ao menos uma das Casas, poderão bloquear parte da legislação presidencial, controlar comissões e ampliar investigações e audiências de fiscalização sobre o Executivo. Na Câmara, uma eventual maioria democrata colocaria o atual líder da bancada, Hakeem Jeffries, entre os principais nomes para a presidência da Casa.
O alcance desse controle parlamentar sobre política externa, contudo, possui limites. Presidentes americanos dispõem de considerável margem executiva em relações internacionais e segurança nacional. Por isso, mesmo uma mudança na composição do Congresso não significaria automaticamente reversão das decisões de Trump sobre Irã, Rússia, Ucrânia ou tarifas.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 28/02/2026 — Estados Unidos e Israel iniciam ataques contra o Irã, abrindo um conflito que passa a pressionar petróleo, combustíveis e cadeias internacionais de transporte. O impacto econômico posteriormente ganha peso na campanha eleitoral americana.
- 20/07/2026 — Governo Trump impõe tarifas adicionais de 50% sobre determinados produtos canadenses com base na Seção 338 do Tariff Act de 1930.
- 09/10/2026 — Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que 78% dos americanos atribuem alguma responsabilidade às políticas de Trump pelo aumento do custo de vida; o levantamento ouviu 4.506 adultos.
- 12/10/2026 — Gastos com publicidade política já veiculada alcançam US$ 3,8 bilhões, segundo a AdImpact.
- 19/10/2026 — Reuters/Ipsos registra aprovação presidencial de 31%; democratas aparecem com 47% e republicanos com 35% na pergunta nacional sobre preferência para o Congresso.
- 20/10/2026 — Custo de vida, Trump e imigração aparecem como três temas nacionais centrais da eleição; gasolina é registrada a US$ 4,28 por galão e diesel a US$ 6,32.
- 23/10/2026 — Departamento de Justiça ajuíza ação relacionada à eleição do Senado no Alasca, questionando eventual confusão entre dois candidatos chamados Dan Sullivan.
- 23/10/2026 — Trump modifica tarifas sobre produtos canadenses, retirando determinados bens da sobretaxa de 50%; mudança entra em vigor em 30/10/2026.
- 23/10/2026 — Índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan é divulgado em 48 pontos, segundo menor nível da série histórica.
- 24/10/2026 — Análise da Reuters identifica a política externa como questão econômica doméstica na campanha, sobretudo por meio dos efeitos da guerra contra o Irã e das tarifas sobre preços e combustíveis.
- 03/11/2026 — Eleitores americanos votarão para renovar a Câmara, parte do Senado e governos estaduais; a FEC confirma a data como eleição federal geral.
A particularidade das eleições americanas de 2026 está menos na presença inédita de temas internacionais e mais na forma como eles se fundiram à economia doméstica. Guerra, sanções, tarifas e relações comerciais deixaram de ser percebidas apenas como instrumentos de estratégia externa quando passaram a produzir efeitos mensuráveis sobre combustíveis, fretes, alimentos e expectativas de inflação. A questão decisiva para a cobertura jornalística não é presumir como cada eleitor responderá a essa combinação, mas acompanhar em que medida essas variáveis alteram participação, preferência partidária e comportamento nos distritos competitivos.
Os levantamentos disponíveis confirmam insatisfação econômica e baixa aprovação presidencial, mas não permitem converter pesquisa nacional em resultado antecipado. A eleição americana é descentralizada e depende de dezenas de disputas específicas. Senado e Câmara obedecem a mapas eleitorais distintos, financiamento desigual, regras estaduais e perfis demográficos próprios. Pesquisas, portanto, constituem fotografias temporais da opinião pública e não substituem a apuração eleitoral de 03/11/2026.
A dimensão institucional merece acompanhamento separado. No Alasca, existe um fato confirmado — o Departamento de Justiça ajuizou uma ação antes da eleição —, uma alegação oficial — a hipótese de confusão entre candidatos de nomes semelhantes — e controvérsia jurídica expressa, porque o segundo candidato nega a acusação, a Justiça estadual já autorizou sua presença na cédula e especialistas questionam a competência federal para interferir na certificação. No Michigan, de modo semelhante, acusações sobre vínculos de El-Sayed com a Irmandade Muçulmana são negadas pelo candidato e não podem ser apresentadas como fatos comprovados.
O núcleo factual da eleição permanece claro: republicanos entram em 03/11/2026 controlando Câmara e Senado por margens estreitas; democratas precisam de quatro cadeiras líquidas em cada Casa; custo de vida é o principal tema indicado pelas pesquisas; guerra com o Irã e tarifas passaram a integrar esse debate econômico; e decisões judiciais, administrativas e comerciais tomadas nos últimos dias poderão continuar produzindo repercussões políticas até a votação e durante a certificação dos resultados.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




