Estoque da dívida pública federal atinge R$ 8,48 trilhões em novembro de 2025, aponta Tesouro Nacional; Governo Lula amplia endividamento publico e mantém juros elevados

O estoque da dívida pública federal alcançou R$ 8,48 trilhões em novembro de 2025, registrando alta de 2,75% em relação a outubro, quando o montante era de R$ 8,25 trilhões. Os dados constam do Relatório Mensal da Dívida, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Tesouro Nacional, órgão responsável pela gestão das dívidas interna e externa da União.

O documento apresenta informações detalhadas sobre emissões, resgates, estoque e composição da dívida pública federal, além de dados relativos ao Tesouro Direto. O relatório é uma das principais ferramentas de acompanhamento da política de endividamento do governo federal e serve de referência para analistas, investidores e formuladores de políticas públicas.

Segundo o Tesouro, a evolução do estoque reflete tanto o comportamento dos juros quanto a estratégia de financiamento adotada ao longo do período, em um contexto de pressões fiscais persistentes e necessidade de rolagem contínua da dívida.

Crescimento da dívida interna concentra maior impacto

A dívida pública mobiliária interna respondeu pela maior parcela do crescimento observado em novembro. O estoque desse segmento avançou 2,73%, passando de R$ 7,95 trilhões para R$ 8,16 trilhões no período analisado.

De acordo com o relatório, o resultado decorre principalmente de dois fatores. O primeiro foi a apropriação positiva de juros, que somou R$ 74,5 bilhões. O segundo fator foi o volume de emissões líquidas, que atingiu R$ 142,44 bilhões, indicando que o governo emitiu mais títulos do que resgatou ao longo do mês.

A dívida interna representa o principal instrumento de financiamento do Tesouro Nacional e concentra a maior parte do estoque total, sendo fortemente influenciada pela política monetária, pela taxa básica de juros e pelo perfil de vencimentos dos títulos públicos.

Dívida externa também registra alta em novembro

A dívida pública externa apresentou crescimento ainda mais expressivo em termos percentuais, com alta de 3,24% entre outubro e novembro. Com isso, o estoque totalizou R$ 314,95 bilhões, o equivalente a US$ 59 bilhões.

Desse montante, R$ 264,81 bilhões (US$ 49,65 bilhões) correspondem à dívida mobiliária externa, composta principalmente por títulos emitidos no mercado internacional. Outros R$ 50,13 bilhões (US$ 9,40 bilhões) referem-se à dívida contratual, formada por empréstimos junto a organismos multilaterais e instituições financeiras internacionais.

Embora represente uma parcela menor do endividamento total, a dívida externa é sensível às variações cambiais e às condições de financiamento externo, podendo gerar impactos relevantes sobre o custo global da dívida em cenários de volatilidade internacional.

Relatório detalha perfil e composição do endividamento

O Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional reúne dados sobre o perfil de vencimentos, a estrutura de indexadores, a participação de diferentes tipos de títulos e a distribuição entre mercado interno e externo. Essas informações são utilizadas para avaliar riscos, como refinanciamento, taxa de juros e exposição cambial.

O documento também apresenta dados sobre o Tesouro Direto, programa voltado a pessoas físicas, que se consolidou como importante fonte complementar de financiamento da dívida pública e instrumento de educação financeira no país.

Ao detalhar a composição do endividamento, o Tesouro busca dar transparência à estratégia de gestão da dívida, em linha com práticas internacionais de responsabilidade fiscal e prestação de contas.

Endividamento crescente e desafios fiscais

O avanço do estoque da dívida pública federal em novembro reforça a trajetória de crescimento do endividamento da União, em um contexto de pressão estrutural sobre as contas públicas. A combinação entre juros elevados e necessidade de emissões líquidas contínuas evidencia os limites do atual equilíbrio fiscal.

Do ponto de vista institucional, o dado expõe a dependência do governo federal do mercado de títulos públicos para financiar despesas correntes e rolar compromissos vencidos, o que amplia a sensibilidade da política fiscal às decisões de política monetária.

Ainda que o Tesouro mantenha uma estratégia ativa de gestão, o ritmo de crescimento do estoque levanta questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal de médio e longo prazo, especialmente diante de um cenário de incertezas econômicas e demandas crescentes por gastos públicos.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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