Ex-deputado Marcelino Galo acusa prefeito de Conceição do Coité de omitir apoio do Governo da Bahia ao Coité Folia
A declaração deste sábado (02/05/2026) do prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Araújo, de que o Coité Folia não teria contado com apoio do Governo da Bahia provocou reação no cenário político baiano e abriu uma controvérsia sobre transparência na comunicação pública. A fala foi feita durante entrevista ao lado de ACM Neto, mas passou a ser contestada após a divulgação de peças publicitárias do evento com a marca do governo estadual, além de registro no Diário Oficial do Estado que aponta a liberação de R$ 300 mil para o custeio de cachês de atrações musicais. O ex-deputado estadual Marcelino Galo classificou a declaração como “grave descompromisso com a verdade” e acusou o gestor municipal de tentar negar a participação estadual por motivação política.
Declaração do prefeito gera reação política em Conceição do Coité
A polêmica teve início após o prefeito Marcelo Araújo afirmar que o Coité Folia, micareta realizada no município durante o feriadão, não havia recebido apoio do Governo da Bahia. A declaração ganhou repercussão por ter sido feita em ambiente político, ao lado de ACM Neto, principal liderança do União Brasil na Bahia e opositor do grupo que governa o Estado.
A fala do prefeito, segundo críticos, contrasta com elementos públicos vinculados à própria realização do evento. Entre eles estão peças de divulgação da micareta que exibem a marca do governo estadual, o que indica participação institucional na promoção ou no apoio à festa.
Além da presença da marca oficial, há registro no Diário Oficial do Estado referente à liberação de R$ 300 mil destinados ao pagamento de cachês de atrações musicais. O dado passou a ser usado por aliados do governo estadual como evidência documental de que houve participação financeira do Estado no Coité Folia.
Diário Oficial registra liberação de R$ 300 mil para cachês
O principal ponto de contestação à fala do prefeito está no registro oficial de repasse de recursos. De acordo com as informações apresentadas, o Governo da Bahia teria destinado R$ 300 mil ao custeio de apresentações musicais da micareta.
Esse tipo de apoio é comum em eventos culturais e populares realizados em municípios baianos, especialmente em festas que movimentam a economia local, atraem público regional e exigem estrutura logística compatível com grandes aglomerações.
No caso do Coité Folia, a presença da marca do governo em materiais publicitários reforça a tese de que o evento contou com apoio estadual. Para os críticos da declaração do prefeito, a negação desse apoio não se sustentaria diante dos documentos e registros públicos disponíveis.
Segurança pública também teve atuação especial durante o evento
Além do apoio financeiro indicado no Diário Oficial, a estrutura do evento também contou com atuação da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, responsável por montar esquema especial para garantir a tranquilidade durante a micareta.
A presença de planejamento específico na área de segurança é outro elemento apontado como participação do governo estadual na realização do Coité Folia. Em eventos de grande circulação popular, o policiamento, a organização de fluxos e o reforço operacional são medidas decisivas para reduzir riscos e assegurar a ordem pública.
Assim, a controvérsia não se limita ao aspecto financeiro. A discussão envolve também a participação institucional do Estado em diferentes frentes da organização do evento, desde o apoio cultural até a segurança pública.
Marcelino Galo critica declaração e aponta motivação política
O ex-deputado estadual Marcelino Galo reagiu à declaração do prefeito e afirmou que a tentativa de negar o apoio estadual representaria um “grave descompromisso com a verdade”. Para ele, a fala de Marcelo Araújo não seria um equívoco isolado, mas parte de uma estratégia política de desgaste contra o governo estadual.
Segundo Galo, a negação do apoio público atende a interesses do grupo político liderado por ACM Neto. O ex-parlamentar afirmou que há uma prática recorrente de distorção de fatos para atacar o governo, mesmo diante de provas documentais.
“Não é um caso isolado. Há uma estratégia recorrente de distorcer fatos para atacar o governo, mesmo diante de provas documentais. Isso enfraquece o debate público e desrespeita a população”, declarou Marcelino Galo.
Crítica também alcança ACM Neto
A crítica feita por aliados do governo estadual também se estendeu a ACM Neto. Segundo essa avaliação política, o ex-prefeito de Salvador teria adotado postura semelhante ao fazer declarações consideradas imprecisas sobre ações estaduais.
A presença de ACM Neto ao lado do prefeito Marcelo Araújo ampliou o peso político da controvérsia. O episódio passou a ser interpretado por governistas como mais um capítulo da disputa entre o grupo estadual liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues e a oposição baiana vinculada ao União Brasil.
Nesse contexto, a declaração sobre o Coité Folia ultrapassou a esfera local de Conceição do Coité e ganhou dimensão estadual, por envolver financiamento público, comunicação institucional, disputa narrativa e responsabilidade de agentes políticos diante de informações documentadas.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




