Ex-ministro Rui Costa acusa chapa de ACM Neto de ser “bolsonarista e anti-Lula” e eleva disputa política na Bahia

Na terça-feira (07/07/2026), o pré-candidato ao Senado Rui Costa (PT) afirmou, em entrevista à rádio Baiana FM, que a chapa majoritária da oposição na Bahia, liderada pelo pré-candidato ao governo ACM Neto (União Brasil), representa o bolsonarismo no estado e atua em oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, Rui associou o grupo oposicionista a críticas feitas ao governo federal, a posições contrárias a políticas públicas de inclusão social e à disputa eleitoral que se intensifica no estado às vésperas das convenções partidárias de 2026.

Rui Costa enquadra oposição como bolsonarista na Bahia

Durante a entrevista, Rui Costa afirmou que a chapa formada em torno de ACM Neto seria “bolsonarista e anti-Lula”. A declaração foi feita no contexto da pré-campanha eleitoral na Bahia e reforça a estratégia do campo governista de nacionalizar a disputa estadual, vinculando adversários locais ao legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o petista, ACM Neto e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), teriam adotado postura crítica ao presidente Lula durante os primeiros anos do atual mandato. Para Rui, a mudança de tom atribuída aos adversários ocorreria em razão da avaliação positiva do presidente na Bahia, estado onde Lula obteve desempenho expressivo nas últimas eleições presidenciais.

A fala busca fixar uma linha de confronto entre dois campos políticos: de um lado, o grupo associado ao governo estadual, ao PT e à base lulista; de outro, a oposição liderada por ACM Neto, apontada por Rui como alinhada ao bolsonarismo. No conteúdo fornecido, não há manifestação de ACM Neto, Bruno Reis ou representantes da oposição sobre as declarações.

Disputa eleitoral ganha contorno nacional

A associação entre a eleição estadual e a polarização nacional não é nova na política baiana. Desde ciclos eleitorais anteriores, o desempenho de Lula no estado tem sido utilizado como elemento de mobilização pelo PT, enquanto a oposição tenta equilibrar alianças locais, bases municipais e vínculos nacionais.

Rui Costa sustenta que a oposição teria criticado o governo federal antes do período eleitoral e, posteriormente, ajustado o discurso diante da força eleitoral de Lula na Bahia. A avaliação, embora política, indica uma das principais linhas de disputa da pré-campanha: a tentativa de definir quem representa, no estado, continuidade administrativa, oposição ao lulismo ou aproximação com a direita nacional.

Políticas sociais entram no centro da crítica

Além de classificar a chapa adversária como bolsonarista, Rui Costa afirmou que seus integrantes sempre se posicionaram contra políticas públicas implantadas por governos petistas. Entre os exemplos citados estão o sistema de cotas nas universidades e programas de inclusão social.

A referência às cotas e às políticas sociais tem peso eleitoral porque envolve temas que marcaram a trajetória dos governos petistas no plano federal e estadual. Ao trazer esses pontos para a entrevista, Rui tenta deslocar o debate da simples disputa entre nomes para uma divergência programática sobre Estado, inclusão e acesso a direitos.

Na avaliação do ex-governador, a oposição baiana estaria vinculada a um projeto político contrário a essas iniciativas. Como se trata de uma interpretação do próprio Rui Costa, a formulação exige atribuição direta ao autor da declaração e contraditório posterior, caso os citados se manifestem.

Lula, Bahia e capital político

Rui Costa também afirmou que Lula deve repetir na Bahia o desempenho expressivo das eleições anteriores. O argumento reforça a estratégia governista de manter o presidente como principal ativo eleitoral no estado, especialmente em um cenário no qual a disputa estadual tende a ser influenciada pela eleição presidencial.

A Bahia permanece como um dos estados centrais para o PT em razão de sua densidade eleitoral, da continuidade de governos estaduais do campo petista e da presença de lideranças nacionais oriundas do estado, como Rui Costa e o senador Jaques Wagner (PT). A candidatura ao Senado de Rui amplia esse peso, pois coloca na mesma disputa a avaliação sobre sua passagem pelo governo estadual, sua atuação no Planalto e o papel que pretende desempenhar em Brasília.

No Jornal Grande Bahia, reportagens recentes já registraram movimentações da pré-campanha estadual e a tentativa de vincular a disputa de 2026 à parceria política entre o governo baiano e o governo federal, incluindo a participação de Lula em agendas na Bahia e a articulação de Rui Costa no campo governista.

Rui cita desequilíbrio fiscal e obras paralisadas herdadas de Bolsonaro

Ao comentar sua passagem pela Casa Civil, Rui Costa afirmou que encontrou, ao assumir o ministério em janeiro de 2023, um cenário de forte desequilíbrio fiscal. Segundo ele, o governo Bolsonaro teria deixado um rombo superior a R$ 200 bilhões, incluindo precatórios sem pagamento e despesas do Bolsa Família que, conforme sua declaração, não estavam previstas no Orçamento.

O ex-ministro também declarou que o governo Lula recebeu milhares de obras de saúde e educação paralisadas em todo o país. Na avaliação apresentada por Rui, a reorganização administrativa e fiscal do governo federal permitiu a retomada de investimentos, a redução do desemprego, o aumento da renda média e a ampliação de programas de renegociação de dívidas.

Essas afirmações se inserem no esforço do governo federal e de seus aliados de contrastar o início do terceiro mandato de Lula com o encerramento da gestão Bolsonaro. Como envolvem dados fiscais, orçamentários e administrativos, a apuração jornalística deve distinguir entre declarações políticas, números oficiais, interpretações de governo e avaliações independentes de órgãos de controle e especialistas.

Economia, emprego e renegociação de dívidas

Rui Costa afirmou ainda que o governo Lula teria impulsionado a economia ao reorganizar contas públicas e retomar investimentos. Entre os pontos destacados por ele estão a redução do desemprego, o crescimento da renda média e iniciativas de renegociação de dívidas voltadas a famílias, microempreendedores individuais e pequenos produtores.

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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