Jair Bolsonaro recorre a advogado do presidente Donald Trump e é indiciado em caso do tarifaço nos EUA

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal (PF) no caso das sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra o Brasil. Segundo o relatório, Bolsonaro solicitou orientação ao advogado norte-americano Martin Luca, ligado ao presidente Donald Trump, para produzir declarações sobre o tarifaço, e teria compartilhado mais de 300 vídeos pelo WhatsApp, burlando proibição judicial de uso de redes sociais.

Pedido de orientação ao advogado de Trump

De acordo com a PF, Bolsonaro enviou mensagem de áudio a Martin Luca solicitando orientação sobre como se pronunciar em suas redes sociais sobre o tarifaço aplicado contra o Brasil. O relatório da investigação aponta que o ex-presidente atua de forma subordinada a interesses de agentes estrangeiros, conforme trecho do relatório:

“O áudio atribuído a Jair Bolsonaro demonstra que o ex-presidente atua de forma subordinada a interesses de agentes estrangeiros, em alinhamento previamente condicionado ao atendimento de pretensões dissociadas ao interesse nacional…”

Martin Luca, que representa as plataformas Rumble e Trump Media, recomendou a Bolsonaro aprimorar a comunicação em relação ao tarifaço.

Compartilhamento de vídeos durante restrição judicial

A PF identificou que, em 3 de agosto de 2025, Bolsonaro enviou mais de 300 vídeos pelo WhatsApp, inclusive sobre manifestações e aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, contrariando ordens judiciais. As ações foram comparadas a “milícias digitais”, segundo o relatório.

Desde 4 de agosto de 2025, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes do STF.

Movimentações financeiras e operações atípicas

Segundo relatório do Coaf, entre março de 2023 e junho de 2025, Bolsonaro movimentou R$ 30,5 milhões. A PF identificou 50 operações atípicas, envolvendo o ex-presidente, familiares e terceiros, com repasses de recursos como R$ 2 milhões para estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA e R$ 2 milhões para Michele Bolsonaro.

As movimentações incluem despesas de R$ 6,6 milhões com escritórios de advocacia, sem registro de ilegalidade quanto à origem, mas apontadas como indícios de possíveis práticas de lavagem de dinheiro ou outros ilícitos.

Acesso prévio à defesa de Mário Fernandes

A PF constatou que Bolsonaro teve acesso prévio ao conteúdo da defesa do general Mário Fernandes, réu no processo da trama golpista. O documento encontrado no celular do ex-presidente coincidia com o protocolado ao STF, violando medidas cautelares que proibiam contato entre os investigados.

Segundo o relatório, Fernandes alegou que Bolsonaro teria dado aval a plano golpista até 31 de dezembro de 2022, enquanto negava intenção de execução.

Defesa

A defesa de Bolsonaro afirmou estar surpresa com o indiciamento e garantiu que prestará esclarecimentos solicitados pelo ministro Alexandre de Moraes. Martin Luca declarou que sua atuação se limita a orientação jurídica e de comunicação, criticando a interpretação da PF sobre a consulta do ex-presidente.

*Com informações da Agência Brasil.


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Redação do Jornal Grande Bahia

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