‘Não passamos a mão na cabeça’, diz pai de jovem suspeito de torturar Orelha
O cachorro comunitário morreu depois de ser agredido por um grupo de adolescentes em Florianópolis; Até o momento, a polícia já ouviu mais de 20 pessoas e analisou mais de mil horas de imagens colhidas
O pai de um dos adolescentes investigados pela morte de Orelha afirmou que, caso fique comprovado o envolvimento do filho no crime, ele deverá responder pelos atos. A declaração foi dada ao programa Fantástico no último domingo (1º).
“A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações. Não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas”, afirmou o responsável pelo adolescente investigado.
O caso de maus-tratos contra o cão Orelha, de cerca de 10 anos, gerou comoção popular na última semana. O cachorro comunitário de Praia Brava, em Florianópolis, em Santa Catarina, morreu depois de ser agredido por um grupo de adolescentes.
Pai de adolescente investigado pela morte de Orelha – Foto: Fantástico/ Reprodução
O advogado Rodrigo Duarte da Silva, que representa duas das famílias envolvidas no caso, afirmou que a expectativa é de que os depoimentos sejam colhidos o mais rápido possível para o esclarecimento dos fatos.
Segundo ele, a apuração é fundamental para que “a verdade venha à tona” e para que os adolescentes que não tiveram qualquer participação no episódio sejam publicamente inocentados.
“Se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer maus-tratos ou com qualquer pequeno delito de quiosque ou de caminhar nas ruas e etc., que eles sejam, sim, responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio”, afirmou o advogado ao programa.
Investigação
Dois dos quatro adolescentes suspeitos pela morte de Orelha retornaram dos Estados Unidos na quinta-feira (29). No aeroporto, a polícia apreendeu os celulares dos jovens, que estavam em uma viagem escolar previamente programada.
Até o momento, a polícia já ouviu mais de 20 pessoas e analisou mais de mil horas de imagens colhidas em câmeras de monitoramento públicas e privadas. No entanto, ninguém foi preso até agora, mas a polícia civil indiciou os familiares dos adolescentes pelo crime de coação.
Morte de Orelha comoveu o país
A morte brutal do cachorrinho Orelha, na Praia Brava, litoral de Santa Catarina, causou comoção nacional. Cão comunitário, ele foi atacado por um grupo de adolescentes no dia 4 de janeiro. Após ser socorrido e levado a uma clínica veterinária, o cachorro teve que ser submetido à eutanásia no dia 5, em razão da gravidade dos ferimentos.
Devido à enorme repercussão, a Polícia Civil de Santa Catarina passou a investigar o caso. Em 26 de janeiro foi deflagrada uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os adolescentes e os adultos responsáveis. Foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos. A polícia também vem ouvindo várias pessoas para entender melhor como tudo aconteceu.
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