Prédio comercial de Feira de Santana preserva riqueza histórica e cultural da cidade

O edifício construído em 1878, que abriga diversas lojas e serviços no centro de Feira de Santana, é um marco da história da cidade.

No centro de Feira de Santana, mais especificamente na confluência da Praça João Pedreira e da Avenida Senhor dos Passos, encontra-se um edifício de arquitetura colonial que, apesar de sua aparência simples, carrega consigo uma história de relevância incomparável para a cidade. Construído em 1878, o prédio abriga atualmente lojas comerciais e serviços de diferentes segmentos, como farmácias, calçados, confecções, sucos e variedades, além de escritórios médicos e contábeis no piso superior. No entanto, a história de suas paredes dobradas e de sua pintura colorida vai além do que os transeuntes podem perceber à primeira vista.

O edifício, que foi indicado para tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), foi vendido à Câmara Municipal em 1888 para sediar os trabalhos da Casa Legislativa. O valor da transação foi de 12 contos de réis, pagos em seis parcelas de dois contos de réis. Em 1890, o prédio passou a abrigar também a Intendência Municipal, hoje conhecida como Prefeitura, além do Conselho Municipal, em um momento significativo na organização da cidade.

A construção do prédio foi realizada por João Pedreira, coronel e comerciante de fumo e gado, residente no distrito de Humildes, proprietário de vastas áreas de terra e um dos principais financiadores do desenvolvimento da cidade. O imóvel passou a ser utilizado para diversos serviços públicos, como sede da Câmara de Vereadores, da Biblioteca Municipal, do Fórum e da agência dos Correios e Telégrafos, marcando sua importância no contexto da administração pública feirense.

Em 1926, com a conclusão da construção do novo Paço Municipal Maria Quitéria, o antigo prédio foi desativado, mas sua relevância histórica permaneceu inalterada. Durante os 36 anos em que abrigou as instituições municipais, o edifício foi testemunha das mudanças administrativas e políticas da cidade, incluindo a transição do cargo de intendente para prefeito, que aconteceu em 1931, com a posse do primeiro prefeito, Elpídio Raimundo da Nova.

Hoje, o edifício continua sendo um elo entre o passado e o presente de Feira de Santana, servindo como um lembrete da evolução da cidade. Apesar de sua atual função comercial, o prédio permanece como um relicário da história feirense, aguardando o reconhecimento formal de seu valor cultural e histórico por meio do tombamento.


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Redação do Jornal Grande Bahia

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