Presidente Lula reage a sanções dos EUA e Governo Trump ignora embaixadora do Brasil: crise diplomática se intensifica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou neste sábado (19/07/2025) como “medida arbitrária e sem fundamento” a decisão do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, de revogar os vistos de entrada de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A medida foi anunciada na sexta-feira (18/07/2025) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, sob a justificativa de uma suposta “censura à liberdade de expressão” no Brasil.

Declaração oficial e defesa das instituições

Em publicação na rede X (antigo Twitter), o presidente Lula declarou:

“A interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do respeito e da soberania entre as nações.”

Lula reafirmou apoio irrestrito aos ministros do STF e destacou que nenhuma tentativa de intimidação comprometerá a atuação dos Poderes na defesa do Estado Democrático de Direito.

Operação contra Bolsonaro e medidas cautelares

As sanções norte-americanas ocorreram após a deflagração de operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A operação resultou:

  • na apreensão de cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie;

  • na localização de um pen drive escondido;

  • na imposição de medidas cautelares, incluindo:

    • uso de tornozeleira eletrônica;

    • recolhimento domiciliar noturno e integral nos fins de semana;

    • proibição de uso de redes sociais;

    • proibição de contato com embaixadas ou diplomatas.

O inquérito apura se Bolsonaro e seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atuaram em parceria com o governo Trump para pressionar o STF com sanções políticas e econômicas, buscando evitar eventual condenação.

Escalada nas tensões diplomáticas

Fontes diplomáticas confirmaram que a embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, teve seu contato recusado pelo Departamento de Estado dos EUA após as sanções. O argumento americano foi de demora na formalização dos canais diplomáticos, apesar de comunicações anteriores do Itamaraty.

Aliados de Eduardo Bolsonaro revelaram que o governo Trump avalia novas sanções, como:

  • congelamento de ativos de autoridades brasileiras;

  • aplicação da Lei Magnitsky;

  • bloqueio de sinal GPS em território brasileiro;

  • expulsão de diplomatas.

Paralelamente, Eduardo Bolsonaro teria recebido apoio do governador Ron DeSantis, no Texas, onde reside com suporte de organizações locais.

Reação jurídica e institucional no Brasil

A defesa de Bolsonaro classificou as medidas como “surpreendentes e indignas”, sustentando que o ex-presidente sempre colaborou com a Justiça. Em resposta, afirmou:

“Pode contratar o Ruy Barbosa, mas ninguém ganha do Moraes.”

O Advogado-Geral da União, Jorge Messias, repudiou as sanções e assegurou que as autoridades brasileiras atuam nos estritos limites da legalidade. Classificou a revogação de vistos como um ato de assédio político.

Intensificação de atos de Eduardo Bolsonaro

No sábado (19/07/2025), o ministro Moraes registrou em despacho que Eduardo Bolsonaro intensificou condutas ilícitas, com ataques ao STF em redes sociais. A decisão integra inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR) que investiga:

Suposta articulação internacional e envio de recursos

Segundo a investigação, Jair Bolsonaro teria transferido R$ 2 milhões ao filho para financiar ações de influência política nos EUA. Documentos, publicações e registros de reuniões com autoridades americanas indicam que Eduardo solicitou sanções contra membros do STF e do governo brasileiro.

Cartas, tarifas e agravamento da crise

A crise diplomática se intensificou após Donald Trump enviar cartas simultâneas a Lula e Bolsonaro, acusando o Judiciário brasileiro de promover perseguição política. O secretário de Estado, Marco Rubio, chegou a ameaçar aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Moraes, sem apresentar provas.

Lula respondeu com veemência, classificando a postura americana como “chantagem inaceitável” e alertando para o risco de submissão da política externa brasileira a interesses radicais.

Atuação coordenada e nova legislação de retaliação

Eduardo Bolsonaro organizou reuniões com parlamentares republicanos nos EUA, como Cory Mills, para articular ações contra Moraes. As ações coincidem com:

  • restrições a vistos de autoridades brasileiras;

  • investigação comercial contra o Brasil;

  • imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

Em resposta, o governo Lula ativou a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, permitindo suspensão de concessões comerciais a países que impõem sanções unilaterais.

Denúncia da PGR e resposta do STF

A Procuradoria-Geral da República denunciou Jair Bolsonaro por:

  • tentativa de golpe de Estado;

  • organização criminosa armada;

  • abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

  • dano ao patrimônio público.

A decisão de Moraes foi referendada pela Primeira Turma do STF, com objetivo de impedir fuga e obstrução das investigações.

Repercussão internacional e cobertura da imprensa global

Veículos de imprensa ao redor do mundo repercutiram a decisão do STF e a crise com os EUA:

  • Le Monde (França): classificou o caso como “rota de colisão diplomática” entre Brasil e EUA;

  • Deutsche Welle (Alemanha): destacou que o caso é um “divisor de águas” na resistência das instituições latino-americanas à extrema direita;

  • El País (Espanha): ressaltou que a crise revela disputa de hegemonia narrativa sobre soberania e interferência externa;

  • BBC News: afirmou que Trump tenta exportar o modelo trumpista ao Brasil;

  • Al Jazeera: apontou riscos de polarização transnacional e crescimento do papel dos BRICS como alternativa estratégica;

  • The Guardian e New York Times: destacaram o risco de fuga de Bolsonaro e a resposta institucional brasileira;

  • Foreign Policy: avaliou que a decisão de Moraes reafirma a soberania do Brasil diante de retaliações comerciais e pressões externas.

Impacto político interno e opinião pública

Pesquisas da Atlas/Bloomberg e da Genial/Quaest indicam que a maioria da população brasileira desaprova as sanções impostas por Trump e reconhece a atuação de Lula em defesa da soberania nacional. O episódio fortaleceu o governo federal, enquanto isolou Bolsonaro no cenário político interno.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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