Protestos estudantis reúnem 130 mil pessoas na França, deixam 504 detidos e levam governo a anunciar plano para escolas

Mais de 130 mil pessoas participaram de manifestações estudantis em diversas cidades da França na quinta-feira (08/10/2026), segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT). O Ministério do Interior francês apresentou uma estimativa menor, de 71.500 manifestantes, dos quais 24.500 estavam em Paris. Os protestos, organizados por estudantes do ensino médio e universitários, tiveram como uma das principais pautas a falta de recursos nas escolas e terminaram com confrontos entre manifestantes e forças de segurança na capital.

Na Praça da Bastilha, em Paris, dezenas de milhares de pessoas se reuniram durante a mobilização. De acordo com a polícia, um grupo de aproximadamente 20 integrantes dos chamados black blocs lançou mobiliário urbano contra agentes de segurança. As forças policiais responderam com canhões de água e gás lacrimogêneo.

O balanço divulgado pelo Ministério do Interior registrou 504 pessoas detidas e 48 policiais e gendarmes feridos. Segundo informações da emissora Franceinfo, a pasta também apontou aumento dos episódios de violência urbana. Paralelamente às manifestações de rua, cerca de 55 mil pessoas participaram de ações diante de estabelecimentos de ensino, embora apenas parte delas tenha se juntado posteriormente aos protestos.

Divergência entre estimativas e confrontos em Paris

Os números apresentados pela CGT e pelo Ministério do Interior indicam uma diferença significativa na contabilização da participação popular. Enquanto a central sindical estimou mais de 130 mil participantes em todo o país, o governo contabilizou 71.500 pessoas.

Em Paris, a Praça da Bastilha concentrou uma parcela expressiva dos manifestantes. A mobilização reuniu estudantes que reivindicavam melhores condições para o sistema educacional, em um contexto de reclamações sobre a insuficiência de recursos e a falta de professores nas instituições de ensino.

Durante o ato, os confrontos envolveram integrantes de grupos identificados pela polícia como black blocs. Segundo as autoridades, os participantes lançaram objetos contra os agentes, que utilizaram equipamentos de dispersão para conter os distúrbios. O balanço oficial apontou centenas de detenções em decorrência dos acontecimentos registrados no país.

Três adolescentes são indiciados por agressão a policial em Belfort

Em Belfort, cidade situada no leste da França, três estudantes do ensino médio, de 16 e 17 anos, foram indiciados na quinta-feira (08/10/2026) por suspeita de participação na agressão a um policial durante os protestos. Outros dois adolescentes já haviam sido indiciados no domingo (04/10/2026) pelo mesmo episódio.

Os três novos investigados foram colocados sob controle judicial, com restrições que incluem a proibição de participar de manifestações. Segundo o Ministério Público de Belfort, os adolescentes são estudantes da cidade e não tinham antecedentes judiciais.

De acordo com as acusações, um dos jovens, de 17 anos, teria iniciado a agressão contra o comandante da polícia, derrubando-o e desferindo três socos na cabeça do agente. Outro adolescente, também de 17 anos, é suspeito de ter utilizado o spray de gás lacrimogêneo do policial depois que o equipamento caiu no chão. O terceiro, de 16 anos, teria chutado a cabeça do agente enquanto ele estava caído.

Policial foi hospitalizado após perder brevemente a consciência

A agressão ocorreu durante uma intervenção policial para deter um estudante suspeito de lançar objetos contra as forças de segurança e atear fogo em lixeiras. Durante a abordagem, o comandante foi agredido e perdeu brevemente a consciência.

O agente foi encaminhado ao hospital com vários ferimentos no rosto. Entre os cinco adolescentes investigados no caso, com idades entre 15 e 17 anos, o estudante inicialmente detido é o único que permanece em prisão preventiva. A defesa recorreu da decisão judicial que determinou a medida.

O adolescente também apresentou uma queixa por tentativa de homicídio contra o policial e seus superiores. Ele alega que o agente teria mantido sua cabeça debaixo d’água durante a detenção. A acusação apresentada pelo jovem deu origem a uma investigação específica sobre a conduta policial.

Inspeção-Geral da Polícia investiga denúncia contra agente

A apuração sobre a alegação apresentada pelo adolescente foi confiada à Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), órgão responsável por investigar possíveis irregularidades na atuação de policiais franceses.

A investigação deverá examinar as circunstâncias da detenção e a denúncia apresentada pelo adolescente. A abertura do procedimento não significa que as acusações contra o agente tenham sido comprovadas.

O caso reúne duas frentes judiciais distintas: a investigação sobre a agressão contra o comandante policial e a apuração da denúncia feita pelo estudante contra os agentes envolvidos na detenção. Os procedimentos deverão esclarecer as circunstâncias de cada ocorrência.

Sindicatos convocam nova mobilização para 13 de outubro

A intersindical estudantil e profissional convocou uma nova jornada de protestos e greve para terça-feira (13/10/2026). A mobilização pretende manter a pressão sobre o governo francês em torno das reivindicações relacionadas à educação e às condições de funcionamento das escolas.

Diante das reclamações sobre a falta de professores, o governo anunciou um plano de emergência para enfrentar a escassez de profissionais nas instituições de ensino. O ministro francês da Educação, Édouard Geffray, informou que os detalhes da iniciativa seriam apresentados nas horas ou nos dias seguintes ao anúncio.

A nova convocação ocorre após uma jornada marcada pela mobilização estudantil, por detenções e por confrontos em diferentes localidades. A resposta do governo e a apresentação das medidas para enfrentar a falta de professores deverão integrar os próximos desdobramentos do movimento.

O balanço dos protestos reúne reivindicações educacionais, questionamentos sobre a disponibilidade de recursos nas escolas e episódios de violência que passaram a ser investigados pelas autoridades. A nova jornada prevista para 13 de outubro deverá indicar a continuidade da mobilização e a reação dos sindicatos às medidas anunciadas pelo Executivo francês.

*Com informações da RFI.

Redação do Jornal Grande Bahia

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