Sushila Karki assume como primeira-ministra interina do Nepal e promete reformas após protestos históricos

A ex-presidente da Suprema Corte, Sushila Karki, assumiu na sexta-feira (12/09/2025) como primeira-ministra interina do Nepal, após a renúncia de KP Sharma Oli em meio a protestos massivos contra corrupção e censura, que deixaram dezenas de mortos e feridos. Em seu discurso inicial, Karki prometeu responder às demandas da juventude nepalense e conduzir o país até as eleições de março de 2026.

Os protestos de segunda (08) e terça-feira (09) reuniram milhares de jovens da chamada Geração Z, que denunciaram a corrupção na elite política, o bloqueio das redes sociais e o alto índice de desemprego. Segundo relatório atualizado neste domingo (14), ao menos 72 pessoas morreram e 191 ficaram feridas, números que superaram o balanço inicial de 51 mortos.

A repressão policial provocou a renúncia do então primeiro-ministro KP Sharma Oli, pressionado pelo desgaste político e pelo incêndio de prédios governamentais, incluindo o Parlamento e o complexo administrativo de Singha Durbar.

Primeira mulher a governar o Nepal

Com 73 anos, Sushila Karki se torna a primeira mulher a liderar o Nepal. Reconhecida por sua independência no Judiciário, foi escolhida em meio a intensas negociações entre o presidente Ram Chandra Paudel e o chefe do Exército, Ashok Raj Sigdel.

Karki afirmou que seu governo interino não ultrapassará seis meses e que a transição democrática será concluída com as eleições legislativas marcadas para 5 de março de 2026.

“Nosso compromisso é entregar o poder ao próximo Parlamento e aos futuros ministros”, declarou.

Promessas de reformas e diálogo com jovens

Em suas primeiras declarações, Karki destacou que governará em sintonia com as reivindicações da juventude. “Devemos trabalhar em consonância com o pensamento da Geração Z, que pede o fim da corrupção, boa governança e igualdade econômica”, afirmou.

Ela visitou hospitais neste fim de semana para prestar solidariedade às vítimas da repressão policial e iniciou reuniões no complexo governamental, ainda marcado pelos incêndios da semana.

Reações internas e externas

O presidente Paudel descreveu a situação como “complexa e grave”, mas afirmou que o país encontrou uma solução pacífica. A presença militar nas ruas de Katmandu diminuiu neste domingo, embora ainda haja cerca de 12.500 detentos foragidos após fugas em massa durante os distúrbios.

A comunidade internacional reagiu rapidamente. Índia e China, principais vizinhos do Nepal, felicitaram a nova primeira-ministra, enquanto observadores internacionais pediram respeito ao calendário eleitoral e garantia de direitos civis.

Fragilidade política

A ascensão de Sushila Karki reflete a fragilidade política de um país que, desde a abolição da monarquia em 2008, não conseguiu consolidar instituições sólidas. Sua nomeação, embora celebrada pela juventude, carrega riscos: trata-se de um governo interino apoiado por consenso emergencial, sem base partidária consolidada. O sucesso de sua gestão dependerá da capacidade de conter novos protestos, reconstruir a confiança na democracia e evitar que as forças armadas ampliem sua influência sobre o processo político.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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