Segurança hídrica e governança da água mobilizam comitês de bacias na Bahia em meio a mudanças regulatórias e desafios climáticos
A discussão sobre segurança hídrica e governança dos recursos hídricos ganhou destaque após a realização da 30ª Reunião Plenária Ordinária do Fórum Baiano de Comitês de Bacias Hidrográficas (FBCBH), ocorrida nos dias 8 e 9 de abril de 2026, em Salvador. O encontro reuniu representantes dos 14 comitês de bacias da Bahia, além de especialistas e autoridades de órgãos como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), secretarias estaduais e instituições de outros estados, com foco nos impactos das mudanças climáticas, nos desafios da gestão da água e nas possíveis alterações no marco regulatório do setor.
A reunião ocorreu em um contexto de crescente pressão sobre os recursos hídricos, marcada por eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas. Esses fenômenos têm exigido maior capacidade de planejamento e adaptação por parte das instituições responsáveis pela gestão da água.
Os comitês de bacias hidrográficas, que reúnem representantes do poder público, usuários e sociedade civil, foram apontados como estruturas essenciais para a mediação de conflitos e a definição de prioridades no uso da água. Na Bahia, essas instâncias atuam em diferentes regiões, enfrentando desafios que variam entre a escassez hídrica e a pressão sobre mananciais urbanos.
Segundo a coordenação do Fórum, o fortalecimento desses colegiados é considerado fundamental para assegurar decisões mais equilibradas e sustentáveis diante da crescente complexidade ambiental e institucional.
Mudanças no marco regulatório entram no centro das discussões
Um dos principais pontos da agenda foi o Projeto de Lei nº 4.546/2021, que propõe alterações na governança dos recursos hídricos no Brasil. A proposta gerou debate entre representantes dos comitês e gestores públicos, sobretudo em relação aos impactos sobre o modelo de gestão participativa.
A avaliação predominante entre os participantes indicou a necessidade de ampliar o diálogo institucional, com o objetivo de preservar avanços já consolidados na gestão descentralizada da água. A preocupação central reside na possibilidade de mudanças que possam reduzir a autonomia ou a efetividade dos comitês na tomada de decisões.
Nesse contexto, foi ressaltada a importância de manter a participação social e a articulação entre diferentes níveis de governo como pilares do sistema de gerenciamento de recursos hídricos.
Segurança hídrica ganha dimensão estratégica
Outro eixo central do encontro foi a segurança hídrica, compreendida como a garantia de acesso à água em quantidade e qualidade adequadas, além da capacidade de resposta a eventos extremos.
Especialistas destacaram que o tema deixou de ser uma pauta restrita ao setor ambiental e passou a ocupar posição estratégica no desenvolvimento econômico e social. A incorporação da segurança hídrica nos planos de recursos hídricos de diversos comitês no país foi apontada como um avanço relevante.
Além disso, os debates evidenciaram que a gestão da água exige conciliar múltiplos usos — abastecimento humano, agricultura, indústria e preservação ambiental — em um cenário de maior variabilidade climática e pressões territoriais crescentes.
Desafios regionais e necessidade de soluções integradas
Do ponto de vista territorial, os participantes destacaram desafios como desertificação, escassez hídrica e eventos climáticos extremos, que afetam diretamente diferentes regiões da Bahia.
A complexidade desses fenômenos reforça a necessidade de soluções integradas e adaptadas às realidades locais. Nesse sentido, os comitês de bacias foram apontados como espaços fundamentais para a construção de respostas coletivas, capazes de equilibrar interesses diversos e promover o uso sustentável da água.
A articulação entre estados e instituições também foi destacada como elemento essencial para enfrentar problemas que ultrapassam limites geográficos e administrativos.
Encaminhamentos aprovados reforçam papel institucional dos comitês
Ao final da reunião, o Fórum Baiano de Comitês de Bacias Hidrográficas aprovou uma série de encaminhamentos com foco no fortalecimento institucional e na ampliação da participação social.
Entre as decisões, destacam-se:
- Convite a parlamentares federais para debater o Projeto de Lei nº 4.546/2021
- Divulgação ampliada das informações sobre o projeto, com objetivo de informar a sociedade
- Revisão dos regimentos internos dos comitês, com inclusão de diretrizes de equidade de gênero nas diretorias
- Criação de oficinas de capacitação, voltadas à reestruturação dos planejamentos estratégicos dos comitês e do próprio Fórum
As medidas buscam consolidar os comitês como instâncias centrais do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos, ampliando sua capacidade de resposta diante dos desafios contemporâneos.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




