BNDES aprova R$ 9,1 bilhões para a indústria da Bahia desde 2023, com foco em produtividade e apoio a pequenas empresas
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 9,1 bilhões para a indústria da Bahia desde 2023, dentro do Plano Mais Produção (P+P), instrumento de financiamento da política Nova Indústria Brasil (NIB). De acordo com os dados apresentados, a maior parte dos recursos no estado foi destinada ao eixo de produtividade, com R$ 8 bilhões, seguido por inovação (R$ 512 milhões), verde (R$ 350 milhões) e exportação (R$ 214 milhões). O volume aprovado para a Bahia integra um total de R$ 24,5 bilhões liberados para o Nordeste no mesmo período e reforça a estratégia federal de estimular modernização industrial, ampliação da produção e ganho de eficiência econômica.
Predomínio da produtividade concentra investimentos na Bahia
O recorte baiano mostra uma concentração expressiva de recursos no eixo de produtividade, o que indica prioridade para modernização de plantas industriais, aquisição de máquinas e equipamentos nacionais e expansão da capacidade produtiva. Esse desenho acompanha a lógica do Plano Mais Produção, que busca elevar a competitividade da indústria brasileira por meio de investimentos estruturantes.
Na Bahia, a predominância desse eixo também sugere uma tentativa de responder a gargalos históricos da atividade industrial, especialmente os ligados à necessidade de atualização tecnológica e aumento de eficiência. Em termos práticos, trata-se de uma política voltada não apenas à expansão física da indústria, mas à elevação do rendimento operacional das empresas.
Outro dado relevante é a participação das empresas de menor porte. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, 41% dos recursos aprovados na Bahia foram destinados a micro, pequenas e médias empresas, o que corresponde a R$ 3,7 bilhões. O dado reforça a presença de um componente de descentralização do crédito, tradicionalmente concentrado em grupos de maior porte.
BNDES prevê mais R$ 70 bilhões para a indústria nacional até dezembro de 2026
O banco informou que deverá destinar mais R$ 70 bilhões à Nova Indústria Brasil até dezembro de 2026, depois de ter alcançado, ainda em dezembro de 2025, a meta de R$ 300 bilhões em recursos voltados à política industrial. A nova etapa amplia o horizonte de financiamento para diferentes setores da economia e preserva o protagonismo do banco na estratégia industrial do governo federal.
A declaração de Mercadante enfatiza o papel do BNDES como instrumento de política pública voltado à formação de um setor produtivo “inovador, competitivo e sustentável”. No balanço apresentado, o banco associa os financiamentos da NIB a resultados em áreas como medicamentos, inteligência artificial, pesquisa e desenvolvimento, energia renovável, biocombustíveis e conectividade.
Segundo o presidente da instituição, as empresas que receberam recursos da NIB registraram ganho de produtividade de 27,83%. O indicador é apresentado como evidência do impacto econômico do programa, embora o texto divulgado não detalhe a metodologia utilizada para essa medição nem os critérios de comparação empregados no cálculo.
Resultados nacionais da política industrial
No plano nacional, os investimentos vinculados à Nova Indústria Brasil, desde 2023, foram associados ao desenvolvimento de 608 medicamentos, vacinas ou princípios ativos, à construção de 15 plantas pioneiras e de mais de 216 mil metros quadrados de laboratórios e centros de pesquisa e desenvolvimento. O balanço também menciona a aquisição de mais de 85 mil equipamentos e a destinação de R$ 4,7 bilhões a projetos de inteligência artificial, com a criação de 33,8 mil postos de trabalho.
No eixo ambiental, o BNDES informa que o financiamento ligado à agenda verde da NIB contribuiu para a retirada da atmosfera de 95,5 milhões de toneladas de CO2-equivalente, além do beneficiamento de 250 mil toneladas de lítio por ano, da ampliação da capacidade anual de produção de 2,3 milhões de metros cúbicos de etanol e da economia de 262 mil megawatts-hora de energia por ano.
Na frente de comércio exterior, o banco afirma que o apoio à exportação chegou a R$ 56 bilhões em três anos, volume equivalente ao dobro do verificado nos seis anos anteriores. O balanço registra ainda o financiamento de 493 mil máquinas e equipamentos nacionais e a expansão da conectividade para 781 mil lares, por meio do BNDES Fust.
Apoio alcança grandes empresas e MPMEs
Em âmbito nacional, os financiamentos da NIB foram distribuídos entre diferentes missões estratégicas. O maior volume foi destinado à Missão 4, de transformação digital da indústria, com R$ 84,6 bilhões. Em seguida aparecem a Missão 1, voltada a cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais, com R$ 76,9 bilhões, e a Missão 3, ligada à infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis, com R$ 63,1 bilhões.
Também receberam recursos a Missão 6, de tecnologias de interesse para soberania e defesa, com R$ 27,8 bilhões; a Missão 5, relacionada à bioeconomia, descarbonização e segurança energética, com R$ 27 bilhões; e a Missão 2, do complexo econômico-industrial da saúde resiliente, com R$ 7,9 bilhões. Além dos financiamentos, a subsidiária BNDESPAR aprovou R$ 12,6 bilhões em investimentos via fundos.
No recorte por porte empresarial, o banco informou que R$ 111,8 bilhões foram destinados a micro, pequenas e médias indústrias, em 157,2 mil operações, enquanto R$ 175,6 bilhões atenderam indústrias de grande porte, em 22.417 operações. Os números mostram ampla diferença no valor médio por operação, ao mesmo tempo em que revelam forte presença das MPMEs em quantidade de contratos.
Como funciona o Plano Mais Produção
O Plano Mais Produção está organizado em quatro eixos principais: inovação, verde, exportação e produtividade. No eixo de produtividade, concentram-se operações de financiamento voltadas à modernização industrial, compra de máquinas e equipamentos nacionais, ampliação do parque fabril, expansão da banda larga e apoio ao aumento de produtividade de micro, pequenas e médias empresas por meio do Programa Brasil Mais Produtivo.
No eixo de inovação, os recursos são direcionados a investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de plantas pioneiras e difusão tecnológica. Já o eixo de exportação reúne operações de apoio à venda externa de bens produzidos no Brasil, enquanto o eixo verde concentra financiamentos apoiados por recursos do Fundo Clima, destinados à indústria.
O BNDES também informou manter, em seu site, uma plataforma com dados sobre o volume e a quantidade de projetos aprovados desde 2023, bem como o montante desembolsado. A ferramenta permite consultas por eixo, porte empresarial, forma de apoio, região e estado, inclusive com recurso de georreferenciamento.
Impacto na Bahia e no Nordeste
No contexto regional, a Bahia aparece como um dos principais destinos dos recursos aprovados no Nordeste. O montante de R$ 9,1 bilhões coloca o estado em posição de relevância dentro da política industrial em curso, sobretudo por seu peso econômico, diversidade produtiva e papel estratégico nas cadeias industriais do Nordeste.
O foco em produtividade, contudo, sugere que a prioridade imediata não está apenas na abertura de novas frentes industriais, mas no fortalecimento da estrutura já existente. Essa orientação pode favorecer setores que já possuem alguma base instalada e capacidade de absorver investimentos em modernização, tecnologia e expansão operacional.
Ao mesmo tempo, a destinação de recursos para inovação, exportação e economia verde indica uma tentativa de articular crescimento industrial com transição tecnológica e inserção internacional. Ainda que os valores desses eixos sejam inferiores ao da produtividade na Bahia, sua presença mostra uma estratégia de financiamento com múltiplas frentes.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




