BRB tratou compra de carteiras do Banco Master como estratégia para aquisição, aponta relatório interno e investigação da PF

A revelação de documentos internos do Banco de Brasília por reportagem do site Metrópoles, nesta segunda-feira (20/04/2026), trouxe novos elementos sobre a atuação da diretoria da instituição na compra de carteiras de crédito do Banco Master. Segundo relatório obtido pela imprensa e fundamentado em investigação da Polícia Federal, as aquisições foram tratadas como parte de um “objetivo estratégico” vinculado ao chamado Projeto Vértice, que visava à incorporação do Master ao conglomerado do banco público. As operações ocorreram mesmo diante de alertas técnicos sobre irregularidades nos ativos adquiridos.

Estratégia de aquisição e expansão

As compras de carteiras tiveram início em julho de 2024 e se intensificaram ao longo de 2025, especialmente entre março e julho, período em que o BRB buscava aprovação do negócio junto ao Banco Central. Documentos internos indicam que a diretoria orientava áreas técnicas a identificar novas carteiras para aquisição, reforçando a centralidade dessa estratégia no planejamento institucional.

Uma nota executiva assinada por diferentes áreas do banco, em maio de 2025, destaca que a aquisição de ativos do Banco Master era considerada fundamental para o cumprimento dos objetivos estratégicos definidos pela administração. O documento menciona explicitamente o alinhamento das operações ao Projeto Vértice, evidenciando a articulação institucional para viabilizar a operação.

Além disso, as transações eram estruturadas em valores fracionados, limitados a R$ 750 milhões por operação, com o objetivo de evitar a necessidade de aprovação pelo Conselho de Administração, conforme apontam os documentos. Essa prática sugere um modelo operacional voltado à aceleração das aquisições.

Alertas ignorados e irregularidades nos ativos

Apesar da estratégia definida, relatórios internos do próprio BRB já apontavam problemas relevantes nas carteiras adquiridas. Parte dos ativos não correspondia ao crédito consignado previsto contratualmente, sendo substituída por operações de natureza diversa, inclusive de terceiros.

Outras inconsistências incluíam:

  • Ausência de lastro adequado
  • Falta de acesso ao sistema de averbação
  • Inexistência de relatórios de auditoria
  • Descumprimento de cláusulas contratuais

Mesmo diante dessas evidências, os documentos indicam que a diretoria manteve a decisão de prosseguir com novas aquisições, justificando-as pela necessidade de avançar no Projeto Vértice.

Investigação da Polícia Federal e decisão judicial

A investigação da Polícia Federal aponta que a condução das operações foi marcada por “pressa anormal” e flexibilização de controles internos. Segundo a representação que embasou a prisão preventiva do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, havia priorização de pagamentos imediatos, alterações contratuais sucessivas e desconsideração de pareceres técnicos contrários.

A decisão judicial, assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, destaca que houve reiterada atuação funcional voltada à manutenção das operações, mesmo diante de indícios de irregularidades. O documento menciona ainda relatos de clientes que sequer reconheciam os contratos atribuídos a eles, indicando possível fraude sistêmica.

Indícios de fraude e operações financeiras suspeitas

Entre os episódios investigados, destaca-se a compra duplicada de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) no valor de R$ 500 milhões. O recurso, segundo a apuração, não chegou à empresa supostamente beneficiária, sendo direcionado a um fundo de investimento vinculado à estrutura investigada.

A Polícia Federal aponta um modelo recorrente de operação: recursos eram transferidos sob a forma de empréstimos, redirecionados a fundos e posteriormente desviados, sem retorno ao sistema financeiro formal. Esse padrão reforça a hipótese de utilização das operações para fins alheios à atividade bancária regular.

Relatórios internos do BRB também associam essas operações ao Projeto Vértice, evidenciando que mesmo transações com elevado risco estavam inseridas no contexto da estratégia institucional de aquisição do Banco Master.

*Com informações do site Metrópoles.

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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