Câmara Municipal de Feira de Santana presta homenagem às vítimas de terremoto na Venezuela e realiza minuto de silêncio por três falecidos

A Câmara Municipal de Feira de Santana realizou, ao final da sessão da terça-feira (30/06/2026), um minuto de silêncio em homenagem a três pessoas falecidas e em solidariedade às vítimas do terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho de 2026. A iniciativa reuniu requerimentos apresentados por diferentes vereadores e ocorreu em meio ao agravamento da crise humanitária provocada pelos dois terremotos registrados no país vizinho.

A homenagem contemplou Zélia Mendes, Ocimar Aquilino de Souza Oliveira e Taiane de Almeida Mota, além das milhares de vítimas do desastre natural. Durante a sessão, parlamentares destacaram o caráter institucional da manifestação de respeito às famílias enlutadas e de solidariedade à população venezuelana.

Enquanto o Legislativo feirense prestava homenagem, autoridades internacionais e equipes de resgate seguiam atuando na Venezuela, onde o número de mortos, desaparecidos e pessoas desalojadas continua aumentando após os tremores de magnitude 7,2 e 7,5.

Câmara homenageia moradores de Feira de Santana e vítimas do terremoto

O minuto de silêncio foi realizado ao encerramento da sessão ordinária da Câmara Municipal. A homenagem a Zélia Mendes foi proposta pelo vereador Lulinha da Gente (União). Ela era irmã da assessora parlamentar Elizama Mendes e faleceu no dia 27 de junho.

Já a homenagem ao pastor evangélico e professor Ocimar Aquilino de Souza Oliveira, falecido no dia 29 de junho, foi requerida pelo vereador Edvaldo Lima (União).

Também foram homenageadas Taiane de Almeida Mota, por iniciativa da vereadora Lu de Ronny (PV), e as vítimas do terremoto na Venezuela, em requerimento apresentado pelo vereador Eli Ribeiro (Republicanos).

Número de mortos aumenta uma semana após os terremotos

Uma semana após os terremotos registrados em 24 de junho de 2026, a Venezuela continua contabilizando os impactos da tragédia. O balanço mais recente aponta 1.943 mortos, cerca de 50 mil desaparecidos e aproximadamente 59 mil edifícios danificados ou destruídos.

As áreas mais afetadas concentram-se no estado de La Guaira, próximo à capital Caracas, onde milhares de pessoas permanecem desalojadas e enfrentam dificuldades para obter alimentos, água potável e produtos básicos.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades e por organismos internacionais, 6.461 pessoas foram resgatadas desde o início das operações, embora as chances de localizar sobreviventes diminuam com o passar dos dias.

Famílias participam das buscas por desaparecidos

Na cidade de Caraballeda, familiares seguem procurando parentes desaparecidos entre os escombros. Muitos afirmam que participam diretamente das buscas enquanto aguardam apoio das equipes especializadas.

Juan Rodriguez procura a irmã, Dayana, desaparecida após o desabamento do edifício onde morava. Segundo ele, dez corpos já foram retirados do local e apenas ela permanece desaparecida.

Em outro ponto da cidade, Valeria, moradora de Caracas, busca recuperar o corpo do pai, que havia se mudado para a região litorânea dois dias antes dos terremotos. Ela adquiriu equipamentos para auxiliar na remoção dos escombros e afirmou que pretende garantir um sepultamento para o familiar.

Operações concentram retirada de corpos

Mais de 2 mil socorristas, enviados por cerca de 30 países, continuam atuando nas áreas atingidas. Conforme informou o coordenador da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla Del Tindaro, as operações passaram a priorizar a retirada de corpos, diante da redução das possibilidades de encontrar sobreviventes.

O presidente da organização francesa Solife, Christophe Moreau, afirmou que diversos edifícios sofreram colapsos estruturais completos, dificultando o acesso das equipes e reduzindo significativamente as perspectivas de localizar pessoas com vida.

Os trabalhos também enfrentam riscos constantes devido à possibilidade de novos tremores e à instabilidade das estruturas remanescentes, exigindo protocolos permanentes de segurança durante as escavações.

Infraestrutura danificada dificulta resposta humanitária

Os danos provocados pelos terremotos afetaram aeroportos, estradas e outras estruturas essenciais, atrasando o deslocamento das equipes internacionais de resgate e de ajuda humanitária.

O governo brasileiro informou que enviou quatro voos humanitários à Venezuela e mantém contato com as autoridades venezuelanas para avaliar novas necessidades de assistência.

Mesmo diante das dificuldades logísticas, equipes internacionais continuam chegando às regiões afetadas para apoiar operações de resgate, atendimento médico e distribuição de suprimentos.

ONU alerta para escassez de alimentos e risco de epidemias

Além das perdas humanas, cresce a preocupação com as condições enfrentadas pelos sobreviventes. A ONU alertou, na terça-feira (30/06/2026), para a escassez generalizada de alimentos, o comprometimento dos serviços básicos e o risco de surtos de doenças.

Em La Guaira, caminhões da organização World Central Kitchen, além de voluntários e veículos particulares, distribuem água, alimentos e produtos de higiene para moradores desalojados.

Moradores relataram depender das doações para garantir alimentação e itens essenciais enquanto permanecem em abrigos improvisados ou em casas de familiares.

Profissionais de saúde ampliam atendimento às vítimas

Equipes médicas e voluntários também reforçaram a assistência à população afetada. A médica Kerlis Artigas participou da criação da Brigada Rosa, grupo formado por profissionais de diversas especialidades para prestar atendimento clínico e distribuir medicamentos.

Entre os principais problemas observados nos acampamentos estão hipertensão, crises nervosas, desidratação, febre e problemas respiratórios, segundo os profissionais que atuam na região.

Veterinários também passaram a integrar a resposta humanitária. O profissional Jesús Pérez coordena ações voltadas ao atendimento de animais de estimação e à identificação de cães e gatos resgatados para facilitar o reencontro com seus proprietários.

*Com informações da RFI.

Redação do Jornal Grande Bahia

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