Dia Mundial da Fotografia: Feira de Santana celebra 200 anos de história, memória e preservação cultural
A fotografia completa 200 anos em 2026, marco lembrado nesta quarta-feira (19/08/2026), Dia Mundial da Fotografia. Em Feira de Santana, a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer utiliza a data para destacar a importância dos registros fotográficos na documentação da história, da cultura e das transformações sociais do município.
A origem da fotografia está associada aos experimentos realizados pelo francês Joseph Nicéphore Niépce na década de 1820. Em 1826, Niépce produziu uma das primeiras imagens fotográficas permanentes conhecidas, em um processo que abriu caminho para o desenvolvimento posterior da fotografia. A UNESCO também registra Niépce como inventor e responsável por lançar as bases de uma nova linguagem visual.
Ao longo de dois séculos, a fotografia passou de uma experiência ligada à ciência e à experimentação técnica para diferentes campos de utilização. Arte, jornalismo, documentação, pesquisa, memória e preservação cultural passaram a integrar o universo fotográfico, fazendo da imagem um registro de acontecimentos, pessoas, lugares e práticas sociais.
Fotografia transforma memória em documento
Uma fotografia pode registrar aspectos de uma sociedade que posteriormente serão modificados ou desaparecerão. Ruas, construções, paisagens, manifestações culturais, atividades econômicas e acontecimentos cotidianos podem ser preservados visualmente por meio dos registros produzidos em determinado período.
Esse caráter documental também permite estabelecer relações entre diferentes momentos históricos. Fotografias antigas podem ser comparadas com imagens atuais para identificar mudanças urbanas, arquitetônicas, sociais e culturais ocorridas ao longo das décadas.
A fotografia também se tornou parte de acervos destinados à preservação da memória coletiva. A própria UNESCO mantém registros de importantes coleções fotográficas, incluindo a Coleção Thereza Christina Maria, formada por mais de 21 mil fotografias do século XIX e incorporada à Biblioteca Nacional brasileira.
Feira de Santana e a preservação da memória visual
Em Feira de Santana, os registros fotográficos acompanham as transformações pelas quais o município passou. Imagens de ruas, praças, igrejas, mercados, edifícios, manifestações culturais e personagens ajudam a documentar diferentes períodos da história local.
A fotografia permite que espaços modificados ou que já não existem possam ser conhecidos por meio dos registros produzidos no passado. O mesmo ocorre com costumes, eventos e manifestações culturais que sofreram alterações ao longo do tempo.
Nesse contexto, fotógrafos e fotógrafas contribuem para a construção de um acervo visual do município, seja por meio de trabalhos profissionais, registros jornalísticos, produções artísticas, pesquisas ou documentação do cotidiano.
Imagem também registra transformações urbanas
O crescimento e a transformação de Feira de Santana podem ser observados por meio de fotografias produzidas em diferentes épocas. Alterações na ocupação urbana, na arquitetura e nos espaços de convivência tornam os registros fotográficos fontes para compreender a evolução da cidade.
Uma fotografia de determinado período pode mostrar não apenas uma construção ou uma rua, mas também formas de circulação, hábitos, relações sociais e características da paisagem urbana.
A preservação desses registros amplia as possibilidades de pesquisa sobre o município. Fotografias mantidas em arquivos públicos, coleções particulares, acervos familiares e instituições culturais podem contribuir para reconstruir aspectos da história local.
Fotografia reúne arte, informação e documentação
A fotografia ocupa diferentes funções na sociedade contemporânea. No jornalismo, é utilizada para documentar acontecimentos e complementar informações textuais. Na pesquisa histórica, pode servir como fonte documental. Na produção artística, constitui uma forma de expressão visual.
Também está presente na preservação do patrimônio. Registros produzidos antes de reformas, demolições ou alterações de edificações podem documentar características que posteriormente deixam de existir.
A UNESCO destaca historicamente a importância da fotografia para informação, educação, ciência, arte e documentação, além de seu papel na construção da memória visual.
Dois séculos de evolução tecnológica
Desde os primeiros processos desenvolvidos no século XIX, a fotografia passou por sucessivas transformações técnicas. O desenvolvimento de novos materiais, câmeras, filmes, processos de revelação e, posteriormente, tecnologias digitais modificou a maneira como as imagens são produzidas e armazenadas.
A transição para a fotografia digital ampliou a quantidade de imagens produzidas e facilitou sua reprodução, distribuição e armazenamento. Atualmente, câmeras digitais e dispositivos móveis permitem que a produção fotográfica faça parte da rotina de grande parcela da população.
Apesar das mudanças tecnológicas, permanece a função básica de registrar visualmente um momento, uma pessoa, um lugar ou um acontecimento.
Fotografia como patrimônio cultural
A preservação de fotografias exige cuidados relacionados à conservação física dos materiais e à digitalização dos acervos. Fotografias antigas podem sofrer deterioração por fatores como umidade, temperatura, exposição à luz e condições inadequadas de armazenamento.
A digitalização permite ampliar o acesso aos acervos e criar cópias para pesquisa e consulta, embora também exija estratégias próprias de preservação dos arquivos digitais.
A experiência da UNESCO com coleções fotográficas demonstra como esses registros podem adquirir valor documental e histórico. A Coleção Thereza Christina Maria, por exemplo, foi reconhecida pelo Programa Memória do Mundo e reúne imagens que documentam aspectos da sociedade brasileira e de outros países no século XIX.
Feira de Santana destaca fotógrafos e produtores de memória
Ao marcar o Dia Mundial da Fotografia, a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Feira de Santana presta homenagem aos profissionais, artistas, pesquisadores, estudantes e demais pessoas envolvidas com a produção fotográfica.
A iniciativa também chama atenção para a importância dos registros produzidos no município. Fotografias podem contribuir para a preservação da identidade cultural e para o conhecimento das diferentes etapas de desenvolvimento da cidade.
A celebração dos 200 anos, portanto, relaciona a trajetória da fotografia à necessidade de preservar imagens que permitam às futuras gerações conhecer diferentes períodos da história de Feira de Santana.
19 de agosto marca o Dia Mundial da Fotografia
O 19 de agosto é celebrado internacionalmente como Dia Mundial da Fotografia. A data está associada à apresentação pública do processo do daguerreótipo na França, em 1839, um dos marcos do desenvolvimento histórico da fotografia.
Em 2026, a celebração ganha como referência os 200 anos dos experimentos pioneiros de Niépce, realizados na década de 1820. A trajetória entre esses primeiros processos e a fotografia digital atual representa uma transformação tecnológica que modificou a produção, a circulação e a preservação das imagens.
Para Feira de Santana, a data também oferece uma oportunidade de destacar o papel dos acervos fotográficos na preservação da memória urbana e cultural. Fotografar, nesse sentido, não significa apenas produzir uma imagem do presente, mas também criar um registro que poderá ser utilizado para compreender o passado.
Redação do Jornal Grande Bahia




