Ex-ministro Rui Costa chama Hospital Municipal de Salvador de “porta fechada”, cobra emergência em Cajazeiras e critica gestão municipal de Bruno Reis
O ex-governador da Bahia, ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado Rui Costa (PT) criticou, nesta quarta-feira, 15/07/2026, durante plenária do Programa de Governo Participativo (PGP 2026) realizada em Cajazeiras, o modelo de atendimento do Hospital Municipal de Salvador e a oferta de serviços públicos da Prefeitura na região. Diante de moradores e lideranças políticas reunidos na Quadra da Paróquia Santa Mônica, o petista classificou a unidade hospitalar como de “porta fechada”, cobrou uma estrutura municipal de urgência e emergência para um território com aproximadamente 300 mil habitantes e estendeu as críticas às áreas de educação infantil e Ensino Fundamental.
Rui Costa questiona acesso ao Hospital Municipal de Salvador
A principal crítica de Rui Costa concentrou-se na forma de acesso ao Hospital Municipal de Salvador, situado em Boca da Mata, área integrante do Distrito Sanitário de Cajazeiras. Segundo o ex-ministro, moradores que procuram diretamente a unidade em situações de urgência não encontram uma porta de entrada semelhante à oferecida pelas unidades de pronto atendimento.
“Apesar de estar em uma região com cerca de 300 mil habitantes, o hospital é de porta fechada.”
A expressão utilizada pelo pré-candidato não significa que o hospital esteja sem funcionar, mas se refere à ausência, segundo ele, de atendimento espontâneo e irrestrito para pacientes que chegam diretamente à unidade. O debate envolve, portanto, o modelo de acesso, os critérios de regulação e a existência de serviços municipais capazes de receber a demanda imediata dos moradores.
Informações divulgadas pela Secretaria Municipal da Saúde registram que o Hospital Municipal possui 210 leitos, dos quais 180 são de enfermaria e 30 de terapia intensiva adulta e pediátrica. A administração municipal também já informou que a unidade mantém serviços hospitalares, cirúrgicos e de urgência e emergência.
Um relatório oficial da Prefeitura referente a 2020 registrou que, durante a pandemia de Covid-19, a porta de entrada do hospital foi reorganizada para receber exclusivamente pacientes encaminhados por unidades de pronto atendimento ou por outros hospitais. A medida, adotada naquele contexto excepcional, priorizava casos de maior complexidade e pacientes regulados.
Dessa forma, a controvérsia levantada por Rui Costa não se limita à existência física ou ao funcionamento interno do hospital. O ponto central é saber se os moradores de Cajazeiras dispõem de acesso direto e territorialmente próximo a um equipamento municipal de urgência e emergência, sem depender previamente de regulação ou deslocamento para outras regiões da capital.
Ex-governador cobra UPA e emergência municipal em Cajazeiras
Durante o discurso, Rui Costa afirmou que a região de Cajazeiras, formada por bairros como Boca da Mata, Fazenda Grande, Águas Claras e Dom Avelar, não dispõe de uma Unidade de Pronto Atendimento mantida pela Prefeitura com capacidade para receber diretamente a população local.
“Aqui tem 300 mil habitantes. Aqui tem emergência da Prefeitura? Não. Aqui tem UPA da Prefeitura? Não. Tem unidade de emergência da Prefeitura? Não.”
O ex-governador comparou Salvador a capitais nordestinas como Recife e Fortaleza e sustentou que a Prefeitura da capital baiana deveria assumir participação mais ampla na assistência hospitalar e no atendimento emergencial. Na avaliação apresentada por ele, a estrutura municipal disponível não corresponde ao tamanho da população e à intensidade da demanda existente no chamado Miolo de Salvador.
Rui atribui ao Governo da Bahia manutenção de quatro unidades
Rui Costa afirmou que o Governo do Estado mantém quatro equipamentos de saúde na região de Cajazeiras e em seu entorno, incluindo hospitais, maternidade e unidades de emergência. No trecho do discurso apresentado, ele não enumerou individualmente todos os serviços mencionados.
“As duas emergências aqui dessa região são do Governo do Estado da Bahia.”
Entre os equipamentos estaduais historicamente vinculados ao território estão o Hospital Professor Eládio Lasserre, conhecido como Hospital de Cajazeiras, a Maternidade Albert Sabin e a Unidade de Emergência de Cajazeiras VIII. Registros estaduais também demonstram a presença desses serviços na rede pública da capital.
O Hospital Professor Eládio Lasserre recebeu, durante o governo Rui Costa, novos leitos de terapia intensiva e foi estruturado como referência assistencial para a população de Cajazeiras e bairros próximos. A ampliação ocorreu em 2017, quando foram entregues dez leitos de UTI.
Críticas alcançam gestões de ACM Neto e Bruno Reis
Rui Costa também direcionou críticas ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), que havia participado de uma agenda política recente em Cajazeiras. Em tom irônico, o petista afirmou que o encontro do adversário teve “mais câmeras do que gente”.
O ex-ministro relacionou a situação atual dos serviços públicos às gestões consecutivas de ACM Neto, que governou Salvador entre 2013 e 2020, e de seu sucessor político, o prefeito Bruno Reis, atualmente à frente do Executivo municipal. A administração de Bruno Reis permanece responsável pela gestão da rede municipal de saúde e pela definição dos investimentos territoriais da capital.
“Ele falou que ia contratar vaga em hospital particular. Eu pergunto a vocês: ele governou oito anos esta cidade e o sócio dele governa há seis.”
A declaração foi apresentada como resposta às propostas defendidas por ACM Neto para a saúde. Rui questionou por que medidas anunciadas atualmente não foram adotadas durante os dois mandatos do ex-prefeito e sustentou que os bairros populares continuaram dependentes de estruturas mantidas pelo Governo da Bahia.
Debate sobre saúde já havia sido levado a outra plenária
As declarações em Cajazeiras dão continuidade a críticas feitas por Rui Costa no domingo, 12/07, durante uma plenária do PGP realizada em Bom Jesus da Lapa. Na ocasião, ele comparou a capacidade do Hospital Municipal de Salvador à estrutura de hospitais mantidos por cidades do interior e cobrou a implantação de uma UPA municipal na região de Cajazeiras.
Na manifestação anterior, o ex-ministro também questionou o número de leitos da principal unidade hospitalar municipal da capital. Dados oficiais indicam que o hospital dispõe de 210 leitos, número ligeiramente superior aos cerca de 200 mencionados pelo petista.
Rui Costa critica oferta municipal no Ensino Fundamental
Na área educacional, Rui Costa afirmou que aproximadamente 70 mil estudantes de Salvador matriculados nos anos finais do Ensino Fundamental são atendidos pela rede estadual. Segundo ele, essa presença do Estado demonstra que a Prefeitura não absorve integralmente a demanda correspondente ao Fundamental II.
A afirmação foi utilizada para sustentar a tese de que o Governo da Bahia assume atribuições que deveriam receber maior participação do Município. O número apresentado no discurso, entretanto, deve ser confrontado com os dados detalhados do Censo Escolar, especialmente quanto à etapa de ensino, ao tipo de matrícula e à distribuição dos estudantes por rede.
Creches comunitárias entram no centro da discussão
Rui Costa também afirmou que Cajazeiras não possui oferta municipal de creches compatível com o tamanho de sua população e destacou o trabalho desenvolvido por mais de 150 instituições comunitárias em Salvador.
“A região não possui creches municipais, e as creches comunitárias exercem um papel essencial para garantir o atendimento às crianças.”
Dados da Secretaria Municipal da Educação demonstram a importância dessas organizações na oferta da educação infantil. Em 2024, a Prefeitura formalizou 160 termos de colaboração com escolas comunitárias, confessionais e filantrópicas, responsáveis pelo atendimento de 24.245 crianças de zero a cinco anos em toda a capital.
Plenária reúne lideranças estaduais e nacionais
A atividade em Cajazeiras foi liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues e integrou a etapa de Salvador do PGP 2026, processo de escuta organizado pelo grupo governista para reunir propostas destinadas ao programa eleitoral. A iniciativa havia iniciado seus encontros na capital em junho, após percorrer diferentes territórios de identidade da Bahia.
Participaram da plenária o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o presidente nacional do PT, Edinho Silva; o secretário nacional de Comunicação da legenda, Éden Valadares; o senador Jaques Wagner; e o vice-governador Geraldo Júnior, além de parlamentares, dirigentes partidários e pré-candidatos às eleições proporcionais.
Boulos ocupa a Secretaria-Geral da Presidência desde outubro de 2025. Edinho Silva preside nacionalmente o PT, enquanto Éden Valadares responde pela área de comunicação da sigla. Jerônimo Rodrigues e Geraldo Júnior permanecem, respectivamente, nos cargos de governador e vice-governador da Bahia.
A presença conjunta dessas lideranças conferiu dimensão eleitoral ao encontro. Além da escuta das demandas locais, a plenária serviu para reforçar a unidade do grupo político em torno das pré-candidaturas de Jerônimo Rodrigues, Geraldo Júnior, Rui Costa e Jaques Wagner.
Linha do tempo
- 2017: Governo da Bahia entrega dez leitos de UTI no Hospital Professor Eládio Lasserre, em Cajazeiras.
- 2020: relatório municipal registra reorganização da entrada do Hospital Municipal para pacientes regulados durante a pandemia de Covid-19.
- 2024: Salvador formaliza 160 parcerias com escolas comunitárias, confessionais e filantrópicas para atender 24.245 crianças na educação infantil.
- 09/06/2026: PGP 2026 inicia etapa de encontros territoriais em Salvador, com atividade no Subúrbio Ferroviário.
- 12/07/2026: Rui Costa critica a capacidade e o modelo de acesso do Hospital Municipal durante plenária em Bom Jesus da Lapa.
- 15/07/2026: em Cajazeiras, o ex-governador repete a cobrança por emergência municipal, questiona a atuação da Prefeitura e inclui educação e creches no debate.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




