Exército Brasileiro conduz primeiro exercício de defesa cibernética com exércitos sul-americanos
O Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro sediou o primeiro Exercício de Defesa Cibernética da Rede de Cooperação entre Exércitos Sul-Americanos (Recesa), iniciativa voltada ao enfrentamento conjunto de ameaças no ambiente digital. A atividade reuniu representantes de países sul-americanos para discutir procedimentos e respostas diante de incidentes cibernéticos.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (16/09/2026), o Exército informou que o treinamento trabalhou com cenários hipotéticos de alta complexidade, incluindo situações de espionagem, ataques com uso de inteligência artificial e tentativas de comprometimento de infraestruturas críticas e serviços essenciais.
Coordenado pelo Estado-Maior do Exército, o exercício teve como finalidade promover o intercâmbio de conhecimentos entre as delegações participantes e contribuir para o aumento do nível de segurança das infraestruturas consideradas críticas no continente. Cada país apresentou procedimentos técnicos e rotinas de atuação aplicáveis aos níveis político, estratégico e operacional.
Exercício aborda ameaças digitais e infraestruturas críticas
A programação considerou diferentes possibilidades de incidentes no ambiente cibernético, incluindo o emprego de inteligência artificial em ataques digitais e ações direcionadas a estruturas essenciais para o funcionamento de serviços. A utilização de cenários simulados permitiu às delegações discutir procedimentos de identificação, análise e resposta.
O intercâmbio também envolveu a apresentação das metodologias utilizadas por cada país. A proposta foi permitir que os participantes conhecessem diferentes formas de organização e atuação diante de ameaças digitais, considerando os níveis de decisão e resposta empregados pelas respectivas forças terrestres.
Segundo o Exército, a iniciativa busca contribuir para a proteção de infraestruturas críticas e para o aprimoramento da capacidade de atuação coordenada entre os países sul-americanos. A cooperação envolve tanto a troca de informações quanto a identificação de demandas relacionadas à segurança no espaço digital.
Recesa amplia cooperação entre Exércitos da América do Sul
A Rede de Cooperação entre Exércitos Sul-Americanos (Recesa) promove a articulação entre forças terrestres da região desde 2023. O exercício de defesa cibernética representou a primeira atividade conjunta da rede especificamente voltada ao domínio digital.
Entre os objetivos da cooperação estão o mapeamento de demandas digitais, a troca de informações estratégicas e o aumento da agilidade na resposta a incidentes cibernéticos. A atuação integrada considera que ameaças digitais podem atingir estruturas e serviços que ultrapassam fronteiras nacionais.
A iniciativa também está relacionada às diretrizes do Projeto Força 40, programa que orienta a preparação da Força Terrestre brasileira para os desafios previstos até 2040. Nesse contexto, a defesa cibernética integra o processo de modernização das capacidades militares.
Ambiente cibernético é tratado como domínio estratégico
De acordo com o Exército Brasileiro, a atividade faz parte das ações de modernização militar baseadas no conceito de operações multidomínio. A abordagem considera diferentes ambientes de atuação de forma integrada, incluindo o espaço cibernético.
Nesse modelo, o ambiente digital é tratado como um teatro de operações estratégico, devido à possibilidade de ataques comprometerem sistemas, redes de comunicação, infraestruturas e serviços essenciais. A preparação para esses cenários passa pelo desenvolvimento de capacidades técnicas e pela coordenação entre estruturas de defesa.
O primeiro exercício da Recesa dedicado à defesa cibernética também reforça a dimensão regional da cooperação. Ao reunir procedimentos e experiências de diferentes Exércitos sul-americanos, a iniciativa busca estabelecer referências comuns para o enfrentamento de ameaças digitais e ampliar a capacidade de resposta coordenada.
A atividade conduzida pelo Exército Brasileiro ocorre em um contexto de crescente incorporação de tecnologias digitais às estruturas militares e de defesa. O treinamento conjunto permite que os países participantes avaliem cenários simulados e compartilhem métodos de atuação diante de incidentes que possam afetar infraestruturas críticas.
*Com informações da Sputnik News.
Redação do Jornal Grande Bahia




