Prefeito José Ronaldo reage a abordagem sem cordialidade aparente, identificação profissional e apresentação prévia do tema durante agenda em Cachoeira
Neste sábado (22/08/2026), durante caminhada do candidato ao Governo da Bahia ACM Neto, em Cachoeira, o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, pareceu reagir a uma abordagem marcada, segundo a leitura das imagens e a versão apresentada pela Prefeitura de Feira de Santana (PMFS), pela ausência de cordialidade jornalística, de identificação profissional claramente perceptível e de uma apresentação prévia sobre o veículo, o entrevistador e o tema sobre o qual se pretendia obter esclarecimentos do gestor.
Após declarar “Com seu blog eu não falo”, José Ronaldo afastou o microfone e encerrou a tentativa de entrevista. A reação passou a ser descrita por algumas publicações como agressiva, enquanto a Prefeitura sustenta que houve apenas uma recusa diante de uma abordagem considerada inadequada, circunstância que coloca no centro do debate os limites da insistência jornalística, o direito de recusa e a necessidade de civilidade, identificação e transparência na interlocução entre imprensa e agentes públicos.
Ao longo de sua trajetória pública, José Ronaldo de Carvalho tem mantido uma relação regular de interlocução com a imprensa, concedendo entrevistas, participando de programas de rádio, televisão e outros espaços jornalísticos, além de responder a questionamentos sobre temas administrativos, políticos e institucionais. Esse histórico de disponibilidade para o diálogo ajuda a contextualizar o episódio ocorrido em Cachoeira, já que uma recusa pontual a determinado entrevistador ou meio de comunicação não caracteriza, por si só, uma postura de hostilidade à atividade jornalística.
Segundo a Prefeitura de Feira de Santana (PMFS), o prefeito sempre pautou sua relação com profissionais e veículos de comunicação pela cordialidade, pelo respeito e pela disposição de prestar esclarecimentos, inclusive diante de críticas e questionamentos sobre sua gestão, conduta que, de acordo com a administração municipal, permanece presente no atual mandato.
José Ronaldo afirmou que não concederia entrevista
No vídeo, José Ronaldo responde de forma direta:
“Com seu blog eu não falo.”
Na sequência, afasta o microfone que permanecia próximo ao seu rosto.
A Nota de Esclarecimento da PMFS sustenta que não houve agressão e afirma que o gesto representou apenas o encerramento da tentativa de entrevista.
Segundo a Prefeitura, o prefeito decidiu não falar com aquele meio de comunicação em razão da maneira como avalia a cobertura de sua administração, que considera “pejorativa, tendenciosa e desrespeitosa”.
Episódio também deve ser observado pela perspectiva do constrangimento
A liberdade de imprensa assegura ampla possibilidade de questionamento aos agentes públicos. Perguntas incômodas, críticas ou insistentes integram a atividade jornalística. Isso não significa, entretanto, que uma entrevista seja compulsória.
Entrevistas dependem de um ambiente mínimo de cordialidade, civilidade e respeito recíproco. Uma autoridade pode ser questionada e criticada, mas também pode declarar que não deseja conceder entrevista a determinado profissional ou veículo.
Depois de uma negativa explícita, torna-se legítimo questionar até que ponto a continuidade da aproximação física com microfone e câmera permanece dentro dos limites de uma abordagem jornalística normal ou passa a produzir constrangimento indevido ao entrevistado.
O direito de perguntar não corresponde a um direito de obrigar alguém a responder. Da mesma forma, uma recusa não autoriza a autoridade a impedir a divulgação da pergunta ou a retaliar quem realizou a abordagem. O equilíbrio está justamente nessa reciprocidade.
Pergunta estava relacionada à denúncia envolvendo a Sedur
A abordagem ocorreu no contexto das declarações feitas pelo vereador Galeguinho SPA sobre supostas cobranças irregulares relacionadas à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur).
Em 19/08/2026, o vereador declarou na Câmara Municipal que, como construtor, precisava “molhar a mão” de pessoas para conseguir determinadas providências relacionadas a obras.
José Ronaldo respondeu determinando a abertura de sindicância e cobrando a apresentação dos nomes dos possíveis envolvidos.
O prefeito afirmou que, se as irregularidades fossem comprovadas, os responsáveis seriam punidos.
Esse antecedente é relevante porque demonstra que a recusa à entrevista em Cachoeira não corresponde a uma recusa institucional de apurar a denúncia.
A investigação administrativa permanece como o principal ponto de interesse público.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




