PT e Fundação Perseu Abramo articulam rede nacional de comunicação para fortalecer Governo Lula e Eleições 2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) e a Fundação Perseu Abramo (FPA) promoveram, neste primeiro fim de semana de novembro de 2025, o Seminário Nacional CONECT@DOS – Formação Política e Comunicação, evento que consolidou a criação de uma estrutura nacional de comunicação voltada a proteger o governo Lula, fortalecer lideranças regionais e organizar a estratégia eleitoral para 2026.

Fortalecimento da estratégia partidária

O seminário reuniu os principais dirigentes e secretários de comunicação do partido de todos os estados, com o propósito de alinhamento estratégico e integração entre núcleos estaduais e nacionais. O encontro foi marcado por debates sobre comunicação digital, combate à desinformação e construção de narrativas políticas unificadas.

Entre os presentes estiveram Edinho Silva, presidente nacional do PT; Paulo Okamotto, presidente da Fundação Perseu Abramo; Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação; e Camila Moreno, secretária adjunta de Comunicação.

A programação incluiu também a participação das especialistas Olga Curado e Carina Martins, que discutiram o papel da comunicação na formação de quadros políticos, e de Tiago César Dantas, secretário-executivo da Secretaria de Comunicação da Presidência (SECOM) e filiado ao PT, convidado como especialista em mídia e estratégia digital.

Diretrizes para 2026: integração, narrativa e mobilização

Durante o evento, Edinho Silva destacou a necessidade de reaproximar o partido das bases sociais e do eleitorado, reforçando o discurso de continuidade do projeto político iniciado por Lula.

“Temos muito o que dialogar com a sociedade, demonstrar o que foi reconstruído pelo governo Lula e apresentar nosso projeto para o país na reeleição de 2026”, afirmou o dirigente.

Paulo Okamotto, por sua vez, enfatizou a meta de construir uma rede nacional de comunicação partidária para defender o governo e preparar o terreno eleitoral:

“Queremos montar uma rede poderosa para defender Lula, a democracia e projetar nossos líderes nos estados. O objetivo é vencer em 2026 com o presidente e eleger bancadas fortes no Congresso”, declarou.

Comunicação proativa e digitalizada

O secretário nacional de Comunicação, Éden Valadares, apresentou as novas diretrizes de atuação, afirmando que o partido deixará de atuar de forma reativa diante de ataques e passará a adotar uma estratégia proativa, com presença digital constante e segmentada.

Segundo Valadares, o plano busca “dominar os novos formatos e canais de comunicação, defendendo a verdade dos fatos e promovendo transparência permanente”, além de articular a militância digital em torno de uma narrativa central.

O dirigente também destacou que o combate à desinformação deixará de ser o foco exclusivo, tornando-se parte de uma arquitetura comunicacional mais ampla, voltada à comparação entre os resultados da atual gestão e o governo anterior.

Formação política e conteúdo orgânico

Entre as deliberações do seminário, ficou definido que os diretórios estaduais deverão criar núcleos de produção regionalizados de conteúdo audiovisual, com ênfase em redes sociais e aplicativos de mensagem, como WhatsApp e Telegram.

A proposta inclui capacitação de comunicadores e militantes, ampliação da formação política digital e integração direta com os canais oficiais da Fundação Perseu Abramo. O objetivo é transformar militantes e apoiadores em multiplicadores de conteúdo, fortalecendo a presença do partido no debate público.

Valadares sintetizou o novo conceito:

“Fazer comunicação de verdade exige apuração, tempo e compromisso com o povo. Uma política de comunicação que não seja humanista e comprometida com a classe trabalhadora corre o risco de se perder no personagem.”

Centralização e profissionalização da narrativa política

O movimento do PT e da Fundação Perseu Abramo revela uma estratégia de profissionalização e centralização da comunicação política, característica de partidos que buscam controle narrativo e coerência ideológica em períodos eleitorais decisivos.

A formação de uma “máquina de comunicação” com alcance nacional reforça a intenção de blindar o governo contra ataques e crises de imagem, além de construir um ambiente discursivo favorável à reeleição de Lula. Contudo, também levanta debates sobre os limites éticos entre comunicação partidária e institucional, especialmente quando envolve estruturas próximas ao governo federal.

A decisão reflete um padrão contemporâneo de campanhas permanentes, em que partidos mantêm a comunicação eleitoral ativa mesmo fora do período de campanha formal, numa disputa constante por atenção, engajamento e controle da narrativa pública.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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