Quem é Vladimir Queiroz, engenheiro químico, escritor e poeta feirense

Natural de Feira de Santana, o engenheiro químico, escritor e poeta Vladimir Queiroz da Silva consolidou uma trajetória marcada pela formação científica, pela atuação técnica na indústria do petróleo, pela produção literária reconhecida no Brasil e no exterior e por vínculos familiares ligados à educação, à cultura e à memória social feirense. Filho dos professores Hilário Dias da Silva e Marília Queiroz da Silva, ambos falecidos, Vladimir integra uma linhagem familiar associada à vida intelectual do município e mantém presença destacada na literatura baiana contemporânea.

Entre os familiares próximos de Vladimir estão sua esposa, a engenheira civil Mônica Oliveira Queiroz; os filhos Igor Oliveira Queiroz e Iago Oliveira Queiroz; a irmã Valentina Queiroz Silva; o cunhado José Marcelo Evangelista Silva; e a sobrinha Marília Queiroz Silva. A configuração familiar evidencia laços que articulam educação, literatura, engenharia, medicina, empreendedorismo e jornalismo.

Origem familiar e vínculos com Feira de Santana

Vladimir Queiroz da Silva nasceu em 9 de dezembro de 1962, em Feira de Santana, município com o qual mantém vínculos afetivos, familiares e culturais. Sua trajetória pessoal foi influenciada pelo ambiente doméstico ligado ao ensino, à leitura e à valorização do conhecimento.

Seu pai, Hilário Dias da Silva, foi professor, inspetor municipal de educação, supervisor educacional, comerciante e colecionador de relógios de parede. Sua mãe, Marília Queiroz da Silva, atuou como professora de História Geral e do Brasil no Instituto de Educação Gastão Guimarães. Ambos foram formados pela tradicional Escola Normal Rural de Feira de Santana, instituição de referência na formação de educadores no interior baiano.

A memória de Marília Queiroz da Silva permanece vinculada à educação pública municipal, uma vez que seu nome foi atribuído a uma unidade educacional da Prefeitura de Feira de Santana. A homenagem reforça a presença da família no campo educacional e no patrimônio simbólico da cidade.

Relação familiar com Carlos Augusto e Valentina Queiroz

Vladimir Queiroz também integra uma rede familiar com ligação direta ao jornalista e cientista social Carlos Augusto, editor do Jornal Grande Bahia. Hilário Dias da Silva, pai de Vladimir, era irmão de Augusto Dias da Silva, pai de José Augusto Dias da Silva.

Nesse contexto familiar, Vladimir Queiroz é primo em segundo grau e padrinho de Carlos Augusto. A relação afetiva é ampliada pela presença de Valentina Queiroz Silva, prima em segundo grau e madrinha do jornalista.

Infância, educação e formação intelectual

A alfabetização de Vladimir Queiroz começou em casa, sob orientação da mãe. Em 1969, aos seis anos, ingressou na Escola Recanto Infantil, onde concluiu o antigo curso primário. Posteriormente, em 1974, iniciou o ginásio no Colégio Nossa Senhora do Rosário.

Entre 1978 e 1980, cursou o ensino profissionalizante de Desenho Técnico no Colégio Anísio Teixeira. A formação inicial revela um perfil voltado à observação, à disciplina técnica e à curiosidade intelectual.

Desde a infância, Vladimir demonstrou interesse por ciência, arte e literatura. Em casa, montou um pequeno laboratório com tubos de ensaio, peças de motores, eletrodomésticos desmontados e ferramentas. A experiência doméstica antecipava a convergência entre raciocínio técnico e imaginação criativa que marcaria sua vida profissional e literária.

Primeiros reconhecimentos literários

O interesse pela escrita apareceu ainda na juventude. Em 1975, Vladimir Queiroz recebeu seu primeiro reconhecimento literário ao vencer um concurso de dissertação do Dia das Mães, promovido pelo ginásio onde estudava.

Em 1980, participou do Concurso Secundarista de Poesia do Colégio Severino Vieira, em Salvador. Na ocasião, sua poesia foi apresentada pela atriz Nilda Spencer na Catedral Basílica, episódio que marcou sua aproximação inicial com os círculos culturais da capital baiana.

Essas experiências juvenis anteciparam uma trajetória literária que, décadas depois, alcançaria circulação nacional e internacional, com publicações, traduções, antologias e participação em festivais fora do Brasil.

Engenharia Química e carreira na Petrobras

Em 1981, Vladimir Queiroz foi aprovado no vestibular para Engenharia Química na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Concluiu o curso em 1986, ano em que também foi aprovado em concurso público da Petrobras.

Na estatal, desenvolveu uma carreira de mais de três décadas. Atuou em campos de produção de petróleo no Recôncavo Baiano, com passagem por municípios como Candeias, São Sebastião do Passé, Alagoinhas e Esplanada.

Ao longo da trajetória profissional, exerceu funções como consultor técnico, coordenador de projetos e gerente de produção. Também idealizou e participou da implantação, em nível nacional, de um sistema computacional de controle da produção e medição de petróleo em campos terrestres.

Reconhecimento técnico e produção científica

A atuação técnica de Vladimir Queiroz foi reconhecida em diferentes frentes. Em 1998, obteve o 3º lugar no Prêmio CNI de Incentivo à Qualidade e Produtividade, concedido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia, com trabalho sobre conservação de energia em unidades de tratamento de petróleo.

Paralelamente à carreira operacional e gerencial, publicou mais de uma dezena de trabalhos técnicos na área de produção de petróleo. Essa produção reforça sua inserção no campo da engenharia aplicada e da gestão de processos industriais.

A combinação entre engenharia, método, linguagem técnica e criação literária constitui uma das marcas mais singulares de sua biografia. Em sua trajetória, a precisão científica convive com a elaboração poética, sem que uma dimensão anule a outra.

O poeta feirense e a construção de uma obra literária

Mesmo com intensa atuação profissional na área técnica, Vladimir Queiroz manteve vínculo permanente com a literatura. Suas referências iniciais incluem autores do romantismo brasileiro, como Castro Alves, Álvares de Azevedo e Gonçalves Dias, além de nomes como Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Manoel de Barros e Olavo Bilac.

A trajetória editorial ganhou corpo na década de 1990. Registros biográficos indicam o início de sua publicação em livro entre 1995 e 1996, período em que sua poesia passou a circular em formato editorial. Em 1998, venceu o Projeto Cultural Petrobras Bahia, na categoria literária.

No início dos anos 2000, o livro Terracota foi selecionado pelo selo As Letras da Bahia, da Fundação Cultural do Estado. O reconhecimento ampliou a projeção de sua obra no cenário literário baiano.

Livros publicados e expansão da carreira literária

Vladimir Queiroz publicou uma obra extensa, composta por livros de poesia e textos literários que atravessam diferentes fases de sua produção. Entre os títulos associados à sua trajetória estão Seres & Dizeres, Terracota, Infantilis, ABCdito e outros ditos mais, Apokálupsis do Sertão, Luminescência, Instinto, Alcatruz, Nuances, Muxarabis, Brasileirança, Kairós, Kara wã e Abayomi.

O livro Nuances alcançou circulação internacional, com edições e publicações em países como Portugal, Romênia, Colômbia e Itália. A obra foi apresentada na Biblioteca Nacional de Lisboa, em 2013, e integrou a programação do Festival Literário Internacional de Óbidos, em Portugal, em 2015.

Em 2018, Nuances também foi tema de tese de láurea na Universidade de Estudos de Perugia, na Itália. O episódio indica o alcance acadêmico e crítico da produção literária do poeta feirense.

Prêmios e circulação internacional

A produção de Vladimir Queiroz recebeu reconhecimento em premiações literárias recentes. Kara wã, publicado em 2022, foi agraciado com o Prêmio Book Brasil 2022 como melhor livro de poesia.

A obra Abayomi recebeu o Prêmio Literário Cidade de Manaus 2024, também na categoria poesia. O reconhecimento reforça a permanência do autor no circuito literário brasileiro e a vitalidade de sua produção poética.

Além dos livros publicados, Vladimir participou de antologias nacionais e internacionais e teve poemas divulgados em revistas como Iararana, Caliban, de Portugal, Poezia, da Romênia, Vuela Palabra, da Colômbia, e À LINDEX, da França.

Festivais, academias e entidades literárias

A presença de Vladimir Queiroz em eventos internacionais ampliou o alcance de sua obra. Ele participou de festivais literários em diferentes países, incluindo Portugal, Colômbia, Moçambique e Romênia.

Entre os eventos associados à sua trajetória estão o Festival Internacional de Poesia de Bogotá, o Festival Internacional de Poesia de Cartagena, o Festival Internacional do Livro de Quelimane, o Festival Internacional de Poesia de Iasi, o Festival Internacional de Poesia de Lisboa e o Festival Literário de Mucugê, na Chapada Diamantina.

Vladimir é membro efetivo da Academia Feirense de Letras, onde ocupa a cadeira nº 38, cujo patrono é o jornalista Ernesto Simões Filho. Também é vinculado ao Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e à Associação Internacional de Paremiologia, sediada em Tavira, Portugal.

Sagitarius e os 30 anos de literatura

Com o lançamento de Sagitarius, pela Editora Mondrongo, na Flipelô, Vladimir Queiroz celebra cerca de 30 anos de literatura. A marca sintetiza uma trajetória iniciada na juventude, consolidada em livros, ampliada por traduções e reconhecida em eventos literários internacionais.

A comemoração dos 30 anos de produção literária insere o autor em uma tradição de escritores baianos que conciliam identidade regional, circulação lusófona e experimentação estética. Em sua obra, a memória sertaneja, a palavra poética e a experiência intelectual compõem um repertório de forte densidade simbólica.

O lançamento também reforça a centralidade de Feira de Santana na formação do escritor. Embora sua obra tenha alcançado outros países, a origem feirense permanece como eixo biográfico e cultural de sua produção.

A formação médica de Igor Queiroz e a continuidade familiar

A trajetória familiar de Vladimir Queiroz também se expressa na formação dos filhos. Em 30/01/2020, uma quinta-feira, Igor Oliveira Queiroz comemorou, em Salvador, a conclusão do curso de Medicina pela tradicional Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, integrando a Turma 2019.2 da instituição.

A solenidade reuniu familiares e amigos do novo médico, entre eles os pais, Vladimir Queiroz e Mônica Oliveira Queiroz, o irmão Iago Oliveira Queiroz, os tios José Marcelo Evangelista Silva e Valentina Queiroz Silva, além da prima Marília Queiroz Silva.

Igor Oliveira Queiroz tornou-se médico clínico e geriatra, com especialização em psicogeriatria pelo IPq-USP. Iago Oliveira Queiroz, por sua vez, atua como administrador de empresas e empresário na área de tecnologia. A formação dos filhos amplia a presença familiar em áreas como saúde, gestão e inovação.

Uma biografia entre ciência, literatura e memória

A biografia de Vladimir Queiroz reúne três dimensões centrais: a formação científica, a atuação profissional na indústria do petróleo e a produção literária. Essa combinação confere singularidade ao seu percurso, pois articula método técnico, experiência administrativa, imaginação poética e participação cultural.

Sua história também preserva a memória de uma família marcada pela educação. A influência dos pais, ambos professores, aparece como elemento estruturante de sua formação intelectual e de sua relação com o conhecimento.

Ao mesmo tempo, sua trajetória literária revela uma vocação de permanência. Em um cenário cultural frequentemente afetado pela descontinuidade de políticas públicas, pela baixa valorização da leitura e pela concentração editorial, a obra de Vladimir Queiroz demonstra persistência, circulação e reconhecimento.

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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