Acordo entre EUA e Irã prevê reabertura do Estreito de Ormuz, derruba preços do petróleo e inicia nova fase de negociações

O presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, classificou como “histórico” o acordo firmado com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio. A declaração foi publicada nas redes sociais na quinta-feira (18/06/2026), um dia após a assinatura eletrônica do memorando pelo presidente americano Donald Trump, em Versalhes, na França.

O documento estabelece a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo e gás natural, além da suspensão simultânea do bloqueio americano aos portos iranianos. O acordo também inaugura uma etapa de negociações que deverá abordar temas mais amplos, incluindo o programa nuclear iraniano.

A movimentação foi acompanhada pelos mercados internacionais. Os preços do petróleo registraram queda após a divulgação do entendimento, refletindo expectativas de aumento da oferta global de energia e redução dos riscos geopolíticos associados ao conflito.

Retomada do tráfego marítimo marca primeiros efeitos do acordo

Os primeiros impactos do memorando foram observados no transporte marítimo. Na quinta-feira (18/06/2026), o navio de gás natural liquefeito (GNL) Mraikh, sob bandeira francesa, atravessou o Estreito de Ormuz após semanas de interrupções no tráfego provocadas pela guerra.

A embarcação transportava 76.535 toneladas de GNL, carregadas em Ras Laffan, no Catar, com destino a Port Qasim, no Paquistão. Segundo plataformas internacionais de monitoramento marítimo, o navio pertence a uma subsidiária francesa do grupo norueguês Knutsen OAS Shipping.

Dados do setor apontam que apenas 15 navios transportadores de GNL deixaram o Golfo com carga desde o início do conflito, evidenciando o impacto da guerra sobre as cadeias globais de energia. Sinais de rastreamento marítimo também indicaram aumento no fluxo de embarcações atravessando Ormuz em ambos os sentidos.

Mercado reage com queda do petróleo

Analistas do mercado energético avaliam que o acordo pode favorecer a retomada gradual das exportações da região. A expectativa inclui o retorno do petróleo iraniano aos mercados internacionais e o aumento da produção de outros exportadores do Golfo.

Segundo especialistas, a perspectiva de ampliação da oferta reduziu parte significativa do chamado prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços durante o conflito. Ainda assim, o mercado continua atento aos níveis de estoques globais e aos próximos desdobramentos das negociações.

Por volta das 11h45 GMT, o barril do Brent era negociado a US$ 78,46, com queda de 1,37%. Já o WTI, referência americana, recuava 1,98%, sendo negociado a US$ 75,27. Ambos os indicadores se aproximaram dos níveis observados antes do início da guerra.

Irã sinaliza possibilidade de discutir cobrança para passagem por Ormuz

Embora o acordo estabeleça a reabertura integral do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágio durante 60 dias, autoridades iranianas indicaram que a questão poderá voltar à pauta nas próximas etapas das negociações.

A segunda fase do processo diplomático deveria começar na sexta-feira (19/06/2026), na Suíça, onde estava prevista uma cerimônia oficial para formalizar os compromissos assumidos pelas partes. As discussões seriam realizadas em Bürgenstock, próximo ao Lago de Lucerna.

O governo iraniano já sinalizou que eventuais mecanismos de cobrança pelo uso da passagem marítima poderão ser analisados futuramente, tema que permanece em aberto no atual entendimento entre Washington e Teerã.

Negociações na Suíça são adiadas após cancelamento de viagem de JD Vance

A continuidade das conversas sofreu um revés após o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, cancelar sua viagem à Suíça por questões classificadas pela Casa Branca como logísticas.

O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou que as reuniões previstas entre representantes dos Estados Unidos, Irã, Catar e Paquistão foram adiadas, sem definição de uma nova data para sua realização.

Autoridades suíças informaram que os trabalhos preparatórios continuam. Paralelamente, a agência iraniana Tasnim declarou que também não havia confirmação oficial sobre o deslocamento de uma delegação iraniana ao país europeu.

Liderança iraniana aprova acordo com ressalvas

Na véspera do adiamento, o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei declarou ter autorizado o acordo, embora tenha manifestado divergências em relação ao conteúdo do compromisso.

Segundo Khamenei, a aprovação ocorreu em razão das garantias apresentadas por integrantes do governo iraniano sobre a proteção dos interesses nacionais. O líder também afirmou que futuras negociações presenciais com os Estados Unidos não significam concordância com as posições americanas.

O acordo prevê um período inicial de 60 dias de negociações, durante o qual serão debatidas questões consideradas mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano e o futuro das relações bilaterais.

Trump rebate críticas e acordo enfrenta resistência política

Nos Estados Unidos, o acordo recebeu críticas tanto de setores republicanos quanto democratas. Entre os questionamentos estão a ausência de detalhes sobre a infraestrutura nuclear iraniana e as concessões econômicas previstas no entendimento.

Donald Trump reagiu às críticas em publicação na rede Truth Social, destacando a queda dos preços do petróleo e o desempenho positivo dos mercados financeiros após a assinatura do memorando.

Veículos de imprensa americanos e europeus também levantaram dúvidas sobre o alcance do acordo. Parte das análises aponta que o documento oferece benefícios econômicos significativos ao Irã antes da resolução de temas centrais relacionados ao programa nuclear.

Imprensa internacional destaca incertezas sobre próximos passos

Jornais da França e de outros países destacaram que o acordo encerra formalmente as hostilidades, mas abre uma fase de negociações cercada por incertezas.

As análises ressaltam que o compromisso inclui medidas como o alívio de sanções, a reabertura do Estreito de Ormuz, a retomada das operações portuárias iranianas e a criação de mecanismos para apoiar a reconstrução econômica do país.

Especialistas também observam que ainda não existem garantias concretas sobre a implementação integral dos compromissos assumidos nem sobre o resultado das futuras negociações envolvendo o programa nuclear iraniano.

Pentágono solicita recursos adicionais após operação militar

Paralelamente aos desdobramentos diplomáticos, informações divulgadas pela imprensa americana apontam que o Pentágono solicitou ao Congresso dos Estados Unidos US$ 80 bilhões adicionais para cobrir despesas relacionadas às operações militares no Irã e a outros compromissos de defesa.

Segundo as informações, representantes do Departamento de Defesa alertaram parlamentares sobre possíveis limitações orçamentárias para a continuidade de operações previstas para os próximos meses caso não haja aprovação de novos recursos.

O orçamento do Pentágono para o ano fiscal de 2026 gira em torno de US$ 1 trilhão, enquanto os debates sobre os custos da guerra e os impactos do acordo seguem no centro das discussões políticas em Washington.

*Com informações da Sputnik News e RFI.

Redação do Jornal Grande Bahia

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