Cuba aprova 176 medidas e busca atrair investimentos estrangeiros sob sanções dos EUA; Especialistas analisam desafios da abertura econômica
A aprovação de 176 medidas econômicas por Cuba reacendeu o debate sobre a capacidade do país de ampliar a participação do investimento estrangeiro em um cenário marcado pelo endurecimento das sanções dos Estados Unidos. A discussão ganhou força após a saída de grandes redes hoteleiras espanholas que atuavam na ilha há mais de três décadas e diante da ampliação das restrições impostas por Washington a setores considerados estratégicos da economia cubana.
Segundo especialistas consultados pela Sputnik, o principal desafio não está apenas na implementação das reformas anunciadas pelo governo cubano, mas também na capacidade de reduzir os efeitos das medidas coercitivas adotadas pelos Estados Unidos, que afetam empresas estrangeiras interessadas em operar no país.
Nos últimos meses, redes como Meliá, Iberostar e Barceló encerraram suas operações em Cuba, movimento interpretado por analistas como consequência do aumento da pressão norte-americana sobre investidores internacionais.
Sanções dos EUA ampliam obstáculos ao capital estrangeiro
O economista Luis René Fernández Tabío, professor da Universidade de Havana, afirma que a política norte-americana busca atingir diretamente as principais fontes de receita da economia cubana, afetando atividades relacionadas ao turismo, energia e demais setores considerados estratégicos.
De acordo com o especialista, as medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump foram acompanhadas por novas sanções e por documentos oficiais que classificam Cuba como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. Segundo sua avaliação, esse ambiente aumenta os riscos para empresas internacionais interessadas em permanecer na ilha.
Fernández Tabío observa que, além da pressão política, há impactos econômicos diretos, como redução das reservas em hotéis, queda das receitas financeiras e diminuição das viagens aéreas, fatores que tornam o ambiente de negócios ainda mais complexo.
Especialistas avaliam efeitos das reformas econômicas
Para Omar Everleny Pérez, doutor em Economia pela Universidade de Havana e consultor acadêmico do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo, parte das empresas estrangeiras pode decidir deixar Cuba diante da intensificação das sanções norte-americanas.
Na avaliação do economista, os ativos deixados por grupos internacionais poderão, futuramente, despertar interesse de empresas norte-americanas, caso haja alterações na política externa dos Estados Unidos por meio de decisões presidenciais que flexibilizem as restrições atualmente em vigor.
O pesquisador também destaca que a implementação das novas medidas econômicas será determinante para avaliar sua efetividade. Segundo ele, não basta aprovar reformas; será necessário verificar seus resultados práticos sobre o ambiente de negócios, a atividade econômica e a capacidade de atrair investimentos.
Implementação das medidas será decisiva para o ambiente de negócios
Segundo Pérez, a criação de um ambiente com maior concorrência, fortalecimento dos direitos de propriedade e ampliação das possibilidades para pequenas, médias e microempresas poderia contribuir para ampliar a confiança dos investidores.
O economista argumenta que mudanças que permitam maior autonomia ao setor privado, incluindo operações de importação e exportação, poderiam representar avanços para a economia cubana, desde que acompanhadas de regulamentações efetivamente implementadas.
Ele ressalta, contudo, que a permanência das sanções norte-americanas continua sendo um fator de risco relevante para empresas interessadas em investir no país.
Historiador aponta limitações estruturais da abertura econômica
O historiador Fabio Fernández, doutor em Ciências Históricas e professor da Universidade de Havana, considera que a saída de empresas estrangeiras evidencia limitações enfrentadas pelo programa de abertura econômica promovido pelo governo cubano.
Segundo o pesquisador, embora as reformas ampliem o espaço para investimentos externos, o ambiente internacional continua impondo custos elevados e insegurança jurídica para multinacionais, especialmente diante da possibilidade de novas sanções dos Estados Unidos.
Fernández afirma que grandes grupos internacionais possuem capacidade financeira e jurídica para enfrentar disputas comerciais, mas avalia que, mesmo assim, muitos optaram por deixar o mercado cubano diante do aumento da pressão política e econômica.
BRICS e parceiros internacionais aparecem como alternativa
Na avaliação do historiador, uma das possibilidades para ampliar os investimentos em Cuba seria fortalecer parcerias com países considerados aliados, como Rússia e China, integrantes do BRICS, capazes de oferecer apoio político e econômico aos projetos desenvolvidos na ilha.
Segundo Fernández, diversos especialistas defendem que a recuperação econômica cubana depende da entrada de novos fluxos de capital estrangeiro, condição considerada necessária para impulsionar investimentos produtivos e ampliar o crescimento econômico.
Enquanto isso, a implementação das 176 medidas aprovadas pelo governo cubano deverá ser acompanhada por investidores e analistas internacionais, que observam tanto a evolução das reformas internas quanto os efeitos das sanções norte-americanas sobre a capacidade do país de atrair novos empreendimentos.
*Com informações da Sputnik News.
Redação do Jornal Grande Bahia




