Parque Náutico do Rio Jacuípe prevê marina, arena multiuso e mais de 2,5 mil empregos em Feira de Santana

Apresentado pela Prefeitura de Feira de Santana na quinta-feira (30/07/2026) e detalhado em material institucional analisado nesta sexta-feira (31/07/2026), o projeto do Parque Náutico do Rio Jacuípe prevê a implantação de marina, garagem para embarcações, arena multiuso, complexo esportivo, Vila Gourmet, mirante, estacionamentos arborizados e áreas públicas de convivência em um terreno municipal de 260 mil metros quadrados. O prefeito José Ronaldo de Carvalho também formalizou contrato com a Fundação Getulio Vargas (FGV) para elaborar os estudos de viabilidade econômico-financeira, etapa inicial que receberá investimento municipal de R$ 2,9 milhões. As projeções preliminares indicam mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos durante a implantação e a operação do complexo.

Projeto busca transformar o Rio Jacuípe em polo regional de lazer e turismo

A proposta municipal tem como objetivo transformar Feira de Santana em referência regional de lazer náutico, esportes, turismo, convivência social e qualidade de vida. O conceito apresentado associa o aproveitamento econômico do Rio Jacuípe à preservação da paisagem, à criação de áreas verdes e à oferta de equipamentos públicos acessíveis à população.

O empreendimento será implantado em área pertencente ao Município, situada nas proximidades do condomínio Alphaville. Segundo a administração municipal, o planejamento começou a ser estruturado em 2001, dentro de uma estratégia de longo prazo para ampliar a infraestrutura de lazer, fortalecer o turismo e atrair investimentos privados para Feira de Santana.

O masterplan organiza o parque em setores interligados por vias internas, áreas arborizadas, circuitos para caminhada, espaços esportivos e estruturas posicionadas junto à margem do rio. A concepção procura combinar equipamentos de maior porte, como a arena multiuso, com ambientes destinados à contemplação, à gastronomia e às atividades cotidianas da comunidade.

Marina, garagem náutica e atracadouros integram estrutura principal

O núcleo náutico será formado por marina para embarcações de pequeno e médio porte, píer flutuante, atracadouros e garagem coberta para barcos e equipamentos. A apresentação prevê controle de acesso, áreas de embarque e desembarque, serviços de manutenção, segurança e infraestrutura destinada aos usuários do parque.

A garagem náutica deverá armazenar embarcações em espaço coberto, enquanto a marina funcionará como ponto de apoio às atividades de navegação, lazer e turismo. As imagens conceituais mostram galpões próximos à água, píeres integrados à paisagem e áreas de circulação destinadas a usuários, prestadores de serviços e operadores náuticos.

A Prefeitura informou que o projeto contempla ainda três estacionamentos ecológicos. O masterplan, entretanto, apresenta diferentes áreas de estacionamento distribuídas pelo terreno, com arborização, pavimento permeável, iluminação, sinalização e acessos aos principais equipamentos. A quantidade final de vagas ainda não foi divulgada.

Vila Gourmet reunirá gastronomia, comércio e economia local

A Vila Gourmet foi projetada como núcleo gastronômico composto por restaurantes, cafés, quiosques e espaços destinados à convivência. O setor deverá funcionar durante diferentes períodos do dia, com integração à ciclovia, ao passeio público, às áreas verdes e à margem do Rio Jacuípe.

O espaço poderá ampliar a participação de restaurantes, empreendedores, produtores locais, fornecedores e trabalhadores ligados à alimentação, ao artesanato e à economia criativa. A proposta associa o funcionamento da Vila Gourmet à valorização da culinária regional e à formação de uma nova área de lazer e serviços em Feira de Santana.

Além de atender visitantes do parque, o núcleo gastronômico poderá integrar a cadeia econômica associada a eventos, turismo regional, hotelaria, transporte e comércio. A administração municipal considera que o empreendimento poderá estimular a instalação de hotéis e outros serviços privados no entorno.

Complexo esportivo terá quadras, campo e circuito de caminhada

O setor esportivo reunirá quadras de beach tennis, tênis, modalidades poliesportivas e vôlei de areia, além de campo de futebol gramado. A estrutura também prevê circuito destinado a caminhada e corrida, espaços de permanência, iluminação e integração com as áreas naturais.

A apresentação indica que os equipamentos serão destinados a diferentes faixas etárias e poderão ser utilizados tanto para atividades cotidianas quanto para competições e ações de promoção da saúde. O projeto conceitual inclui acessibilidade, sinalização e estruturas de apoio distribuídas pelo complexo.

O parque também contará com um mirante ou deck de observação, concebido como espaço panorâmico voltado para o Rio Jacuípe. O local deverá permitir contemplação da paisagem, convivência, fotografia e descanso, com bancos, iluminação ambiental e caminhos conectados às demais áreas.

Arena multiuso poderá receber eventos culturais e esportivos

A arena multiuso foi projetada para receber atividades culturais, esportivas, educativas, empresariais e de entretenimento. As imagens da apresentação mostram uma edificação fechada, com capacidade para diferentes configurações internas, incluindo shows, competições esportivas e eventos de maior porte.

Segundo a Prefeitura, a arena deverá ser construída em um ponto mais afastado das áreas residenciais, com o objetivo de reduzir impactos sonoros e operacionais sobre os bairros e condomínios próximos. O equipamento contará ainda com acessos independentes, áreas técnicas e setores destinados aos serviços de apoio.

A operação desse espaço poderá integrar Feira de Santana ao circuito de eventos culturais, esportivos e corporativos, complementando a vocação regional do Município como centro de comércio, serviços e circulação de pessoas.

Integração Jacuípe–Paraguaçu projeta corredor regional de 133 quilômetros

O mapa conceitual apresentado na página 3 do documento propõe uma integração entre os rios Jacuípe e Paraguaçu, formando um corredor de aproximadamente 133 quilômetros entre Feira de Santana, municípios do Recôncavo e a Baía de Todos-os-Santos.

O trajeto ilustrado inclui localidades como Antônio Cardoso, Santo Estêvão, Conceição da Feira, São Félix, Cachoeira e Maragogipe, além do reservatório de Pedra do Cavalo. A proposta associa esse eixo hidrográfico ao turismo náutico, à mobilidade regional, à conservação ambiental, à valorização do patrimônio e ao desenvolvimento das economias locais.

A Prefeitura informou que cerca de 45 quilômetros do Rio Jacuípe seriam navegáveis. A utilização efetiva desse potencial dependerá, entretanto, dos estudos técnicos, das condições ambientais, da infraestrutura instalada e das autorizações exigidas para atividades de navegação e exploração turística.

Debates ambientais antecedem apresentação do parque

A implantação do complexo está vinculada a uma discussão municipal anterior sobre recuperação ambiental da Bacia do Rio Jacuípe. Em setembro de 2022, fóruns promovidos pela Prefeitura reuniram representantes públicos e entidades da sociedade civil para discutir despoluição, requalificação territorial, esportes náuticos e aproveitamento turístico do Lago de Pedra do Cavalo.

Naquele período, técnicos municipais apontaram a poluição dos cursos d’água, o lançamento de esgoto sem tratamento e as ocupações irregulares em áreas protegidas como obstáculos ao desenvolvimento de projetos turísticos e recreativos. As discussões deram origem a iniciativas como o Respira Jacuípe, estruturado em ações de infraestrutura, educação ambiental e participação institucional.

O Parque Náutico é apresentado como aderente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente aqueles relacionados à saúde, trabalho e renda, cidades sustentáveis, ação climática, vida na água, proteção dos ecossistemas terrestres e formação de parcerias. Essa vinculação, porém, dependerá da incorporação das metas ambientais aos estudos, contratos e mecanismos de fiscalização.

Projeções indicam mais de 2,5 mil empregos nas duas fases

O quadro de impacto econômico da página 20 da apresentação estima mais de 1.300 empregos diretos e indiretos durante a implantação e outros 1.200 postos durante a operação, totalizando uma referência preliminar superior a 2,5 mil oportunidades.

Entre as atividades diretamente relacionadas ao empreendimento estão construção civil, operação da marina, funcionamento da Vila Gourmet, arena multiuso, complexo esportivo, administração, segurança, manutenção e educação ambiental. Os empregos indiretos poderão alcançar hotelaria, transporte, comércio, turismo regional, eventos, serviços náuticos, economia criativa, agricultura familiar e fornecedores.

A divulgação oficial realizada durante a apresentação mencionou aproximadamente 1.300 postos em cada etapa, o que elevaria a estimativa para cerca de 2,6 mil empregos. O próprio material técnico esclarece, contudo, que os quantitativos definitivos dependerão dos estudos de demanda e da modelagem econômico-financeira conduzida pela FGV. Portanto, os números divulgados devem ser tratados como projeções preliminares, e não como vagas formalmente contratadas.

Concessão atribuirá implantação e operação à iniciativa privada

O modelo proposto prevê que uma concessionária fique responsável pela implantação, operação, manutenção, segurança, limpeza e realização de melhorias estruturais no parque. Ao Poder Público caberá fiscalizar o contrato, acompanhar a prestação dos serviços e assegurar que o espaço permaneça acessível, seguro e adequado à população.

A Prefeitura informou que pretende adotar uma concessão simples, com acesso gratuito da população às áreas públicas do empreendimento. A estrutura definitiva do contrato, as atividades que poderão ser cobradas, os mecanismos de remuneração do concessionário e as contrapartidas públicas ainda deverão ser definidos nos estudos técnicos.

O investimento municipal de R$ 2,9 milhões anunciado nesta fase é destinado aos estudos de demanda, viabilidade econômico-financeira e modelagem do empreendimento. O valor não corresponde ao custo total das obras, que ainda não foi divulgado. A FGV deverá avaliar a sustentabilidade financeira, os riscos, a estrutura contratual e as condições necessárias à futura implantação.

Linha do tempo do Parque Náutico do Rio Jacuípe

  • 2001: início do planejamento municipal relacionado ao aproveitamento da área e ao desenvolvimento de um complexo de lazer e turismo, segundo a Secretaria Municipal de Planejamento.
  • Setembro de 2022: fóruns municipais discutem recuperação da Bacia do Rio Jacuípe, combate à poluição, turismo e práticas náuticas no Lago de Pedra do Cavalo.
  • Outubro de 2022: o projeto Respira Jacuípe articula ações de educação ambiental, infraestrutura, recuperação dos riachos e participação de instituições públicas e privadas.
  • 29 de julho de 2026: a Prefeitura anuncia a apresentação pública do Parque Náutico do Rio Jacuípe.
  • 30 de julho de 2026: o prefeito José Ronaldo apresenta o projeto e formaliza o contrato de R$ 2,9 milhões com a FGV para os estudos de viabilidade.
  • Próxima etapa, sem prazo divulgado: elaboração dos estudos de demanda, modelagem econômico-financeira, detalhamento da concessão e definição dos quantitativos, investimentos e condições de implantação.
Infográfico sobre Parque Náutico do Rio Jacuípe, em Feira de Santana.
Infográfico sobre Parque Náutico do Rio Jacuípe, em Feira de Santana.

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

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