Ideb 2025: Angelo Almeida aponta Salvador em 149º na Bahia e cobra ACM Neto e Bruno Reis; rede municipal avança para 5,6
Nesta sexta-feira (07/08/2026), o deputado estadual Angelo Almeida (PT) colocou o desempenho da educação municipal de Salvador no Ideb 2025 no centro do debate político ao afirmar que a capital ocupa a 149ª posição entre as redes municipais da Bahia nos anos iniciais do ensino fundamental, com nota 5,6, resultado que, segundo a comparação apresentada pelo parlamentar, deixa o município atrás de outras 148 cidades baianas. Os dados oficiais confirmam que Salvador avançou de 5,3, em 2023, para 5,6, em 2025, nos anos iniciais, e de 4,2 para 4,5 nos anos finais. Enquanto Almeida utiliza a posição relativa da capital para questionar o ciclo administrativo iniciado por ACM Neto, em 2013, e continuado pelo prefeito Bruno Reis, a Prefeitura destaca a evolução das notas nas duas etapas avaliadas.
Salvador melhora notas, mas posição entre municípios vira alvo de disputa
Os resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram crescimento de 0,3 ponto nas duas etapas do ensino fundamental avaliadas na rede municipal de Salvador. Nos anos iniciais, a nota passou de 5,3 para 5,6; nos anos finais, avançou de 4,2 para 4,5. O Inep disponibilizou oficialmente os resultados referentes a 2025 em agosto de 2026.
A posição de 149º lugar nos anos iniciais, apresentada por Angelo Almeida, resulta de uma comparação dos desempenhos das redes municipais baianas. O parlamentar afirma que 148 municípios obtiveram nota superior à de Salvador. A página institucional consultada do Inep disponibiliza os resultados por redes e municípios, mas não apresenta, em sua página de divulgação, uma classificação ordinal pronta das cidades baianas; dessa forma, a posição mencionada deve ser identificada como resultado da ordenação utilizada pelo deputado, e não como um ranking nominal publicado pelo órgão federal.
Ao sustentar a crítica, Almeida citou Itatim, Malhada de Pedras e Licínio de Almeida como exemplos de municípios que, segundo a comparação por ele apresentada, ficaram à frente da capital. O argumento utilizado pelo parlamentar é que cidades com população, estrutura administrativa e capacidade orçamentária inferiores às de Salvador conseguiram alcançar indicadores superiores.
Angelo Almeida cobra ACM Neto e Bruno Reis
Para Angelo Almeida, a posição relativa de Salvador precisa ser considerada na avaliação do ciclo político iniciado por ACM Neto, que administrou a capital entre 2013 e 2020, e mantido por Bruno Reis, prefeito desde janeiro de 2021. Em 2026, esse ciclo encontra-se em seu 14º ano civil consecutivo à frente da administração municipal.
“Estamos falando da capital da Bahia, com orçamento, estrutura e capacidade de investimento muito superiores às da maioria desses municípios. Depois de 14 anos, Salvador aparece em 149º lugar. ACM Neto precisa explicar esse resultado antes de querer dar lição sobre educação”, afirmou Angelo Almeida.
O deputado concentra a crítica na diferença entre a capacidade institucional da maior cidade da Bahia e sua posição relativa entre as redes municipais. A manifestação transforma os resultados educacionais em elemento do confronto político envolvendo a gestão da capital e o legado administrativo do ex-prefeito ACM Neto.
Almeida voltou a responsabilizar os dois gestores pelo resultado comparativo:
“Não faltou tempo, não faltou dinheiro e não faltou poder. Foram 14 anos. O que existe agora é um número objetivo: 148 municípios baianos conseguiram desempenho melhor que Salvador. É esse resultado que ACM Neto e Bruno Reis precisam responder.”
Salvador registra 4,5 nos anos finais e fica abaixo da média pública nacional
Nos anos finais do ensino fundamental, Salvador alcançou 4,5 no Ideb 2025. O índice representa avanço em comparação com os 4,2 obtidos em 2023, mas permanece abaixo da média registrada pela rede pública brasileira, que chegou a 5,0 nessa etapa em 2025.
Angelo Almeida afirma que, ao ordenar os resultados das redes municipais da Bahia, Salvador aparece na 135ª posição nos anos finais. Assim como ocorre com a posição referente aos anos iniciais, a classificação é apresentada pelo parlamentar a partir da comparação dos dados municipais, enquanto a nota de 4,5 é resultado oficial do Ideb.
Em âmbito nacional, a rede pública também apresentou evolução entre 2023 e 2025. Nos anos iniciais, o Ideb passou de 5,7 para 6,1; nos anos finais, de 4,7 para 5,0; e, no ensino médio, de 4,1 para 4,3. Consideradas conjuntamente redes públicas e privadas, o Brasil chegou a 6,3 nos anos iniciais, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio. Segundo o Inep, os resultados representam os maiores valores da série histórica iniciada em 2005.
Ideb combina aprendizagem e fluxo escolar
Criado em 2007, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica é calculado a partir da combinação de dois componentes: o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e os indicadores de aprovação e fluxo escolar obtidos pelo Censo Escolar. A escala varia de zero a dez.
Isso significa que o resultado não mede exclusivamente o desempenho dos estudantes nas avaliações. A nota final também sofre influência das taxas de aprovação, fazendo com que redes com níveis semelhantes de aprendizagem possam apresentar índices diferentes em razão do fluxo escolar.
A metodologia torna relevante observar não apenas a nota agregada, mas também seus componentes, especialmente quando são realizadas comparações entre municípios com perfis populacionais, socioeconômicos, territoriais e estruturas educacionais diferentes.
Angelo contrapõe Salvador à trajetória da rede estadual da Bahia
Na manifestação, Angelo Almeida também utilizou a evolução do ensino médio da rede estadual da Bahia como contraponto à situação apontada em Salvador. Os registros oficiais mostram que o Ideb do ensino médio estadual passou de 3,2 em 2019 para 3,5 em 2021 e 3,7 em 2023, mantendo uma trajetória de crescimento nas três edições anteriores aos resultados referentes a 2025.
A série é utilizada pelo deputado para sustentar que a educação pública estadual apresentou avanço no período. Entretanto, do ponto de vista metodológico, a comparação exige cautela: ensino médio estadual e ensino fundamental municipal correspondem a etapas educacionais distintas, submetidas a estruturas administrativas, públicos e responsabilidades governamentais diferentes.
Assim, a evolução da rede estadual fornece contexto para o debate político sobre educação na Bahia, mas não constitui, isoladamente, uma comparação direta com o desempenho do ensino fundamental administrado pela Prefeitura de Salvador.
Linha do tempo: gestão municipal e resultados educacionais
- Janeiro de 2013 — ACM Neto assume a Prefeitura de Salvador e inicia o primeiro de seus dois mandatos consecutivos.
- Dezembro de 2020 — ACM Neto encerra oito anos à frente da administração municipal.
- Janeiro de 2021 — Bruno Reis assume a Prefeitura e mantém a continuidade política e administrativa do grupo.
- 2019 — A rede estadual da Bahia registra 3,2 no Ideb do ensino médio.
- 2021 — O índice do ensino médio estadual avança para 3,5.
- 2023 — Salvador registra 5,3 nos anos iniciais e 4,2 nos anos finais; o ensino médio da rede estadual da Bahia chega a 3,7.
- 2025 — A rede municipal de Salvador alcança 5,6 nos anos iniciais e 4,5 nos anos finais, crescimento de 0,3 ponto em cada etapa.
- 05/08/2026 — O Inep divulga os resultados nacionais do Ideb 2025 e informa crescimento dos indicadores da educação básica brasileira.
- 07/08/2026 — Angelo Almeida utiliza os resultados para questionar a posição relativa de Salvador entre os municípios baianos e cobrar explicações sobre o desempenho educacional durante o ciclo político de ACM Neto e Bruno Reis.
Os resultados do Ideb 2025 permitem duas constatações que não são excludentes. A primeira é que Salvador melhorou suas notas nas duas etapas do ensino fundamental em relação a 2023, avanço confirmado pelos dados oficiais. A segunda é que o desempenho absoluto precisa ser confrontado com referências externas: nos anos finais, por exemplo, os 4,5 pontos da capital permanecem abaixo dos 5,0 da rede pública nacional. A posição de 149º lugar utilizada por Angelo Almeida acrescenta uma dimensão comparativa ao debate, mas deve continuar identificada como uma ordenação elaborada a partir dos resultados municipais, enquanto não houver apresentação de uma classificação estadual ordinal diretamente publicada pelo Inep.
O confronto político também evidencia a necessidade de ampliar a análise para além de uma única nota. O Ideb combina aprendizagem e fluxo escolar e não identifica, isoladamente, as causas dos resultados. Para uma avaliação consistente da política educacional de Salvador, devem ser considerados indicadores como desempenho em português e matemática, taxas de aprovação e abandono, distorção idade-série, frequência, investimentos por aluno, infraestrutura, desigualdades territoriais e condições socioeconômicas. Da mesma forma, a trajetória do ensino médio estadual não pode ser diretamente equiparada ao ensino fundamental municipal, porque envolve responsabilidades e etapas distintas.
O núcleo factual permanece definido: Salvador avançou para 5,6 nos anos iniciais e 4,5 nos anos finais no Ideb 2025, mas o resultado abriu uma disputa sobre a posição relativa da capital e a qualidade acumulada da política educacional municipal. Caberá à Prefeitura de Salvador, à Secretaria Municipal da Educação, ao Inep e aos agentes políticos envolvidos apresentar dados comparáveis e metodologicamente verificáveis que permitam acompanhar se a melhora registrada em 2025 será sustentada e se a capital conseguirá reduzir a distância em relação às redes públicas com melhor desempenho.
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia




